UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Antuérpia, 26 de novembro de 1885

O entombamento (1511), MESSYS


Triptico da Guilda dos fazedores de armarios , Antuérpia, Koninklijk Museum Voor Schone Kunsten


CLIQUE PARA AMPLIAR—–Óleo sobre papel- 260 x 503 cm

Van Gogh escreve à Theo sua segunda carta da Antuérpia comentando suas idas aos museus e as obras que lhe impressionou:

“Vi também o Museu de Pinturas antigas e o museu moderno. Concordo contigo em dizer que as figuras em primeiro plano- as cabeças- no Cristo no Purgatório são muito bonitas, mais bonitas do que o resto e que a figura principal; especialmente aquelas duas cabeças de mulheres loiras são Rubens de primeira qualidade.O Jovem Pescador de Franz Hals impressionou-me particularmente. M. de Vos, retrato de um decano de guilda, Rembrandt, muito bonito, dois pequenos Rembrandt que talvez não sejam de Rembrandt mas de N. Maes ? Ou de algum outro; Jordaens, o Concerto de família; Van Goyen, S.Ruysdaël . E o Quentim Massys.”

Quentin Massys (nome que tem variações em Quenten Matsys, ou Matsijs) foi o principal pintor da Antuérpia no começo do séc. XVI. Seus trabalhos iniciais mostra a influência de Memling, que foi muito ativo em Bruges. Já seus trabalhos mais maduros mostra alguma influência italiana, particularmente de Leonardo da Vinci. Ele foi um notável retratista assim como pintor religioso. Com um estilo meticuloso, uma expressividade individual aos elementos da tela e atenção aos detalhes , ele pintou quadros satiricos e grotescos trazendo outras figuras na estética da época.Há relatos que a influência de sua pintura chegou na Alemanha influenciando Albrecht Dürer e Hans Holbein.

Massys nasceu na cidade de Louvain no ano de 1466.Filho de Joost Massys, um influente ferreiro que o treinou para seguir a profissão. Mesmo assim Massys se tornou pintor provavelmente após se apaixonar pela filha de um artista. Provavelmente auto-didata, Massys aprendeu a colorir xilogravuras e esta aprendizagem aguçou seu senso artístico.

No ano de 1491 se mudou para Antuérpia e se tornou membro de uma Guilda da Antuérpia em 1491, quando a cidade estava começando a assumir notoriedade como o principal porto da Holanda. Porém apesar de seus longos anos na guilda nunca foi o mestre da mesma, porém teve vários pupilos. No ano seguinte casou com Alyt an Tuylt com quem teve três filhos. Em 1508 casou com Catherina Heyns com quem teve mais 10 filhos.

Em sua cidade o pintor é associado com Joachim Patinir, e parece ter fornecido figuras para suas paisagens. Massys foi altamente respeitado em sua cidade.

Em 1531 Massys morreu após ter contraido a peste. Seus dois de seus vários filhos, Jan e Cornelis, entraram para a Guilda e se tornaram pintores.Porém Jan foi expulso na década seguinte por suas opiniões.

SOBRE A OBRA

In 1503, a Guilda dos carpenteiros da Antuérpia comissionaram Quinten Metsijs para pintar um altar. Além da Lamentação de Cristo no painel central, foi retratado os dois santos patronos da guilda- João Evangelista e João Batista- nos paineis laterais. Na esqueda a dançante Salomé serve a cabeça do último para seu padrasto Horodes e sua mãe Herodias. O verdadeiro decapitado é representado no fundo. No painel da direita, João  Evangelista é cozido em um barril de liquido fervente frente ao Emperador Domitian e seu séquito. Nas torres do fundo a Romana Porta Latina, um edifício que nesta representação eleva a similaridade  com Steen na Antwerp. Em cruel contraste aos horrores mostrados nas laterais, o painel central é conduzido para oração e contemplação. O corpo morto de Cristo caido no fundo, proximo do expectador, conectando as imagens ao seu redor. Ao fundo, uma paisagem magnífica com a tumba de pedra, Golgotha, as três classes e Jerusalem. Quanto mais distante as montanhas, mais opacas elas são mostradas, inteiramente nas regras de prespectivas italianas.

Originalmente, a guilda queria uma peça de altar esculpida.  Indagações foram feitas com dois artistas de Leuven e um escultor da Antuérpia, mas seus desenhoseram consideravelmente muito caro, o que levou a guilda eventualmente comissionar um quadro de Quinten Metsijs, que cumpriu a tarefa em uma atualidade sublime.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Maerten de Vos foi um pintor flamenco ativo e mais influente de sua cidade natal nos

últimos 25 anos do século XVI, a Antuérpia. Em 1522 ele foi a Itália e estudou em Roma,

Florença e em Veneza, onde estudou com Tintoretto. Em 1558 ele voltou a Antuérpia, onde

depois da morte de Frans Floris em 1570 ele se tornou o expoente na pintura de estilo

italiano em sua cidade. Os altares que são a grande parte de sua produção são tipicamente

maneiristas em suas torções, elegancia fina.

O pintor teve um atelier largo e bem sucedido. Durante a década de 1550 ele passou a

maior parte do tempo viajando pela Itália. Por volta de 1558 ele voltou á Antuérpia, onde

ele se tornou um mestre na Associação de São Lucas. Maerten de Vos, que se destinguiu no

gênero de retratos, foi também bastante conhecido por pinturas religiosas, e produziu

inclusive seis pinturas com episódios da vida de São paulo para a sala de jantar de

Gillis Hooftmans. Fundou a fraternidade dos Romanistas da Antuérpia e foi o melhor pupilo

e sucessor de Frans Floris. Seus trabalhos são precursores claros do Barroco do século

XVII. O trabalho que Van Gogh comenta ‘São Lucas pintando a Virgem Maria’ é uma produção

tardia de Vos, que faleceu no ano seguinte. Sua rica e variada gama de cores pode ser

atribuida aos 6 anos que ele passou na Itália. Percebe-se que suas pinturas são claras,

balanceads e com frequência simétricas em composição, e apesar de sua preferência por

espaços rasos, ele teve sycesso na criação de um forte sentido de drama e plasticidade.

Por outro lado embora fosse Luterano por um longo tempo, De Vos foi também uma figura da

Contra Reforma. A melhor evidência disso é encontrada na escala monumental de seus

trabalhos e sua estricta aderênciacom a percepção iconográfica estabelecida do Concílio

de Trento.

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