TODOS OS CRIMES AO VERSO

poética da crueldade

furar um olho, dois belos olhos
do poeta na escuridão
na sombra
olhar de louco
incindindo sobre o teu

espocar um ouvido, dois ouvidos
do poeta deixar passar
o silêncio de Godard
sussurro cósmico
no ouvido de Bethoveen
barulho desesperador de gota
sempre caindo

extrair o olfato
de fragrâncias simbolistas
forçá-lo a sentir
uma rima na latrina
merda de criança
o pituí dos negros
peçonha animal

desapurar o apurado
paladar
da culinaire française
fazê-lo vomitar a metáfora civilizatória
e ingerir seu único remédio
uma dose de veneno
para limpar seu intestino

decepar a mão recipiente
de insígnias gloriosas
Academia, Escola, Sede do Governo
chicote, ácidos, facão
a descascar do lombo do poeta
a verve comandante

extirpar o sexo-
sexualidade do poeta
para não fecundar a virgem noiva
trezentas vezes
de gozos simulados
bronha objetal
do amor burguês

arrancar a língua
do poeta
retornar à comunicação
dos namorados
dos bichos
dos loucos
dos assassinos

assassinar o poetassassino
impedi-lo de assinar
sua morta
sina

Esquizo Poiethai

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