Archive for Novembro, 2009

Receita Caseira: Vatapá da Socorro

Novembro 30, 2009

Valquiria – Socorro… Socorro… Help… Help…

Socorro – Mas mulher… Tu gritando assim no meio da rua vão pensar que tu tá passando mal.

Valquíria – Mas Socorrinha, é que amanhã vai ter uma festança lá no sítio e eu queria aprender a fazer aquele teu vatapá pro almoço.

Socorro – E tu não vai nem me convidar?

Valquiíria – É que é lá do trabalho, sabe? Não pode levar convidado. Mas se sobrar um pouquinho eu te trago.

Socorro – Eu tava brincando, a gente não precisa destas relações mesquinhas, pois elas não constroem nada. Então tu quer aprender a fazer o meu vatapá? Não é muito difícil não, só tem que ter paciência.

Valquíria – Por que paciência, Socorrinha?

Socorro – Porque você tem que usar o pão adormecido e ainda deixar alguns ingredientes de molho antes do preparo.

Valquíria – Mas isto não tem problema, me explica como é que faz. Mas antes queria saber: dá pra quantas pessoas?

Socorro – Esta minha receita dá pra 6 a 7 pessoas comerem bem com outras misturas, mas tu pode dobrar. Então vai anotando os ingredientes: 150 g de camarão seco pequeno, 4 pães franceses dormidos, 1 maço de cheiro verde, 1 + ½ (um e meio) tomate, 1 pimentão, 1 cebola média, 2 pimentas de cheiro, 1 garrafa de dendê pequeno 100 ml, 1 garrafa de leite de coco, 1 pimenta ardosa a gosto (pode ser murupi, malagueta, etc).

Valquíria – Tudo isso? Deve ser muito difícil, Socorrita.

Socorro – Que nada! É fácil, tu só tem que se organizar. Presta Atenção. Tu tens que deixar o pão de um dia pro outro. Antes de preparar, tu coloca os pães de molho em 2 copos de água (no máximo) 3 ou 4 horas antes de preparar, pro pão ir dissolvendo. Por isso que não dá pra aprontar na mesma hora. O camarão tem que ser descascado e tem que ficar de molho pelo mesmo tempo do pão, pra sair toxinas e a salmoura.

Valquíria – Qualquer camarão?

Socorro – Não vai mudar muito o tamanho ou tipo, e se tu quiser pode por até mais pra dar um gostinho. Só vai mudar o teu bolso. Daí quando o camarão já tiver descansado este tempo todo, tu vai pegar uma panela grande e colocar junto com as verduras bem picadas o camarão e o dendê, levando ao fogo para refogar. Enquanto isso, tu vai amassando o pão com a mão para deixar a massa sem pedaços, mais homogênea. Quando estiver bom, adiciona na vasilha do pão o leite de coco e a pimenta bem macerada, deixando descansar.

Valquíria – O bom é que enquanto eles descansam, eu também tiro um cochilo.

Socorro – Só não vai dormir com ele no fogo. O camarão com o dendê e as verduras vão ficar no fogo por 15 minutos até o camarão dourar, e você só mexe de vez em quando para não secar. Quando você ver que já tá bom, coloca a mistura do pão e mexe lentamente em fogo baixo para engrossar. Quando começar a ressecar, adicione água e vai mexendo entre 10 a 15 minutos, até conseguir a consistência desejada. Aí só é completar com o sal, e, como nós somos do Norte, fazer um arroz pra comer junto, e até uma saladinha vai bem.

Valquíria – Mas não é que não dá trabalho? Agora eu vou preparar sempre teu vatapá e aproveitar pra mostrar a todos nossa culinária amazonense. Eu sei que o vatapá vem das práticas dos povos negros, principalmente na Bahia. Mas o vatapá amazonense da Socorrinho, só daqui mesmo.

Kinemasófico: Artista da fome e Vizinhos Vigilantes

Novembro 30, 2009

Diretor:Tom Gibbons

Duração:16 minutos

Ano: 2002

Nome Original: The Hunger Artist (baseado na Obra de Franz Kafka)

Sinopse (resumo da história do filme):

O artista, criador de novas idéias e formas, vai contra todas as vantagens e melhores julgamentos, recusando a proposta de abandonar sua habilidade artesanal e deixar o mundo com a mesma forma sempre.

