UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Haia, 07 de janeiro de 1882

Ferragus se apoiando na sua bengala (20/11/1846- Le Chirivari) , DAUMIER

Ferragus se apoiando na sua bengala- Para Balzac

Neste trecho Van Gogh comenta sobre a relação  que ele como artista possui com a natureza:

(…) Eu me lembro de ter vivido uma época em que a sensibilidade para a paisagem me obecava fortemente, e que eu ficava mais imprenssionado com um quadro ou um desenho nos quais um efeito de luz ou uma atmosfera estivessem bem expressos do que com uma figura.

Em geral, os pintores de figuras inspiravam-me um frio respeito, mais que uma calorosa simpatia.

Lembro-me ainda de ter ficado particularmente impressionado neste época por um desenho de Daumier, um velho sob as castanheiras dos Champs-Elysées (uma ilustração para Balzac), embora este desenho não fosse tão importante; mas sei muito bem que ele me impressionou particularmente pela concepção forte e viril de Daumier. E disse a mim mesmo: deve ser bom sentir e pensar desta maneira, e passar por cima de uma porção de coisas para concentrar-se no que dá o que pensar, e no que diz respeito de uma maneira mais pessoal ao homem enquanto homem, mais do que às pradarias e as nuvens.”

Honoré-Victorien Daumier foi um gravurista, caricaturista, chargista, pintor, escultor e ilustrador francês cujo trabalho oferece ricos comentários sobre a vida social e política da França no século XIX.  Um artista com grande talento em diferentes áreas, ficou bastante famoso como caricaturista de figuras políticas e de pessoas do campo, sendo considerado o “Michelangelo da Caricatura. Outra área de grande destaque é a das litogravuras cujo mais de 4000 foram produzidas em sua vida e sendo considerado o pioneiro do naturalismo.

Nascido em 26 de Fevereiro de 1808 em Marselha, filho de Jean-Baptiste Louis Daumie, um vidraceiro e Cécile Catherine Philippe  . Devido as aspirações literárias do pai, sua família se mudou para Paris tentando a publicação de um livro de poesia. Desde sua juventude Daumier já se interessava pelas artes, indo com certa freqüência ao Museu do Louvre e estudando profundamente as obras de Rubens e Ticiano. Mas a pedido de seu pai trabalhou primeiramente como porteiro, e depois como livreiro. Posteriormente em 1822, virou pupilo de Alexandre Lenoir, um arquelogista e artista, entrando no ano segunte para a Académie Suisse.  Suas primeiras obras  profissionais foram litografias feitas no trabalho com um publicitário chamado Belliard, depois trabalhando com publicitários músicais e ilustrando propagandas. Anos depois durante  o governo de Louis Philippe ele se juntou com outros artistas no jornal cômico, La Caricature, que satirizava a corrupção da realeza e a inutilidade da burguesia. Sua caricatura Gargântua, que ridicularizava o rei Luís Filipe, custou-lhe seis meses de prisão em 1832. Privado da liberdade, o ilustrador matava o tempo retratando os presos. Quando foi solto Daumier fundou o célebre Le Charivari, que produziu caricaturas sociais sobre a sociedade e os artistas burgueses. Com uma linha, Daumier podia redefinir um conceito psicológico, como no Ratapoil (1850).

Os trabalhos de Daumier com esculturas também é bastante louvável, principalmente as de barro não-assado e bronze. Na pintura percebe-se a busca da veracidade de sua visão e o poderoso direcionamento de suas pinceladas. A paleta de cores se simplifica nos tons ocre e terra. Os temas são artistas em desgraça e crianças na miséria, algo que o mobilizava de maneira singular. No entanto, seus quadros não visam à emoção gratuita; seus personagens conservam o tempo todo a dignidade humana.

O poeta Baudelaire escreveu sobre Daumier: “Um dos homens mais importantes, eu não diria somente da caricatura, mas também da arte moderna.”

Fotografia de Daumier por Félix Nadar

_________________________________________________________________________________

Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: