Archive for Setembro, 2009

Notas blue

Setembro 30, 2009

Roman Polansky filma Mia Farrow

Roman Polansky, o ator

  • O cineasta polonês, Roman Polansky foi preso na Suiça, onde foi receber um prêmio de cinema, neste sabado que passou. Motivo, ele pisou em um território aliado dos Estados Unidos (local onde fugiu por acusação de pedofilia em 1978). Independente do fato de ser culpado ou não da acusação que lhe remeteram e da sua ” deserção” na França, o que chama atenção é que uma semana antes da prisão já havia um mandato de prisão contra o cineasta. Tudo bem que ele vem tendo uma produção artistica cada vez pior mas o mundo não pode ser território de uma só nação. Afinal as acusações já foram retiradas por todas as partes…


  • Queremos ver o circo pegar fogo com o chicote do Fellini. Esta é a Mostra Circo Fellini que está rolando no Instituto NT em Porto Alegre e que fica em cartaz até dia 17 de novembro. Quase todos os cinemas de Fellini, incluindo os inéditos no Brasil serão exibidos. Para os que ainda não conhecem a obra do magnifico é oportunidade certa de assistir A doce vida, E la nave va, Julieta e os Espiritos, 8 e 1/2, Os Palhaços e outros clássicos incluindo os filmes coletivos com outros diretores.

François Truffaut

François Truffaut

  • Os gaúcos mandaram avisar que na Sala Redenção, sem direito ao chimarrão vai rolar  a partir de quinta-feira (vai até fim de outubro) a mostra François Truffaut: o homem que amava o cinema, que traz quase por completo a obra de um dos mais belos diretores e estudiosos franceses que completa 25 anos de morrido este mês. Mas como o artista nunca morre é festa, é pau, é peba, é um rio no caminho de Doinel, descendo o toco no desvario.

O discreto charme da burguesia de Buñuel

O discreto charme da burguesia de Buñuel

  • Os americanos sempre quiseram que o cinema fosse uma atividade burguesa, um divertimento a toa, alesado que serve pra destrair os rebanhos. Mas sempre ouve esforços de realizadores, atores,  espectadores (e deste blog também) para que o cinema não se reduzice. Por isso a mostra O Discreto Charme da Burguesia que vem ocorrendo em Porto Alegre, quer debater esta questão a partir do cinema, fotografia (C.Beaton e outros) e outras artes. Na parte de cinema destaque para Violência e paixão (Visconti), Santiago (JM Salles), o que não poderia ficar de fora: O discreto charme da burguesia e Anjo Exterminador (Buñuel), A doce vida (Fellini), O deserto Vermelho (Antonioni), outro imperdivel Teorema (Pasolini) em 35 mm, As Bichas (Chabrol).
  • Aqui pela Manausis está rolando a exposição “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé” no Sesc do multiartista argentino- bahiano Carybé. Com sua afetividade pela cultura brasileira e os seres brasileiros, carybé tem seus trabalho também ligado as religiões afro-brasileiras, na qual possui um grande interesse dos movimentos, além da sua junção com a literatura. Corra que a exposição é só até dia 16.
  • A 7a Bienal Internacional do livro que ocorre em Pernambuco, de 2 a 12 de outubro terá a participação de várias figuras importantes na literatura brasileira e mundial. Entre elas o escritor cubando Pedro Juan Gutiérrez , Tayari Jones, Salim Miguel, Sacolinha, Itala Vivan. É Pernambuco falando para o mundo.

Consumo

Setembro 30, 2009

ela me devora lentamente, apreciando cada segundo em sua entranhas
assim que termina seu longo processo me regurgita,
afinal máquina não pode engolir gente ou coisas assim.
E mesmo que pudesse ela precisa de tudo isto
alguém pra dominar, jogar com seus sentidos e
que sem isso ela não pode existir.
Para ela não importa o tempo, e por isso ela vai corroendo
Por que não desliga-la?
Oras que pergunta, ela já ocupa uma parte de ti
é como cortar uma perna ou um dedo.
Não ocupa espaço em lugar nenhum
Nem tem um corpo
Quando a desligo passo pela falta dela
Ela não possue mal ou outras idéias, pois sua única fome
são as nossas próprias.
Mas tem algo pior, ela não se cansa, não dorme
e quantas vezes ela me desgasta tanto
que corro a alcova para me jogar desacordado?
E apesar de tudo
ela só existe em mim.

