Archive for Fevereiro, 2011

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Fevereiro 22, 2011
Arles, 03 de setembro de 1888

A grande onda (Onda quebrante de Kanagawa) (1831), HOKUSAI


Kanagawa oki nami ura (The great wave off Kanagawa) – Underwave , Amsterdam, Rijkspretenkabinet


Apesar de haver várias cópias pelo mundo, o museu Van Gogh coloca como referência àquela de Amsterdam.


PARA IMAGEM EM ALTÍSSIMA RESOLUÇÃO CLIQUE AQUI

 

Van Gogh mostra nesta carta o decorrer de sua vida e novas concepções de sua arte, estando ele buscando um estado criador sem privações::

” Quando Paul Mantz viu, na exposição que vimos nos Champs Elysées, o esboço vilento e exaltado de Delacroix: A barca de Cristo, ele se comoveu e exclamou em seu artigo: “Eu não sabia que se podia ser tão terrível com o azul e o verde.

Hokusai faz lançarmos a mesma exclamação, mas por suas linhas, seu desenho; quando você diz em sua carta: essas ondas são garras, a nau está presa nelas, podemos senti-lo.

Pois bem, se fizéssemos cores totalmente fiéis, ou desenhos totalmente fieis, não produziríamos estas emoções.”

Katsushika Hokusai é um dos artistas mais conhecido e ironicamente é o artista que possui poucas características da arte oriental. Sua mais conhecida xilogravura A grande onda é, o que se poderia denominar uma obra de arte “não-japonesa”.

Hokusai (1760-1849) viveu na era Tokugawa (1600-1867) num Japão de valores Confuncianos e de regime feudal. O artista foi um boêmio completo: petulante, encrenqueiro, incansável, agressivo e sensacional. Hokusai teve muitas discussões com seu professores o que ocasionou a sua expulsão de diversas escolas de arte. Imbuído de uma teimosia artística, ele era obsessivamente focado em sua arte. Hokusai deixou mais de trinta mil trabalhos, incluindo pintura em tecido, xilogravuras, livros de pintura, manga, ilustrações de viagens, ilustrações eróticas, pinturas e esboços. Algumas de suas pinturas eram um espetáculo público que mediam mais de 200 metros quadrados. O artista não se preocupava muito em ser sensível ou respeitável socialmente. Não foi a toa que aos 89 anos assinou um dos seus últimos trabalhos como A arte – o velho louco. Entre outras peripécias ele mudou de nome umas 30 vezes.

“Aos seis anos de idade eu tinha mania de desenhar os contornos das coisas. Quando eu fiz 50 anos eu já havia publicado um universo de desenhos, mas todos que foram feitos antes dos meus 70 anos não me valem uma preocupação. Aos 75 anos eu terei aprendido algo sobre o padrão da natureza, dos animais, das plantas, dos pássaros, peixes e insetos. Quando eu tiver 80 você verá um real progresso. Aos 90 anos eu devo terei traçado meu caminho profundamente pelos mistérios da vida. Aos 100 eu devo ser um artista maravilhoso. Aos 110 tudo que eu criei; um ponto, uma linha, irão saltar para a vida como nunca antes. Para todos vocês que irão viver tanto quanto eu, eu prometo manter minha palavra. Escrevo isso na minha velhice. Eu costumava me chamar Hokusai mas hoje eu me auto-denomino O velho louco do desenho.” relato de Hokusai.

Hokusai iniciou sua carreira de artista como estudante de pintura e de gravura. Durante o período de 600 anos na era Shogun o Japão tinha se encerrado do resto do mundo e o contato com a cultura ocidental era completamente proibido. Contudo, Hokusai descobriu uma rede de contrabando de obras de artes ocidentais e passou a estudar e analisar gravuras em cobre. Dessa forma ele aprendeu as técnicas de sombreamento, coloração, realismo e a perspectiva das paisagens. Passou, então a introduzir todos esses elementos em suas xilogravuras e na arte ukiyo-e. Vale ressaltar que as paisagens chinesas e japonesas já apresentam vistas a longa distância há mais 1 500 anos, mas os elementos em seguida a qualidade apresentada nos trabalhos de Hokusai revolucionaram e revigoraram a arte no Japão.

As xilogravuras ukiyo-e eram produzidas e encomendadas pela burguesia citadina que queria adornar suas residências com imagens do cotidiano, de lutadores de sumo e de gueixas. Os temas do campo e camponeses foram completamente ignorados nesse período.

No ano de 1 500 a Holanda, já atrasada, iniciava o desenvolvimento da arte paisagística e utilizou, em sua maioria, o foco da paisagem topográfica. Entre 1630 e 1660 os pintores holandeses garantiram sua maestria neste tipo de arte com Rembrandt van Rijn, Jacob Ruisdael entre outros. Até o final de 1700 essas pinturas haviam se tornado ilustrações baratas no Japão uma vez que mercadores holandeses eram saqueados pelos contrabandistas japoneses. As gravuras eram embrulhadas em papel e esse mesmo papel registrava, ou seja, imprimia, a imagem talhada. Esses embrulhos eram descartados como lixo nos mercados e recolhidos por estudantes de artes, entre eles estavam Hokusai.

Esses “lixos” se tornaram a base do aprendizado de Hokusai que aprendeu com os pintores holandeses e franceses a apreciar paisagens pastoris com perspectiva e sombreamento realístico, e aplicar esse conhecimento em seus trabalhos de paisagens nipônicas. Os estudos de Hokusai resultaram na serenidade da natureza e na união do homem com a terra com as características da arte popular japonesa. Ao invés de shoguns, samurais e suas gueixas, que eram os temas centrais da arte japonesa na época, Hokusai introduziu no seu trabalho o homem comum, que até então não tinha vez na arte. Em A grande onda vemos homens minúsculos sendo arremessados nas gigantescas ondas e o Monte Fuji observa calmamente a fúria ao longe.

A imagem mais famosa de Hokusai e, consequentemente, a imagem mais famosa do Japão é o mar com Monte Fuji. As ondas formam uma moldura através da qual podemos ver o Monte Fuji ao fundo. Hokusai gostava de retratar a água em movimento. Em vez de shoguns e de representantes da nobreza, vemos pequenos pescadores amontoados em seus ofícios deslizando por uma onda e mergulhando de cabeça na onda seguinte para chegar ao outro lado.

Para os ocidentais, esta gravura parece uma típica imagem japonesa. No entanto, um japonês tradicional nunca teria pintado os pescadores pobres, uma vez que estes eram desprezados pela classe dominante. Um artística daquela épocanão faria uso da perspectiva e não teria prestado muita atenção no sombreamento sutil do céu. Assim para os ocidentais essa gravura é familiar, pois possui todas as características habituais de nossa técnica artística. Neste sentido A grande onda é realmente uma pintura ocidental, visto através dos olhos de japonesa.

Hokusai não se limitou a usar a arte ocidental. Ele transformou as pinturas pastorais holandesas e adicionou o estilo japonês de achatamento e o uso de superfícies de cor como um elemento. Pela década de 1880, as gravuras de Hokusai foram estudadas por jovens artistas europeus, como Van Gogh e Whistler, em um estilo chamado Japonaiserie .

Antes de Hokusai, artistas ukiyo-e como Utamaro e Kunsai passaram a fazer desenhos de pássaros e flores para ilustrar livros. Mas Hokusai foi o primeiro artista a fazer estampas de aves. As aves de Hokusai são precisas e realistas. Suas xilogravuras podem ser uma ilustração para um texto técnico para um ornitólogo sobre as raças de galos. O artista se inspirou nas ilustrações científicas européias. Hokusai ainda trabalhou em ilustrações para mangás .

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Ah! Por que monstruosíssimo motivo

Fevereiro 22, 2011


Prenderam para sempre, nesta rede,
Dentro do ângulo diedro da parede,
A alma do homem polígamo e lascivo?!
Este lugar, moços do mundo, vêde:
É o grande bebedouro colectivo,
Onde os bandalhos, como um gado vivo,
Todas as noites, vêm matar a sede!
É o afrodístico leito do hetairismo,
A antecâmara lúbrica do abismo,
Em que é mister que o gênero humano entre,
Quando a promiscuidade aterradora
Matar a última força geradora
E comer o último óvulo do ventre!

O lupanar – Augusto dos Anjos

Cri-ações:Joan Miró

Fevereiro 21, 2011

Unir em todas juntas os pedaços

de uma velha retaliação

com as linhas de fuga que percorrem

os quadros da existência e desatam

a dureza das correntes

A carne levando o sangue que vive

nos sonhos de liberdade inexistentes

na vida pontuada, na burguesia desilibada

para que na quebra produzam novas dimensões

onde o dionisíoco possa ser sempre a comida

Photo Graphein: Frank Horvat

Fevereiro 21, 2011

Histórias das músicas brasileiras

Fevereiro 20, 2011

Esta coluna dominical traz um post especial ao centenário de Nelson Cavaquinho, um dos grandes sambistas de nossas músicas.

Filho de Brás Antônio da Silva e Maria Paula da Silva, Nélson Antônio da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 29 de outubro de 1911. Pobre o menino Nélson saiu da escola no terceiro ano primário para ir trabalhar. Sua formação musical iniciou com seu pai, que era tocador de tuba da Polícia Militar e de seu tio, que nas reuniões dominicais da família tocava violino acompanhado da cantoria de seus parentes e Nélson, criança, tentava acompanhar com seu instrumento de brincadeira: fios de arame esticados sob uma caixa de charutos.

Nélson começava a ser “do Cavaquinho” quando, aos 21 anos teve seu primeiro casamento. Como Nélson passava a maior parte do tempo sumido de casa enfiado em rodas de samba. Sempre voltava para casa acompanhado de seu cavaquinho, de uma galinha e liso, para o terror de sua esposa Alice que o enxotava novamente.

Na década de 1950, as músicas da dupla Guilherme de Brito Bolhorst e Nélson do Cavaquinho começaram a ser gravadas com mais freqüência. Mais ainda não era o sucesso: nomes de “compositores” continuavam a constar ao lado dos de Nélson e Guilherme. E não adiantava muito este pressionar o companheiro contra tais “parcerias”, pois se ele não divulgava as composições, Nélson muito menos. Ele estava inteiramente voltado para a sua arte e para a boêmia. Não via por que não ceder co-autoria a um novo amigo de balcão ou a alguém que fizesse a composição render algum dinheiro para novas farras.

Por outro lado, entre Guilherme e Nélson existe um pacto de só fazerem música junto e sempre a dois mesmo – Eu não me sentiria bem se meu nome entrasse sem eu ter feito nada – garante Guilherme e concorda Nélson, emborcando um cálice de conhaque. – Por isso, mesmo que dê pra mim terminar a música sozinho, ele sempre deixa um pedaço pra outro fazer.

A partir de 1961, Nélson começou a freqüentar regularmente a casa de Cartola e Dona Zica. Estimulados por cervejas e saborosos petiscos, passavam as madrugadas em memoráveis rodas de samba compositores de real valor, como Zé Keti, Paulinho da Viola, Jair do Cavaquinho, Anescar Bigode, Élton Medeiros e muitos outros.

A casa da Rua dos Andradas foi ficando famosa – e pequena. Então surgiu a idéia de se abrir um restaurante: Zica entrava com a comida e Cartola com o violão. Logo o Zicartola tornou-se o reduto de toda a boa música popular, independentemente de linhas ou temáticas. E, com a revalorização das raízes musicais, provocada pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes e assimilada pela bossa nova, velhos sambistas foram descobertos ou redescobertos.

Nélson foi um deles. Em 1965, Nara Leão gravou com algum sucesso Pranto de poeta; os convites para que ele tocasse em shows se multiplicaram e sua fama ultrapassou as fronteiras da boêmia carioca.

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Tome um homem seu violão, cante ele pelas ruas como um antigo trovador da Idade Média a beleza das flores, a efemeridade da vida e a angústia metafísica da morte, e esse será o retrato de Nélson Cavaquinho. Com sua cabeleira branca, seu permanente ar de dignidade e a sua voz enrouquecida por muitos anos de cervejas geladas, o que Nélson Cavaquinho canta (fazendo percurtir, mais que desdilhando, as cordas de seu violão) é a saga de um homem que vive em estado de poesia. E cuja obra, por isso mesmo, não morrerá.

