AMORES TRANSBORDADOS

Uma lua, um bar, uma rua.
Uma esquina, um olhar, uma mina.
Um flerte, um sorriso, um falsete.
Uma canção, um balanço, uma paixão.

Um amor, uma fala, um horror.
Um momento, um corte, um lamento.
Uma bebida, um soluço, uma partida.
Desilusão, desespero, ingratidão.
Ocaso, gargalhadas, fim de caso.
Passe bem! Se puder.

______ Vai embora! ela gritou.

…………… “Mulher a gente encontra em toda parte!” rebateu ele, saindo.

…………“Mas não se encontra a mulher que a gente tem no coração.” ela respondeu, fechando a porta.

______ — “É noite, eu rondo a cidade a ti procurar sem ti encontrar.”

…………….Ele viajou, otária! respondeu o amigo dele jogando bilhar.

______ Ele, se defendendo, disse:

…………— “Mas se fui pecador condeno a lua que abandonou a rua, e fugiu com o luar. Pois ela, adivinhando o meu desejo, provocou-me aquele beijo que assim me fez pecar.”

E ela, convicta, se impôs:

…………Mas o filho é teu, não da lua.

______ “Se meu passado foi lama, hoje quem me difama viveu na lama também” desabafou ele para o amigo.

…………Ao que o amigo concebeu:

…………Bem que eu sabia que vocês eram porcos.

______ Ele, cheio de rancor, disse:

…………“Não adianta nem tentar me esquecer. Durante muito tempo em sua vida eu vou viver.”

…………Ao que ela filosofou:

………… Nada disso! Eu não vou alimentar um parasita!

______ No bar rolava um som, e ela conversando com a amiga, ao ouvir a canção que tocava, disse:

…………“Balada triste que me faz lembrar de alguém. Alguém que existe e que outrora foi meu bem.”

…………A amiga, dando uma talagada, comentou:

…………Porra, isso não era um amor! Era uma depressão.

______ Ele, desesperado diante da distância da mulher, desabafou:

………… “Não espere eu ir embora pra perceber que você me adora, que me acha foda!”

…………Ela, gargalhando, foi se afastando, dizendo:

………… É verdade, brother! Você é foda. E eu não quero uma foda feita, eu quero fazê-la, sacou, seu foda?

______ O cantor no palco se esmerava para dar a emoção em cada melodia que cantava. Foi então que, quase chorando, mandou um Aragão:

…………“Foi nessa que o barraco desabou, foi nessa que o barco se perdeu, nela tava escrito ‘só você e eu’.”

…………Foi então que no escurinho do canto do salão, o cara apertou a mina, e, sem que ela notasse, tirou de sua bolsa a aliança que há pouco havia lhe dado, onde estava escrito “só você e eu”.

…………Com a aliança guardada no bolso, imaginou: “Sem essa, meu. Depois a gente se separa, e lá vai eu ser soterrado com o barraco e afogado no barco.”

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