O CÃO E SUA SOMBRA

Setembro 29, 2009

O cão caminhava horas a fio pela estrada até que parou em uma encruzilhada. Sentado, viu quando passou por ele um homem carregando, além de sua idade, um grande fardo pesado.

Sem que nenhum dos dois fizesse visível qualquer sinal a uma amizade, o cão seguiu o homem durante longos anos.

Agora ele se preparava para deixar para trás seu companheiro-andarilho. Passara toda a noite anterior observado-o deitado, com o olhar fixo em imagens-lembranças enevoadas sem corpo e tempo definido. Foi então que, nos primeiros raios da aurora, ele viu seu companheiro respirar pela derradeira vez. Colocou suas duas patas dianteiras sobre o peito de seu companheiro-andarilho, e por alguns minutos pousou sua cabeça também.

Olhou para a estrada e viu um homem caminhando com sua águia e sua serpente. Ele, então, correu e se postou junto aos novos caminhantes-andarilhos. Agora, ele tinha outro a seguir: Zaratustra!

CONVERSANDO COM A NOITE

Setembro 29, 2009

Orgasmo

Chuva cai,

A noite canta,

Lua sangra.

Os cílios descem, mãos trêmulas.

As estrelas, curiosas,

Despencam-se sobre os ombros.

Olhares rasteiros, flamejantes.

Agonia…

As filhas da sutileza

Revelam o alívio.

Hélios ressuscita, celebrando

A doce e serena:

A morte,

O orgasmo da vida.

Para ler o capítulo anterior da novela de Alberto de Alencar clique aqui.

Toque Esquizomusicais: Música Popular do Brasil- Discos Marcus Pereira

Setembro 28, 2009

A produção da música brasileira sempre dependeu apenas dos encontros entre os povoados, músicos e pessoas dispostas em aumentar sua potência de agir ao compartilhar a vida com música. A música é vida. Para isto sempre foi necessários na criação de música apenas os encontros.
Porém quando a música passa a ser reproduzida por uma indústria, muitas vezes o resultado é um vazio, uma falta de vida, impotência.

Foi vendo esta experiência do esvaziamento músical no Brasil que Marcus Pereira decidiu ir para o fundo da caverna e buscar a música produtora de afetos alegres que existe no Brasil. Surgiu então os Discos Marcus Pereira, uma gravadora, produtora que não era uma qualquer, mas que era uma revolução no jeito da indústria sonora tratar a música brasileira: com amor, paixão e ginga. Como já escrevemos neste blog esquizófico, a gravadora provem da vontade de Marcus compartilhar com o Brasil a música que sempre foi nossa, e que nos foi expropriada; música que não é uma, mas infinitas variações criativas. Por isso Marcus Pereira foi um profano- o que quer levar pra fora- dos morros, pampas, seringais, mangues, rios, palafitas, guetos, trabalho, igapós… as músicas brasileiras.

O Projeto “Música Popular do Brasil”

A idéia de criar uma “arqueologia músical” já havia sido feita pelo escritor e musicólogo Mário de Andrade com as “Missões de Pesquisas Folclóricas”  que foi financiada pelo Departamento de Cultura em 1938, catalogando partituras, registros sonoros, diários, relatos, instrumentos, fotografias, etc. Esta foi a primeira busca de amplificar a música brasileira

Durante a transição da empresa de publicidade que tinha para a companhia de Discos, Marcus Pereira lançava discos-brinde para distribuir aos clientes no fim do ano. Em uma idéia do que gravar (após junto com o Jogral ter lançado a música de Paulo Vanzolini, e outro instrumental) surgiu a idéia da série de discos sobre “Música Popular do Brasil”. A primeira parte do projeto “Música Popular do Nordeste” foi feita a partir de pesquisas músicais e expedições aos vários estados do Nordeste desta música de infinitas váriações e movimentos criativos. O projeto rendeu 4 LPs e quando lançado em 69 ganhou grande repercursão, recebendo o prêmio Estácio de Sá do Museu da Imagem e Som do Rio .

