UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Nova Amsterdam, 28 de Outubro de 1883


O pátio da prisão em Newgate, DORÉ

O pátio da prisão em Newgate, Vincent Van Gogh Museum, Amsterdam

Ainda na carta em que Van Gogh escreve acerca da paciência para Theo, observamos a reflexão sobre os acontecimentos na passagem do tempo-espaço. Van Gogh suscinta que a paciência é uma qualidade que digna apenas de alguns, a paciência se encontra na ordem do acontecimento dos ‘bons encontros’, como diria espinozeando Deleuze. Um bom encontro se dá com coisas e com obras, sair da arte por meio da arte. Um encontro dignifica, mas para para tanto é necessário estar a espreita, ter paciência…

“Há uma frase de Gustave Doré que eu sempre achei muito bonita: Eu tenho a paciência de um boi. Vejo nesta frase ao mesmo tempo algo bom, uma certa honestidade decidida; enfim, esta frase contém muitas coisas: é uma verdadeira frase de artista. Quando pensamos em pessoas cujo espírito concebe coisas desse gênero, parece-me que raciocínio como aqueles que se ouvem demais entre os negociantes de quadros sobre ‘o dom dos artistas’ são um horrível grasnido de corvo. Eu tenho paciência, como é calmo, como é digno; talvez não o disséssemos se justamente não houvesse todo este grasnido de corvos.”

Paul Gustave Louis Christophe Doré foi um exímio ilustrador (além de pintor, caricaturista e gravurista) se destaca desde de muito jovem, quando realiza suas primeiras gravuras de “Os Trabalhos de Hércules”.

Gustave  Doré nasceu na cidade de Estrasburgo a 6 de janeiro de 1832. A inclinação artística é voltada para a representação do imaginário literário rica em detalhes e em tons cinzentos. Inicia bastante jovem sua carreira e, aos quinze anos já colabora com suas caricaturas em diversos jornais franceses.

A partir do ano de 1854 passa a ilustrar com frequência escritos literários, é neste ano que seus trablahos adornam as obras de Rabelais, segue-se A Divina Comédia, Dom Quixote de La Mancha, a Bíblia, os contos de Perrault entre outros. Doré trabalhou nas ilustrações de mais de 200 livros, mas paralelamente se dedicou à pintura e a escultura, mas não obteve tanto reconhecimento quanto seus desenhos.

Em 1869, Douglas Jerrold sugeriu que eles trabalhassem juntos em um retrato da cidade de Londres, e o resultado foi o livro de ilustrações Londres: uma peregrinação, livro que rendeu um grande sucesso gerando fama e novas oportunidades.

Gustave Doré morreu em em Paris, a 23 de janeiro de 1883, deixando por finalizar muitos trabalhos.

Ilustração do Dom Quixote original

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

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