“A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens.” Hanna Arendt
A educação é uma forma de se responsabilizar pelo bem coletivo, de enfraquecer os comportamentos e afetos micro-facistas que se mostram presentes em quase todas as segmentaridades, casas, famílias, escolas e instituições. Educar é tomar para si toda responsabilidade com o que acontece no mundo, e não somente com os seus filhos, mas com todas as crianças. Quando tratamos diretamente da educação das crianças não é apenas seguir um manual de condutas ou então disciplinar as crianças a ficarem quietas. O papel da educação não é este, e sim ultrapassar as barreiras e preconceitos já constituídos para que se possa fazer possível a criação de outras formas de pensar e existir. Um jeito de fazer isto é distanciando estas crianças do contato com o entretenimento que imobiliza e aliena a partir dos conceitos já formatados. Porém, a melhor forma de direcionar esta educação sócio-cultural é colocar estas crianças em contato com formas inteligentes de existência, e que possam trazer novos conteúdos que se carregarão, auxiliando em um viver ético e autêntico. Este contato pode ser por meio de músicas, cinemas, quadrinhos ou outras produções periféricas que sirvam de linhas criativas da existência.
Por isso mesmo os pais, ou cuidadores, deveriam ter um discernimento educacional e se distanciar das escolhas de entretenimentos que “são boas por que todos gostam”. É necessário cortar a moral de rebanho, pois somente assim se estará preocupado realmente com a diversão e educação.
“Qualquer pessoa que se recuse a assumir a responsabilidade coletiva pelo mundo não deveria ter crianças e é preciso proibi-la de tomar parte na educação.” Hanna Arendt
A indústria do entretenimento para crianças: consumo
Antigamente os brinquedos, brincadeiras que as crianças vivenciavam eram criadas pelas próprias crianças e pais. Porém foi criado com o passar do tempo uma indústria do entretenimento infantil visando o consumo. Esta realidade ganhou força entre os anos 60 e 70 e com o aumento do poder na mídia sobre a população. Esta indústria sedutora na esmagadora maioria dos casos “deu às crianças” uma inutilidade criativa, já que o maior amor desta indústria só é um: capital. Hoje em dia cada vez mais o que é oferecido à criança são brinquedos e produtos com todas as formas prontas, que não são capazes de trazer novas imagens, de potencializar uma imaginação. E as maiorias dos pais não notam isto e compram qualquer coisa que for pedido para aliviar seu descomprometimento existencial para com o que acontece no mundo.
Produções alegres dos Discos Taba
É claro que existiram e existem pessoas interessadas em produzir meios alegres de criação junto com as crianças. Além dos pais, incluem artistas, cineastas, cartunistas, (muitos poucos) empresários, músicos, etc. No campo do cinema, podemos destacar, por exemplo, o trabalho de: Michel Ocelot, Silvain Chomet, Jiri Trnka, Albert Lamorrise, entre vários outros. Na literatura: Ziraldo, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Quino, Charles Schultz… Na música: Antonio Nobrega, Décio Marques, Chico Buarque, Adriana Partimpim (Calcanhoto), Grupo Rumo, etc.
Porém, nosso toque hoje é sobre a Coleção de discos de Histórias Infantis Taba, que foi lançado nos anos 80 pela Abril Cultural (não se assustem, eles fizeram algo que se preze). Se tratou de 40 livretos coloridos de histórias que continham um disquinho de vinil cada. Nos discos estavam gravadas as histórias e algumas músicas que eram cantadas por grandes artistas da música popular. Só para ter idéia de alguns artistas que participaram do projeto, inclui-se: Tom Zé, Nara Leão, Chico Buarque, Elis Regina, Rolando Boldrin, MPB-4, Edu Lobo, Quinteto Violado, etc. Além das canções ligadas à vida e à cultura brasileira, são repassadas para crianças de forma livre e inteligente.
Ao final de cada livro há a Escolinha do Teatro, que dava noções básicas e divertidas de teatro, auxiliando as crianças a produzirem suas próprias histórias. Dentre as diversas produções de discos infantis, os Disquinhos Taba realmente são um material engrandecedor, bem melhor que os outros com historinhas. E hoje, embora em vinil não seja tão fácil de ser achado, você pode baixar tudo pela interne neste site aqui ou em vários outros…