Daí Marcus Pereira reuniu uma equipe de músicos e partiu para o Norte para coletar as produções populares da região. Porém esta música popular nada tem a ver com a música alesada amazonense/Norte, como a MPA por exemplo, que está preocupados em descrições ufanistas das paisagens imoveis e improdutivas (que é uma produção contra a natureza, contra a vida). As músicas e danças do Norte foram coletadas de forma alegre e produtiva, sempre buscando a música como resultado produtivo da comunalidade.

O Projeto de uma música popular foi complementado pelo lançamento do “Música Popular do Centro-Oeste” e “Música Popular do Sul“, tendo cada um dos projetos 4 LPs, totalizando um total de 16 LPs. O resultado foi também copilado nos 2 LPs do “Mapa da Música Popular”. Além dos músicos regionais, cantadores, vaqueiros, lavadeiras, trabalhadores, etc as coleções tiverão regência e produção de nomes importantes de nossa Música Popular como Radamés Gnatalli, Nara Leão, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Theo de Barros, Papete, Paulo Vanzolini, Renato Teixeira, Capiba, Quinteto Violado, Banda de Pifanos de Caruaru, Rogério Duprat, Noel Guarani, Elis Regina, entre outros.

Marcus em seus percursos produtores de potências alegres de comunalidade, conta em seu livro “A história do Jogral”, que ainda pretendia lançar o projeto “ Música Popular da América Latina“, projeto que anteviu a criação de outros como o de Ry Cooder e posteriormente de Win Wenders (Buena Vista Social Club), além dos discos da gravadora  Putalamayo. Porém até onde sabemos o projeto não foi lançado . Os links para baixar agradeço ao blog que hoje infelizmente não existe mais, Poeira e Cantos , que disponibilizou os links. Para baixar o a coleção Música Popular do Brasil é só baixar o TORRENT abaixo e escolher na aba Arquivos (ou files) a pasta da Música Popular do Brasil do Brasil com 16 discos. Os outros podem ser ignorados clicando com o botão direito nas faixas e depois colocando não baixar.

AGORA VOCÊ PODE BAIXAR  O MAGNET LINK/TORRENT DA COLEÇÃO COMPLETA DOS DISCOS MARCUS PEREIRA

Musica Popular do Norte 1 – Compositores e Interpretes do Norte / Waldemar Henrique Musica Popular do Norte 2- Bois do Maranhão / Boi do Amazonas/ Boi do Pará / Danças do Maranhão
Musica Popular do Norte 3- Modinhas e Romance do Pará / Festas Religiosas / Carimbos, Retumbão / Lundu e Chula Marajoara Musica Popular do Norte 4 – Polca,Mazurca e Chotis/ Música dos Índios Kamayurá, Marambiré e Desfeiteira / Tribos e danças do Amazonas / Batuque do Pará Pássaros

Musica Popular do Nordeste 1 –  Compositores e Interpretes Populares

Musica Popular do Nordeste 2- Evocações
179-3-Quinteto Violado - Música Popular do Nordeste 3Musica Popular do Nordeste 3- Bois, Folias de Reis, Côco

Musica Popular do Nordeste 4 – Bambelô/ Emboladas/ Marchas

Musica Popular do Centro-Oeste/Sudeste 1- Compositores Folclóricos Musica Popular do Centro-Oeste/Sudeste 2 – Sambas/ Congadas/ Jongo/ Moçambique / Cantos Religiosos
Musica Popular do Centro-Oeste/Sudeste 3- Folias / Calange / Cirandas / Coreto Musica Popular do Centro-Oeste/Sudeste 4- Modas de Viola / Toadas / Fandangos / Dança de Santa Cruz / Dança de São Gonçalo
Musica Popular do Sul 1- Compositores e interpretes gaúchos