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Diretor:Buster Keaton

Duração:18 minutos

Ano: 1920

Nome Original: Neighbors

Sinopse (resumo da história do filme):

Dois vizinhos de uma vila se apaixonam, mas as famílias dos apaixonados não parecem se dar muito bem o que faz todos passarem por grandes confusões e marmotagens dignas da comédia de Keaton.

O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de leitura seguida de um cinema. Mais informações, clique aqui.

Ó deusa…

Novembro 28, 2009

Ó deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes:

Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem d’amor os sôfregos instantes:

Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto,
Que nunca de teus braços se retire!

Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas ânsias, no inefável gosto.

Bocage – Invocação à noite

É na escuridão gélida do Circulo Polar que surge meio a noite o sol


VIVA O VINIL

Novembro 27, 2009

Hoje, dia 27, o ‘petroleogênico” que esse Esquizofia traz, é o famoso independente emcima do prato e embaixo da agulha,“Vira Lata”, LP de Antônio Adolfo, gravado por Toninho Barbosa no Studio da SONOVISO no Rio de Janeiro em fevereiro de 1979, com a participação do conjunto Viva Voz, composto por Lu, Belva, Soraya, Bia, Ary e João Carlos contratados da gravadora Continental.

E para apresentar esse pretinho que satisfaz O Bloguinho Esquizofia entrevistou em 1979, o próprio Antônio Adolfo, para falar sobre o trabalho, e por que é  considerado por alguns lplólogos, o iniciador da gravação independente. Só considerado, porque muito antes dele alguns cantores gravaram independente do capital empresarial. Uma pequena olhada no Norte e Nordeste, se tem essa constatação. De qualquer sorte, as falas de Antônio Adolfo, são bem reveladoras sobre as condições para gravar um LP nos bons e velhos tempos da inspiração musical brasileira.

 

ENTREVISTA *

ESQUIZOFIA(Batucando) – Como tu entendes o momento da gravação do Feito Em Casa, para este Vira Lata?

ANTÔNIO ADOLFO(Imitando notas ao piano) – O fato de ter conseguido lançar o LP. Feito Em Casa deu-me uma satisfação e alegria muito grandes. Além disso fez nascer um Antônio Adolfo que estava afastado há bastante tempo.

E – Que Antônio Adolfo?

AA – Um Antônio Adolfo que profissionalmente andava somente a dar aulas particulares de piano, e a ajudar na fabricação de produtos (discos), das grandes gravadoras multinacionais.

E – E como ocorreu o processo de divulgação?

AA(Muito contente) – Percorri quase todo Brasil divulgando meu trabalho. Conheci muita gente que me deu força: lojistas, disk-jóqueis, programadores, jornalistas, artistas etc… Foi também como se tivesse conseguido abrir as compostas de uma cachoeira fechada há muito tempo. E o artista precisa ter incentivo para que esteja sempre criando. Nada melhor de que um disco, e eu sei o quanto… O resultado disso foi maior segurança em mim mesmo, músicas, idéias, e obviamente mais discos na praça.

E(Batendo palmas) – Como surgiu a idéia do novo disco?

AA(Pensativo) – No início de 78, quando voltei ao Studio da SONOVISO para gravar o 2° disco, havia pensado em gravar um álbum duplo, mas considerei impossível principalmente devido ao custo que para mim seria enorme, e ao poder aquisitivo das pessoas em geral. Acabou que o “Encontro Musical” foi naturalmente se definindo num estilo tranqüilo com músicas que havia feito durante esse período de afastamento, além de algumas composições recentes, mas sempre predominando temas lentos, e isso não foi coisa pré-estabelecida e sim uma decorrência natural do momento, coisas que eu mesmo não sei explicar. Talvez um 2° movimento de alguma criação musical.

