UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Antuérpia, 26 de novembro de 1885

O concerto de família (1638), JORDAENS


Como o velho canta, o jovem toca flauta, Antuérpia, Koninklijk Museum Voor Schone Kunsten

Veja aqui outra versão da pintura

Van Gogh escreve sua segunda carta da Antuérpia comentando suas idas aos museus e as obras que lhe impressionou:

“Vi também o Museu de Pinturas antigas e o museu moderno. Concordo contigo em dizer que as figuras em primeiro plano- as cabeças- no Cristo no Purgatório são muito bonitas, mais bonitas do que o resto e que a figura principal; especialmente aquelas duas cabeças de mulheres loiras são Rubens de primeira qualidade.O Jovem Pescador de Franz Hals impressionou-me particularmente. M. de Vos, retrato de um decano de guilda, Rembrandt, muito bonito, dois pequenos Rembrandt que talvez não sejam de Rembrandt mas de N. Maes ? Ou de algum outro; Jordaens, o Concerto de família; Van Goyen, S.Ruysdaël.”

Jacob Jordaens foi um seguidor de Peter Paul Rubens, e o expoente da arte flamenca após a morte de Rubens e Van Dyck. Embora ele continuou a seguir as influências Rubens, seus trabalhos entre 1620 e 1635 é marcado por um grande realismo e exuberância, além de um exagerado tratamento das formas. Seus últimos trabalhos são mais restritos e frios nas cores. Com forte tendência ao barroco, ele pintou muitas cenas da vida dos camponeses e alegorias sensuais

Jordaens nasceu na Antuérpia em 20 de Maio de 1593, onde ficou durante sua vida toda. Filho de um próspero comerciante de linho com mesmo nome e de Barbara van Wolschaten. Ele foi treinado por Adam van Noort, mesmo mestre de Rubens. Rubens, por sua vez, depois de sua volta da Itália, foi muito importante no desenvolvimento do estilo de Jordaens. Rubens acolheu Jordaens como um dos pintores que o ajudou a cumprir as comissões a Coroa Espanhola em 1636-7 entre muitas outras como a entrada triunfal de Cardinal Infante Ferdinande, a torre da Paroda, etc.

Em 15 de maio de 1616, Jordaens casou com a filha mais velha de Van Noort, Catharina e com ela teve três filhos. No mesmo ano o pintor foi admitido pela Guilda de São Lucas (a mesma de De Vos) como mestre em aquarela e pintura em têmpera. Com isto ele logo conseguiu trabalhar pintando depósitos para tapeçaria e coberturas de parede, mas logo trabalhou por conta própria com tinta óleo, pintando retratos, cenas de banquetes, cenas mitológicas e religiosas, a partir de efeitos chiaroscuro (claro-escuro) pela influência italiana de Caravaggio(mesmo nunca tendo visitado outro país), de quem teve contato a partir de cópias.

Jordaens se tornou conhecido quando após a morte de Rubens, foi empregado pela Rainha Christina da Suécia, pelos membros da Casa Laranja e pelo Senhor dos Burgos de Amsteram para a decoração da Prefeitura. Entre 1639-40 ele trabalhou para Charles I da Inglaterra.Mais tarde ficou famoso pelo trabalho na Huis ten Bosch (casa na floresta). Nesta época Jordaens tinha bastante pupilos em seu atelier, sendo que nenhum deles conseguiu uma grande fama.

Em seus últimos anos ele se juntou a Comunidade Calvinista e seu estilo se tornou mais clássico. Porém esta união protestante nunca impediu que ele continuasse trabalhando para comissões ou patronos católicos. Jordaens morreu em sua cidade natal em 18 de outubro de 1678.


Retrato do pintor

SOBRE A OBRA


“Soo d’oude songen soo pepen de ionge” é um provérbio holandês antigo que significa que o jovem sempre segue o exemplo do velho. Este ditado foi exposto brilhantemente na pintura de base barroca de Jacob Jordaens, pois ele se rendeu a ela várias vezes durante sua carreira. Este exemplo em particular é a versão mais recente conhecida.

A mãe radiante ao centro da composição é cercada por vários membros da família, todos cantando e fazendo música juntos. A direita, a avó põe seus óculos para que possa ler o texto da canção. O avô, com a partitura na mão, conduz. O Pai toca a gaita de foles com fervor. E os pequeninos também participa: o bebê de bochecha vermelha no colo da mãe sopra seu cocalho enquanto o irmão mais velho toca a flauta. Até mesmo o cachorro atiçou as orelhas com o som da música. Ou talvez ele sentiu o aroma de comida na mesa. Esta maravilhosa imagem da família fazendo música mostra que Jordaens teve uma fase excelente como pintor.. Os perdonagens na pintura são  pintados a partir de conhecidos de Jordaens. O velho, tem uma forte semelhança com Adam van Noort, que foi seu sogro e mestre. Há menos certeza nos outros personagens. Mas há sugestões que o rapaz dos foles seja o próprio Jordaens, mas seus autoretratos não convencem muito da semelhança.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Maerten de Vos foi um pintor flamenco ativo e mais influente de sua cidade natal nos

últimos 25 anos do século XVI, a Antuérpia. Em 1522 ele foi a Itália e estudou em Roma,

Florença e em Veneza, onde estudou com Tintoretto. Em 1558 ele voltou a Antuérpia, onde

depois da morte de Frans Floris em 1570 ele se tornou o expoente na pintura de estilo

italiano em sua cidade. Os altares que são a grande parte de sua produção são tipicamente

maneiristas em suas torções, elegancia fina.

O pintor teve um atelier largo e bem sucedido. Durante a década de 1550 ele passou a

maior parte do tempo viajando pela Itália. Por volta de 1558 ele voltou á Antuérpia, onde

ele se tornou um mestre na Associação de São Lucas. Maerten de Vos, que se destinguiu no

gênero de retratos, foi também bastante conhecido por pinturas religiosas, e produziu

inclusive seis pinturas com episódios da vida de São paulo para a sala de jantar de

Gillis Hooftmans. Fundou a fraternidade dos Romanistas da Antuérpia e foi o melhor pupilo

e sucessor de Frans Floris. Seus trabalhos são precursores claros do Barroco do século

XVII. O trabalho que Van Gogh comenta ‘São Lucas pintando a Virgem Maria’ é uma produção

tardia de Vos, que faleceu no ano seguinte. Sua rica e variada gama de cores pode ser

atribuida aos 6 anos que ele passou na Itália. Percebe-se que suas pinturas são claras,

balanceads e com frequência simétricas em composição, e apesar de sua preferência por

espaços rasos, ele teve sycesso na criação de um forte sentido de drama e plasticidade.

Por outro lado embora fosse Luterano por um longo tempo, De Vos foi também uma figura da

Contra Reforma. A melhor evidência disso é encontrada na escala monumental de seus

trabalhos e sua estricta aderênciacom a percepção iconográfica estabelecida do Concílio

de Trento.

Uma resposta to “UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH”

  1. UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH « Says:

    […] comissões para completa-las toda sozinho. Dentre seus assistentes podemos ver Anthony van Dyck, Jacob Jordaens, Jan Brueghel, e Frans Snyders. Ele construiu seu atelier no estilo italiano, acrescentando um hall […]

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