Musica Popular do Sul 2- Milongas/ Música Missioneira / Cantos Religiosos/ Música de Inspiração Indigena

Musica Popular do Sul 3-  Cantos de Trabalho / Folclore de Santa Catarina- Ditos, Pajadas e Declamações

Musica Popular do Sul 4- Fandangos / Chamarrita / Chotes / Danças Gaúchas

CONVERSANDO COM A NOITE

Setembro 28, 2009

Fogueira de Dona Mariana 22 por você.

Não somos críticos de literatura para observar aspectos mortos da linguagem cifrada e constituída em artimanhas estilísticas. O que nos interessa é a vida passando através das linhas e entrelinhas de um conto, um romance, um poema.

É nesse sentido que estaremos publicando a partir daqui uma novela (nouvelle) do jovem manauara Alberto de Alencar chamada Conversando com a noite, que ele compilou em uma brochura e distribuiu no ano de 2007.

Candomblecista em culto e estudo, conhecemos Alberto, conhecido por Júnior, no terreiro de Mãe Valkíria, onde, inclusive, colocamos no bloguinho intempestivo Afinsophia sua saída de santo no Candomblé. Além de candomblecista, ele cultua outras religiões e outras práticas religiosas, faz parte também de uma banda heavy metal, publica com outro parceiro um zine na zona Leste de Manaus e já tem publicada essa novela literária que ora publicamos aqui.

Composta de algumas histórias intercaladas por poemas, contadas em uma espécie de crônica autobiográfica, trabalhadas em sugestões e imagens em névoas que se atualizam como que à procura de uma autenticidade existencial. E é isso que se percebe na escrita de Alberto, que ele busca uma integridade na escritura como um jovem, entre tantas armadilhas existenciais e de estilo, entre loucos e falsos loucos de Manaus, busca uma afirmação autêntica para seus atos, sua trajetória. De qualquer modo, como nas cartas de Rilke, ao menos o exercício literário sirva para fazer uma existência melhor. A dele e a nossa. Se o artista consegue ou não, quem lê o dirá. De início, duas coisas convidam a adentrar nessa Conversa: uma, Alberto consegue escapar aos falsos loucos manoniquins, tanto na arte quanto na existência; outra, ele se distancia do comodismo existencial e da subserviência artística gástrica inútil dos que vão para os simulacros acadêmicos-academicistas.

Hoje, publicamos a imagem da capa, o sumário e o prólogo, e a cada dia publicaremos uma parte da novela.

Conversando com a noite

Sumário

1. Prólogo

2. Orgasmo

3. A Escada

4. O Sorriso

5. Notívago

6. O Conhaque

7. O Anjo Caído

8. Vagido

9. A Kombi

10. A Laje

11. O Inferno

12. A Tesoura

13. Esperma de Tragédia

14. O Amor

15. A Vergonha

16. Soneto de Cauteria

17. A Madona

18. Prelúdio

19. O Reveillon

20. A Casa

21. O Casamento

22. Soneto de Autofagia

23. A Viagem

24. A Traição

25. A Doença

26. Escuridão

27. O Funeral

28. Canto Soturno

29. O Nascimento

Prólogo

Acordei ofegante, atormentado por um pesadelo que corroía minha alma. O agonizante frio rachava minha pele e estalava meus dentes. Minhas mãos, trêmulas. A penumbra das trevas mutava os móveis do quarto e a suave brisa apresentava-se como mau presságio.

Senti sua respiração a meu lado. Coberta por um lençol, em posição fetal, gemia cânticos que meus ouvidos captavam com tesão.

Puxei os panos, então ela cessou os agouros, vagarosamente sentou-se e encostou os lábios em meu rosto. Delicadamente lambeu-me e em seguida introduziu sua quente língua em minha boca, mostrando em um triste e sensual ósculo que não eram lágrimas que desciam de meus cílios.