E – Passado esse expressivo momento, vem agora…

AA(Cortando, sorrindo) – E agora, passado o Adágio, vem um Allegro, como dizem as partituras, numa necessidade de colocar pra fora esse outro lado de minha expressão, com reflexos de toda minha formação musical que inclui desde marchinhas de carnaval, frevos, toadas, música erudita, baião, jazz, etc., até melodias e harmonias que não sei de onde vêm, e outras que as vezes ficam guardadas no sub-consciente e que de repente a gente descobre que se assemelham a melodias que a gente curtiu na infância, fazendo da gente um mestiço de formação musical.

E(Tomando um gole de cerveja regional) – E tem alguma musica preferida? Pergunta de otário.

AA(Gargalhando) – Gosto de todas as músicas do disco como se fossem várias filhas minhas sem predileções para com uma ou outra. Cada qual com suas características, cada qual com sua história, seu momento, sua eternidade etc… Aliás, curto não só as músicas do LP. Vira Lata, mas também as do “Encontro Musical” e as do “Feito Em Casa”. Tenho certe que os músicos que participaram do disco, Téo, Agenor, Bidinho, Zé Carlos, Serginho, Jamil, e Helinho, assim como o pessoal do Viva Voz e o Toninho Barbosa, também curtiram bastante gravar este LP., principalmente pelo astral que pintou durante as gravações e pela vibração e participação de todos.

E(Gargalhando com o terceiro copo com cerveja) – Se essa entrevista foi o maior astral, imagina a gravação de uma disco teu. Valeu, AA, foi por isso que não te oferecemos a cerveja.

* Com exceção as perguntas que são fictícias, as respostas de Antônio Adolfo, são todas reais e verdadeiras, pois foram extraídas do encarte do vinil, Vira Lata, por isso, VIVA O VINIL! 

A evolução do banheiro

Novembro 26, 2009

Imagine você vai ao banheiro e não tem nada o que ler. Você tem este costume doido na hora de arriar… Até que você percebe que na estante do banheiro tem um livro antigo que você ainda não reparara. Ao você puxar você lê o título:”Sobre a Origem das Espécies”; folheando mais você lê Londres, 1a edição. E não é que é velho mesmo…
Esta história por mais estranha que seja aconteceu mesmo em Londres. A família só deu conta da “raridade”  do livro após ver em uma exposição outro exemplar da mesma edição. Agora o objeto foi a leilão pelos amantes do vil metal: Christie’s e o preço chegou em 171 mil reais. Ou seja o livro ainda existe só vai mudar de dono.

Manuscrito de Darwin... Quem é que tá botando dinamite... Clique pra ampliar


Nesta análise podemos fazer duas constatações: A primeira e mais óbvia é que ninguém está ligando para o conteúdo e o trabalho de Darwin, se fosse uma edição de 1967 ninguém faria este auê. Se realmente estivesse preocupados com o evolucionismo darwiniano eles peitariam Obama para incluir também a teoria evolucionista na educação americana. Imagine se fosse a primeira edição de um livro de Michael Jackson com 500 impressões… Iam dar um valor maior.

Segundo que esta evolução dos primatas… orangotangos, gorilas, etc… para o homem mostra que há uma desvirtuação da finalidade de um livro, ou seja, alguns não sabe pra que é um livro…. Que é para ler, chorar em cima, riscar ou até botar fogo em um momento de raiva. Um livro não é para completar uma estante cheia de raridades. Daqui a pouco acham os manuscritos de Homero… E aí quero ver alguem leiloar um pedaço de história arqueológica mundial.

Versão brasileira, Herbert Richers

Novembro 24, 2009

O corpo pode já até foi, sabado se foi, mas a memória daquelas vozes nos inícios dos filmes dublados continuam. Herbert, que apesar do nome meio estrangeirado, era paulista de Araraquara, e  foi grande amigo do mega-empresário  Walt Disney, quem numa das conversas lhe mostrou o sistema de dublagem que já era muito utilizado pelas industria Disney para chegar em outras terras. A partir de então decidiu fundar sua empresa de dublagem, para dar a versão em português dos filmes em outras linguas. Foram milhares de dublagens para filmes, programas, séries e outras doidices que rolaram por aqui, grande parte sem grande importância. Além do trabalho com a dublagem Herbert Richers foi produtor de dezenas de filmes, entre eles “Assalto ao trem pagador”, “Os três cangaceiros” (com Adoniran Barbosa), “É de Chuá”, “Vidas Secas” e “Fome de Amor” de Nelson Pereira dos Santos, “Meu pé de laranja lima”, “Como ganhar na loteria sem perder na esportiva”, etc.

