Gritos de Crentes

Marcos Ney

Trema! Disse para o papel. Palavras repetidas dobram a beira do beiço. Dizeres ácidos de letras ferinas. Tristeza. Dor. Raiva. Melancolia. Amargo. Podre. Estria. Abandono. Miséria. Dinheiro. Erro. Ausência. Ardor. Agonia. Fome. Sequela. Estratificação. Discórdia. Desprezo. Suicídio. Anomalia. Palavras ditas arrancando a pele. A dormência sente a dormência. Vocês querem de preferência o anestésico. Seus corpos caem com seus copos. Como a fome. Estupro os macarrões vencidos. Mastigo a língua. O coração se bate de medo. Não te entorta colher! Teu espelho alumínico não reflete pesadelos. Meus negócios são os vícios. Caixão pra cada letra concreta. A palavra certo nasce do erro. A doença vem dos teus olhos. Imbecil é falar de si mesmo. Onde está o papel tremido que se jogou na escuridão das linhas? Letra morta. Poeta tetraplégico bebendo o pus que se escorre dos furos. Escravos das palavras de seus senhores! O sol se apagou ao redor do mundo imundo. Passo as pontas dos dedos nas feridas da língua. Mijo nas paredes perfeitas do esgoto. A caveira cintilante está tatuada na osteoporose do meu osso.


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