Histórias das músicas brasileiras

Elis Regina foi uma das maiores interpretes que a música popular conheceu. Famosa por cantar as músicas de João Bosco e Aldir Blanc,  Adoniran Barbosa, Gilberto Gil,  Ruy Guerra, Capinan, Edu Lobo,  Chico Buarque, Belchior entre outros. Gaucha Elis trabalhou no rádio e também na televisão onde dividiu o programa “Fino da Bossa” com Jair Rodrigues. Com uma carreira estrondosa e uma grande fama Elis viveu e decidiu partir em uma viagem muito louca de overdose.  Os três filhos de Elis atualmente são músicos.

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“Eu nasci em Porto Alegre em 1945 no dia 17 de março num domingo as 02:10 da tarde estragando o café da mamãe, aquele lanche maravilhoso. E eu fui a primeira filha muito esperada de um casal de dois anos de vida em comum; primeira neta e primeira sobrinha de uma família de 7 pessoas que se adoravam muitíssimo e resolveram me adotar como filha de todos. Eu achei tudo ótimo, tudo maravilhoso, principalmente o já talento comercial do papai por que ele olhou para mim e deve ter pensado assim que esta menina quando crescer vai ser cantora então um ótimo nome para cantora é Elis Regina. Entende? Por que você sabe é esquisito por que eu ia me chamar só Elis. Ele foi me registrar né, seu Romeu foi lá e disse vim registrar a menina minha filha que nasceu. Qual é o nome? Elis. Mas tem um pequeno problema meu senhor por que este nome serve para pessoas tanto do sexo masculino quanto pro sexo feminino então a gente tem que dar um jeito de diferenciar isto aí por que senão vai criar problemas para a criança mais tarde. Aí ele deve ter pensado de novo: vai ser cantora e Regina vai ficar muito bem ao lado de Elis e aí ele botou Elis Regina Carvalho Costa. E eu fui uma pessoa absolutamente mediocre a vida inteira, igual a todas as pessoas normais, muitissimo encabulada que é o que me diferenciava da família toda por incrível que isto possa te parecer; muito tímida e tudo até o dia que eu fiquei assanhadissima e sai cantando por aí. Meu pai é uma pessoa muito esquisita, se eu te disser até hoje que eu não sei exatamente quem é meu pai, você vai dizer que é mentira minha. Meu pai tem o cabelo preto, tem bigode, descende de índio se chama Romeu de Oliveira Costa, o pai se chamava Francisco, a mãe Idalina e é o máximo que eu sei dele. E eu sei que ele gosta muito de mim. Eu não tenho muitas referências a respeito do meu pai por que ele é uma pessoa que praticamente não fala… Ele entra em casa, lê o jornal… Ele é uma pessoa que infelizmente não participou muito da vida da gente. A minha mãe é mais parecida comigo. Minha mãe é alegre, minha mãe é extrovertida, minha mãe é risonha, minha mãe fala palavrão, faz tudo que toda mãe deveria fazer. Minha mãe é dedicadissima com os filhos, é uma incrível cozinheira, costura muito bem, uma figura realmente incrível, uma mulher muito bonita. Foi uma mulher bonita e hoje em dia é uma senhora com o cabelo branco, uma pele muito clara, é realmente uma mulher muito bonita e eu acho que deveriam inventar um complexo aí, por que de Elektra não da pé, quer dizer realmente eu não tenho este. Precisava inventar um complexo de fixação da figura materna, um nome para este complexo pelo menos.

Eu ouvia a Rádio Nacional da hora que eu acordava à hora que eu dormia assim como todas as casas do Brasil até o ano, sei lá, que a televisão chegou e bagunçou com a transação de rádio. Eu ouvia o Francisco Alves “Quando os ponteiros do relógio se encontram e dão as 12 badaladas” Boa noite amor “ A saudade vem chegando a tristeza me acompanha”, eu ouvia Marlene, eu ouvia Emilinha eu ouvia César de Alencar, eu ouvia estas coisas que todo mundo ouviu. Eu acho que eu devo ter sido muito amarrada no Boa noite amor por que   depois de um tempo eu acabei até gravando esta música. Eu devo ter sido muito amarrada por que foi uma coisa que me marcou muito entende, o Francisco Alves por que parava minha casa, todo mundo parava no domingo para ouvir o Francisco Alves e quando ele morreu meu pai ficou de luto uma semana, minha mãe ficou desesperada chorava parecia que tinha morrido alguém da família. Eu tenho impressão que por estas coisas todas por estas alterações todas que causaram na minha cabeça de criança, tenha ficado tão afixada.

Eu começei a cantar, eu sempre falo este negócio, eu acho que a minha realmente grande transa, quer dizer a transa maior da minha vida tinha que ser com música. Eu tinha sempre e sempre era requisitada em casa evidentemente para horas de arte. Talvez por que eles já achassem que eue tinha alguma coisa com isso de cantar, mas claro que eu não cantava. Eu queria era estudar piano, era o negócio maior na minha vida até que um dia eles realmente me puseram para estudar piano. Aí eu estudei piano estas coisas todas e tinha que ir pro conservatório né. A professora chegou um dia e disse: não tem mais nada para ensinar e o negócio é conservatório. Aí fui para lá, fiz o exame e passei. E teve a pergunta fatídica: “Você tem instrumento em casa?” eu disse Não. Mas então não pode, tem que ter pois precisa estudar. Aí entre comer e ter um piano, eles optaram por continuar comendo e eu também achei ótimo a longo prazo por que senão ter um piano e não ter mais nada ia ser realmente uma coisa incrível. Mas eu tinha que fazer alguma coisa, tinha muito som na minha cabeça que precisava. Aí eu cantei, começei a cantar atendendo um pedido da minha avó, um presente de aniversário que eu dava era participar do clube do Gury, o maior presente que ela podia receber. Quando foi pra eu dar um presente para eles ótimo, eu fui lá, cantei e as pessoas badalavam, fizeram almoço. Aí quando eu começei a gostar que eu começei a querer dar o presente para mim, aí quiseram cortar esta por que não podia, não ficava bem, afinal cantora de rádio, aquelas coisas… Mas aí eu não tinha mais jeito. É que nem gente que começa a beber e não pode parar. Pra mim é cantar e coçar é só começar.

A primeira gravação que fiz, eu morava em Porto Alegre e recebi um convite da Continental pra gravar e quem produziu meu disco foi Carlos Imperial. A Continental precisava de uma cantora que fizesse frente a Cely Campelo que na Odeon estava acabando com o baile. Mas eu de antemão já acho que este negócio de lançar alguém pra combater alguém uma pobreza total absoluta, sempre achei. E  eu não queria ser a sombra de quem quer que fosse eu queria ser eu, fazer minhas coisas. E aparte isto o repertório, que é um nome maravilhoso, não era assim dos mais maravilhosos  de você ouvir e rolar na sarjeta de paixão, aí ficou tudo esquisito mas tinha contrato, tinha que fazer, aquelas coisas sabe como é. A primeira música eu me lembro mas não vou dizer, por que você vai pedir pra eu cantar e eu não vou cantar.Aí eu sei você não sabe. Eu vim pro Rio muito depois disso em 64  e minha família ficou lá, a necesidade de trabalho era urgente tinha que me virar de qualquer maneira e eu não tive calma suficiente para fazer as coisas do jeito que eu achava que devia ser feito pelo mesmo motivo que um dia achei que tinha que deixar de estudar piano. Fui trabalhar na TV Rio e quem me levou foi Paulo Gracindo que me ouviu cantando não sei onde e achou ótimo, enfim cheguei nos lugares pelas mãos mais esquisitas, que menos a ver tinha comigo na época.

Transcrição do Programa MPB Especial.

Elis aos 11 anos já mostrava seus  dotes nos programas musicais infantis

Elis foi uma das maiores cantoras no palco. A força mulher se transformava em um espetáculo vibrante.


Elis teve três filhos (João Marcelo Bôscoli em um casamento com Ronaldo Bôscoli e no outro casamento com César Camargo Mariano teve Pedro Camargo Mariano e Maria Rita). Na foto Elis sorri com seus filhos Pedro Camargo e Maria Rita.

A música de Gil foi mostrada por Elis pelo amigo Edu Lobo. Logo ela admirou o bahiano de quem admirava e ficou amiga.

 

Elis também foi próxima de Gonzaguinha. Ambos participaram de festivais de música e Elis chegou a ganhar prêmios com a música Arrastão.

 


Uma resposta to “Histórias das músicas brasileiras”

  1. Anónimo Says:

    adoro ela………..

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