Pediu-me água, então lhe dei a melhor água que ali havia. Pediu-me um cigarro, então acendi com satisfação um hilton, o melhor segundo havia me dito anteriormente. Pediu-me sangue e perguntei-lhe: Não te satisfez com aquele que agora há pouco levou de meu corpo? Respondeu-me: Quero aquele que sempre me oferece quando deseja minha presença desta forma para ti.

Desci da cama, inebriado pelo toque do demônio, tive dificuldades para sair do quarto. Ao pisar na cozinha, senti o enorme calor e a ferocidade com que a luz dilacerava minha pupila. Voltei à cama trazendo um vinho suave e sua taça, novamente a feminil e tétrica voz cessou seus cânticos de maldição.

Qual o motivo de tua presença? Indaguei-a.

Deu uma forte tragada no cigarro e baforou a nuvem de nicotina em meu rosto. Quero que me conte a história, tua e de tua esposa. Fitei por um instante seus olhos, que de escuros e frios pareciam tornar-se brilhantes e calorentos. Então repliquei: Ninguém melhor do que você para saber dessa história, não acha? Sem mexer os lúridos lábios, sem menção de fala, sua voz chegou a mim. Quero ouvir tuas palavras e guardá-las em minha essência. Acendi outro cigarro, tomei um gole do seu vinho e direcionei-me em seus olhos, penetrando em seu íntimo, ou apenas deixando que fosse levado consigo.

Há duas maneiras do homem

Viver a vida:

I. Viver como se tudo

Fosse um milagre.

II. Viver como se milagres

Não existissem.”

…………………….Noite.

Vencedor

Setembro 28, 2009

Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração — estranho carniceiro!

Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pode domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem…
E não pode domá-lo, enfim, ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!

Augusto dos Anjos

FÁLUS FALA

Setembro 26, 2009

O fuso horário não contou. As regiões geo-políticas não contaram. Foram bilhões de homens no mesmo ato manual-sexual-virtual. Foram homens suados, dilacerados, acovardados, arrojados, heroicizados esgueirados nos banheiros das casas, quartos, salas, cozinhas, quintais, porões, sótãos, bares, boates, becos, ruas, vielas, muros…

Foram homens no paroxismo masturbador mortos, naufragados no oceano viscoso credor de Falos.

Foram pessoas que viram com estranheza, ao visitarem o santo campo, onde os corpos dos homens dilacerados foram sepultados, minúsculas flores faceadas em Falos e Vênus. Hermafroditas.

E nem era primavera!

                     A Lua flutua. No véu do céu.

                     A Lua é tua.   Um réu ao leu.

                    Tu és lunática. Ela é terráquea.

                    Há um abismo. E ela, disse:”É isso que cismo!”

                    “Ilusão Vital”

                     Sem anti-matéria:

                     Nem lua, nem céu.

                     Nem réu, nem leu.

                     Fim do amor!           

                     Quando nasci, minha mãe me disse:”Ama, que serás   amado!”

               Não contei desgraça! Fui pra cima!

               Amei, amei, amei, amei, amei, amei, amei até…

               Hoje estou esgotado. Esgotado de amor.

               Se a miséria esgota, a abundância, também.

               Às vezes não se deve ouvir a mãe.

               Mãe não erra!

               Ele era o fiel da balança.

Um dia roubaram a balança, e ele ficou só. Solidão.

Só, não suportou viver sem os pratos e os pesos da balança.

Nunca mais foi fiel.

QUE SOM É ESTE MEU

Setembro 25, 2009

                  Meu som seria esquizo se não fosse paranóico.

Bem que tento fazer disjunções, rachaduras, vazamentos, rasuras, dobras, coisas esquizas assim. Mas quando vou ouvir, só ouço o Mesmo. Recognição do som posto.  Formas-sonoras. Identidade-sonora. Semelhança-sonora. Analogia-sonora. Todos meus sons encontram-se à venda nas boas casas music do ramo. Mas não quero ser do ramo. O ramo santifica. Não quero o sagrado, quero o profano. Quero, Artaud!