Apesar de ter feito um grande feito para o cinema brasileiro, Herbert em suas produções dublantes talvez deixou aos brasileiros um gosto especial pelo cinema dublado o que fez o nosso tupiniquim ouvir vozes Frankensteins que não encaixavam com o corpo, e quem sabe impossibilitar a audição de outras linguas. Talvez no início do cinema no Brasil era mais fácil dublar que legendar. Mas o fato é que de certa forma ainda hoje os brasileiros preferem (a grande maioria adulta tem preguiça) de alguns confrontos.

Cultura Livre, Internet Livre

Novembro 23, 2009

Não há nada mais relevante para a conquista da cidadania, nos dias de hoje, do que o livre acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação. No mundo todo se discute a regulamentação do espaço cibernético e este é um ponto que não podemos ser omissos, sob o risco de penalizarmos as gerações futuras, submetendo-as ao poder incessante das grandes corporações. Algumas das iniciativas mais interessantes nesse departamento unem sociedade e governo federal, como o Fórum da Cultura Digital Brasileira.

Um dos aspectos mais relevantes de uma política cultural é o desenvolvimento de mecanismos de interlocução, diálogo e participação da sociedade. A compreensão da complexidade dos desafios contemporâneos é algo cada vez mais difícil ao cidadão comum, encarcerado nos sistemas de mediação e educação, distantes de suas necessidades de formação como cidadão livre e ativo.

Considero todos os esforços empreendidos pelo MinC nesse sentido vencedores. O próprio Fórum de TVs Públicas, mesmo depois do rolo compressor global, que assumiu a TV Brasil e rasgou todo o processo, ainda é uma referência de construção coletiva de agenda pública e, em minha modesta opinião, deve ser mantido e reforçado. O de Cultura Digital já demonstra os avanços desse aprendizado.

Precisamos seguir em frente, aprender a desenvolver diálogos entre posições antagônicas e complementares, pois somente assim poderemos superar os ranços e aproximar as virtudes das inúmeras vertentes de pensamento e interesses em jogo nessa arena, que é a cultura digital. Só assim o interesse público vigorará.

Não podemos construir um projeto de Estado apenas com os iguais. Precisamos aprender a negociar, a compreender os outros lados da questão. Este modelo de interlocução e construção coletiva pode e deve ser ampliado, sobretudo para as discussões sobre financiamento à cultura e direitos autorais, concentradas em gabinete.

Por: Leonardo Brant

UMA ONTOLOGIA DA NEGRITUDE

Novembro 20, 2009

PREÇO DO CAMARÃO IMPEDE DE ROLAR AQUELE “CAMARÃO COM CHUCHU”*

Novembro 19, 2009

(Sentados à beira da mesa do bar, entre umas talagadas e umas batidas no pandeiro e outros versos, em um partido, no balanço da intempestividade)

Niltinho (sentado em frente à mesa, se abanando com um surrado chapéu. O pandeiro ao lado) — Diz aí! O que rolou de mata-broca na casa da Jovelina no domingo? Além do samba, é claro?

Dôra (do outro lado da mesa erguendo o copo) — Ih! O negócio ameaçou não ficar bom. Chegamos e perguntamos o que tinha pra comer e ela já foi contando.

Diana (em pé com uma cerveja na mão, interrompendo Dôra) — Espera aí, Niltinho! Bate firme neste pandeiro que ela não contou coisa nenhuma, eu tava lá e ouvi, ela cantou assim:

Saco cheio de todo domingo
comer carne assada e macarrão
resolvi fazer um ensopado
de chuchu com camarão”

Niltinho (continuando no batuque) — E saiu?

Diana (passando a bola e sentando a cerveja na mesa, carinhosamente) — Continua, Dôra.

peguei bolsa forrei a carteira
e me mandei pra praia de marianbú
mas fiquei na intenção
camarão tá caro pra chuchu”

Niltinho (desplumando o ritmo para outras variações) — E não é que a coisa tá feia mesmo. Ruim vai ser pro seu Valdir.

