QUE SOM É ESTE MEU

                  Meu som seria esquizo se não fosse paranóico.

Bem que tento fazer disjunções, rachaduras, vazamentos, rasuras, dobras, coisas esquizas assim. Mas quando vou ouvir, só ouço o Mesmo. Recognição do som posto.  Formas-sonoras. Identidade-sonora. Semelhança-sonora. Analogia-sonora. Todos meus sons encontram-se à venda nas boas casas music do ramo. Mas não quero ser do ramo. O ramo santifica. Não quero o sagrado, quero o profano. Quero, Artaud!

Minha guitarra não desafina e nem tange em falsete, como a de Hendrix. A batera é um só pum,pum,pum, nada de prum, prum prum, prum purumpumpum, punts. Meu piano é pianíssimo. Nada de fuga, de volteio, ou debussyzada. Muita harmonia para meus ouvidos domesticados nas lojas dos presentes amenos.

Stravinsky! Pássaro de Fogo! Uma melodia genital. Um som sideral, muito além da imaginação. No fundo-sem-fundo. Onde já não há mais mundo. Disforme esquizo. Era o que queria como som meu. Es-qui-zo-som!

Paranóico, sou sucesso pulsado nas vozes bem moralizadas. Sou Paralamas do Sucesso. Um Kid  Abelha, nada selvagem, nem bárbaro, nem nômade, só Titãs, sem fúrias. Não passo do último romântico, para poder deixar de ser romântico. Condenação paranóica. Paranóico Som Meu. 

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