Minha guitarra não desafina e nem tange em falsete, como a de Hendrix. A batera é um só pum,pum,pum, nada de prum, prum prum, prum purumpumpum, punts. Meu piano é pianíssimo. Nada de fuga, de volteio, ou debussyzada. Muita harmonia para meus ouvidos domesticados nas lojas dos presentes amenos.

Stravinsky! Pássaro de Fogo! Uma melodia genital. Um som sideral, muito além da imaginação. No fundo-sem-fundo. Onde já não há mais mundo. Disforme esquizo. Era o que queria como som meu. Es-qui-zo-som!

Paranóico, sou sucesso pulsado nas vozes bem moralizadas. Sou Paralamas do Sucesso. Um Kid  Abelha, nada selvagem, nem bárbaro, nem nômade, só Titãs, sem fúrias. Não passo do último romântico, para poder deixar de ser romântico. Condenação paranóica. Paranóico Som Meu. 

Festival Rio 2009 de cinema… O melhor daí por aqui

Setembro 25, 2009


Começou ontem (24)  e vai até dia 08 de outubro um dos maiores festivais de cinema do Brasil a 11a edição do Festival do Rio 2009, que antecede também a de praxe Mostra de São Paulo. O festival está nos calendários de cinema de todo o mundo e sempre recebe diversos dos cineastas participantes.  Na programação do festival destacamos existem diversars mostras interessantes, e dentro de algumas delas o esquizofia destaca algumas coisas porretas.

MOSTRA DOX

“O cerco neoliberal” de Richard Brouillette  que trata da pressão existencial do neoliberalismo

MOSTRA Expectativa 2009

“O homem que comeu as cerejas” de Payman Haghani
“Eu matei a minha mãe” de Xavier Dolan
“Só quero caminhar” de Augustín Díaz Yanes
“Jalainur” do chinês Zhao Ye

MOSTRA Homenagem a ARTE

“Claude Lévi-Strauss por ele mesmo” de Pierre-André Boutang, Annie Chevallay
“O Mundo segundo a Monsanto” documentário sobre esta corporação assassina de Marie Monique Robinf
O belissimo “As Luzes de um Verão” do vietnamita Tran Anh Hùng
“Elogio ao amor” de Jean-Luc Godard
“A criança” de Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

MOSTRA Jeanne Moreau – A grande dama do cinema

“O Tempo Que Resta”  de François Ozon
“Mais tarde, você vai entender…” de Amos Gitaï

MOSTRA Mundo Gay

“Morrer como um homem” de João Pedro Rodrigues
O Doc. “Os Tempos de Harvey Milk” de Rob Epstein

MOSTRA Panorama do Cinema Mundial

“Coco Chanel & Igor Stravinsky” de Jan Kounen
“As praias de Agnes” da cineasta de 700 bilhões anos Agnès Varda
“Maradona” doc de Emir Kusturica
O ousado “Erótica Aventura”de  Jean-Claude Brisseau
O suéco “Corações em Conflito” de Lukas Moodysson
“Doce perfume” de Andrzej Wajda
“Singularidades de uma rapariga loura” de Manoel de Oliveira
“Barba Azul” de Catherine Breillat
“Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans” de Werner Herzog
“Abraços partidos” de Pedro Almodóvar

MOSTRA PREMIERE LATINA

“Chuva” de Paula Hérnandez
“A próxima estação” Fernando E. Solanas
“O segredo dos seus olhos” de Juan José Campanella
“O menino peixe”, filme muito aguardado de Lucía Puenzo

MOSTRA Retro Isabelle Huppert

“A comédia do poder” de Claude Chabrol
“A Lei de quem tem poder” de  Bertrand Tavernier
“8 Mulheres” de François Ozon

Dos filmes em competição destaque para:

“Tamboro” de Sergio Bernardes
“Os Inquilinos (Os incomodados que se mudem)” de Sérgio Bianchi
“Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz
“À Margem do Lixo” de Evaldo Mocarzel
“Alô Alô Terezinha” de Nelson Hoineff