Creio que sempre que se remete ao nome Anselmo Duarte em seu trabalho cinematográfico, se lembram como “Nosso garoto de ouro”, ou talvez único que venceu Cannes, ou ainda o cineasta laureado do Brasil, sil, sil… Porém tirando estas considerações vagas de homenagens tão amada pelos criticos, quem foi o tal Anselmo e qual a importância real para o Brasil (não para Cannes). Anselmo foi um cineasta que começou e terminou sendo ator e trabalhando mais como ator de que diretor. Foi extremamente criticado pelo Cinema Novo e afirma em uma recente entrevista que ele proprio criou o cinema novo. O certo é que este ator, arrumou a direção de alguns projetos. O primeiro foi Absolutamente Certo (1957) com o próprio Anselmo Duarte (Zé do Lino), Dercy Gonçalves (Bela), Odete Lara (Odete). O filme era a história de um rapaz que decora toda a lista telefônica da cidade onde morava para ir pra televisão tentar sua fama. Seu segundo filme foi o meteórico “O pagador de promessas” baseado na peça teatral de Dias Gomes que conta a história de Zé do Burro, um homem simples que caminha com uma cruz pelos sertões para pagar uma promessa de burro. O filme foi um sucesso e gerou repercursão internacional. Foi “laureado” com a Palma de Ouro em Cannes…
Alguns veem isto como um feito do Brasil. Porém Anselmo não foi o grande homem das idéias. Ele produziu e atuou em algumas produções como “O descarte”, “Um certo capitão Rodrigo”. Porém seu cinema não fez o sertão virar mar, e não teve uma grande revolução na composição perceptiva do cinema brasileiro. Anselmo, que morreu este fim de semana, foi um homem com a palma doirada, mas mesmo assim um cinema em vários momentos meio brasileiro: sem grande brilho.
