Cinema e seus planos

-Querida, quais são seus planos pra este ano?

– Ai, eu quero casar de vestido longo, comprar uma mansão cheia de mordomias e ter duas crianças.

– Este teu plano está muito Hollywood meu bem. Assim você esta me enquadrando em um plano americano da cintura pra cima- assim fico imóvel, sem poder andar. E depois ainda vai querer da um plano destaque, ou o que os americanos chamam de close na minha mão com a aliança, a famosa algema de ouro.

– Você não me ama é isto? Já deve estar com outra…

– Não entra neste plano de contra-plongee, me olhando de baixo… Você não é inferior, estamos no mesmo plano… E não esqueça que o amor tem que expandir pra comunidades mais vastas, já dizia Toni Negre e entrar em um plano panorâmico, ou quem sabe em um plano geral, para que possa se ver o que está por traz e ampliar nossa visão da nossa vida.

– Você tem razão, meu amor. Agora vamos expandir nosso amor em outros planos.


O plano nos espaços em projeção


A idéia de plano que concebemos pode passar por uma concepção  comum, ou se expandir para algo mais amplo.
Em uma diferenciação filosófica a noção imobilizadora do plano pertence ao espaço estriado e a linha de corte em um plano ao espaço liso.


“O espaço liso e o espaço estriado, — o espaço nômade e o espaço sedentário, — o espaço onde se desenvolve a máquina de guerra e o espaço instituído pelo aparelho de Estado, — não são da mesma natureza.” (Deleuze & Guattari, Mil Platos v.5)


Em outras palavras o espaço liso permite que se crie novas concepções e conceitos, já o espaço estriado por sua formação estática não consegue que se crie novas imagens e idéias.


Passando isto para o plano…. Um plano de um filme (pode ser um Hollywoodiano, ou qualquer filme), é feito para que as imagens constituídas nele não eleve o espectador (neste caso é passivo, só espera…) a novas idéias e novas visões de sua existência.  Já um plano de um cinema, é todo estudado e construído em um espaço liso, para que se crie uma modificação de nossa percepção a partir desta nova imagem, de uma heterogenia e que este plano permita que se deslize com facilidade para novos espaços.  Ou seja, um realizador de cinema ao compor os planos está preocupado com a nossa inteligência, e visa que possamos usar este plano que possamos transpor para uma zona de criação e reformulação. Por isso “o espaço homogêneo não é em absoluto um espaço liso, ao contrário, é a forma do espaço estriado.” (ibid)

“Nada es absolutamente bueno, todo depende del uso y de la prudencia, que son sistemáticos.
Intentamos decir, en Mil Mesetas, que lo bueno no es nunca suficiente (por ejemplo, no basta un espacio liso para vencer las estrías y lãs coacciones, no basta un cuerpo sin órganos para hacer frente  lãs organizaciones). En ocasiones se nos ha reprochado el empleo em términos complicados para aparentar distinción. Este reproche no es únicamente malintencionado, es simplemente estúpido. A veces um concepto necesita de una palabra nueva que lo distingue, a veces se sirve de una palabra corriente a la que confiere un sentido peculiar.” (Deleuze, Conversações)

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