Dôra e Diana (brindando) — Ih! E não é que ela continuou a cantar bem na cara do infeliz (toma cada uma um gole, e começam a cantar juntas):

seu encreca ficou no desejo
de comer badejo com pirão
com pimenta com coentro
no molho do camarão
a maré hoje não tá pra peixe
nem pra sardinha e nem pra baíacú
quanto mais pra camarão
camarão tá caro pra chuchu”

Niltinho (preocupado com o desfecho da história-canção) — E o que teve então?

Diana e Dôra (cantando):

o dinheiro que tinha no bolso
para fazer almoço meu irmão
só deu mesmo para aquilo de sempre
mais a cana e o limão
fui pra casa de barriga cheia
suei com a garrafa velha da Pitú
onde eu era o camarão
camarão tá caro pra chuchu”

Niltinho (dando o breque) — Rapaz, e como eu queria aprender a receita de um molho com camarão com chuchu.

Dôra (alegremente) — deixa de lezeira que a receita ela canta pra ti, o negócio é comprar os camarão, porque…

Os três cantando:

Camarão ta caro pra chuchu”

*Música composta por Nei Lopes e cantada por Jovelina Pérola Negra.

Somos todos piratas?

Novembro 18, 2009

Cultura E Mercado

A discussão sobre propriedade intelectual é das mais importantes para a definição dos rumos da sociedade contemporânea. Estão em jogo o acesso universal ao conhecimento e o direito do autor viver de sua obra, consagrados pela modernidade. Configurado de maneira a atender aos interesses dos grandes conglomerados empresariais o aparato legal vigente é anacrônico e impede a construção de uma sociedade baseada na livre expressão e circulação de conteúdos. As novas tecnologias da informação implodem esse sistema.

Há muito por trás das disputas internacionais a respeito da propriedade intelectual. A pauta da Diversidade Cultural, impulsionada por movimentos organizados no mundo todo, em busca de integridade cultural e artística de produtores independentes, une-se às agendas governamentais com contraposição ao poder unificador e universalista (imperialista?) da monocultura norte-americana, que ampara e sustenta um oligopólio de conglomerados de mídia e entretenimento, as chamadas majors. Não por acaso, as maiores interessadas em criminalizar a dita “pirataria”.

Até mesmo a legitimidade de organismos como a OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual), criada para atender interesses privados de detentores de direitos autorais, está em jogo. A partir de do surgimento de inúmeros movimentos, e até partidos políticos, em países como a Suécia, por exemplo, impulsionam a luta por democracia, acesso e liberdade de expressão e circulação na rede.

Na contramão disso tudo temos a lei recentemente aprovada na França, que criminaliza o download, e seus pares, nos diversos cantos do mundo, como a Lei Azeredo do Brasil, que insistem em analisar e regular a web com a lógica linear de controle da demanda, típico das majors em suas práticas comerciais.

A questão é complexa, controversa, de difícil resolução. O mercado fonográfico foi nocauteado pelo download e precisa ser reinventado. Em breve o audiovisual estará na mesma situação, o que exigirá uma resposta mais rápida por parte de produtores e da indústria como um todo, além do desenvolvimento de um marco legal que lide de maneira mais adequada com a situação.

Tema sensível para os artistas, sobretudo os que sobrevivem de direitos autorais, como compositores e autores de obras licenciáveis. O Creative Commons oferece a possibilidade de simplificar este uso, permitindo a circulação de  obras contemporâneas. Ao mesmo tempo, diminui a cada dia a possibilidade de gerar recursos por meio de licenciamentos.

Novos mercado irão surgir, obrigando editoras, produtoras e artistas a buscar remuneração por suas obras. Enquanto isso, o MinC resolve colocar a questão em debate, novamente sem o diálogo necessário com a sociedade. Por isso, é importante a informação e o debate acerca do direito autoral, pois o tema vai ocupar lugar privilegiado nas arenas mais importantes no mundo e no Brasil.

Por: Leonardo Brant