J.R.Tinhorão

 

Ninguém toca como ele. Ele tira um som do violão que impressionou até Tuíbio Santos. As introduções de Nélson, ninguém faz como ele. Qualquer outro sambista dá uma introdução convencional: a terceira do tom, a segunda, a primeira. Nélson põe uma diminuta, faz uma seqüência, uns acordes, dá uma volta e cai no tom que quer. Só ai ele começa a cantar. Nélson não entende nada de música, mas sua carga de vivência somada ao seu talento justificam suas belíssimas composições. Os sambas dele têm algo em comum: sempre acabam na segunda do tom, sempre na dominante. O samba, em geral, termina na primeira parte, mas Nélson fecha na segunda. É uma marca do samba dele. Há exceções, mas a maioria fica sempre na segunda e se completa com acordes grandes.

Paulinho da Viola

 

OUTRAS HISTÓRIAS

Nelson do Cavaquinho sempre foi uma pessoa bastante desligada e as vezes parecia estar em outro mundo. Agora o desligamento de Nélson ganhava notoriedade, tornava-se folclórico. Conta-se que certa noite ele tocou com Jobim até amanhecer, chegando a combinar um show conjunto. O produtor Jorge Coutinho, ao saber da história, correu à procura de Nélson para acertar os detalhes do tal espetáculo. AO que Nélson reagiu dizendo – Tom?! Que tom?! Dó maior?!


Noutra ocasião, Paulinho da Viola organizou um show que teria, entre os artistas, Nélson Cavaquinho. Paulinho lembrou-o várias vezes do compromisso, mas no dia Nélson simplesmente desapareceu. Paulinho quase não recebeu, por quebra de contrato. Depois ao encontrar o velho boêmio, tomou fôlego para a maior esculhambação, mas Nélson o interrompeu na primeira frase – Você não avisa nada e ainda vem dando bronca no Nélson! Assim não é possível!

(Muitas vezes Nelson se referia a ele próprio em terceira pessoa)

 

Um dos grandes parceiros de Nelson do Cavaquinho foi o violonista e compositor Guilherme de Brito.

 

As composições de Nelson e Guilherme se tornaram famosas na vozes de outros cantores. Na foto com Beth Carvalho que gravou “Se você me ouvisse”…

 

Nelson com Heitor dos Prazeres, um dos grandes compositores e sambistas da velha guarda que nossas músicas teves.

Cartola, Nelson do Cavaquinho e Juvenal em desfile da Verde e Rosa Estação Primeira de Mangueira

 

Nelson do Cavaquinho se fez um homem de fé e da música

Nelson em frente a sua casa é sempre um menino de morro que vive a cantar seus lamentos

 

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Notas Xulapentas

Fevereiro 19, 2011

  • A diva Aretha Franklin não está para fofoquinhas e já saiu da cama mandando bronca e mostrando o tamanho da diva que ela é. Segundo o NME, ela anunciou volta aos palco que ocorrerá em 28 de maio, em Nova York. Antes disso seu novo disco “Aretha: A Woman Falling Out of Love” (Aretha, uma mulher caindo de amor) estará bombando já que sairá no dia 3 de maio correndo das lojas para teu som. Flei som Aretha.

  • O Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo está inaugurando esta semana na quarta- feira (23) uma Mostra de Cinema Turco que fica em cartaz até o dia 6 de março. Com um cinema bastante diversificado e marcado por um país dividido em suas características. A Mostra traz 10 cinemas turcos entre 1970 e 2010 com diretores como Nuri Bilge Ceylan, Semih Kaplanoglu e Yilmaz Güney. Preços para turco ver.

 

  • O Coletivo Cineclube Olho Mágico de Teresina, Piauí está convidando os produtores de vídeo e cinema digital do Piauí para exibirem seus trabalhos no cineclube criando assim um núcleo de produções e divulgação cinematográfica. E além disso todas exibições serão gratuitas e escancaradas à população. As sessões são realizadas na Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí e começarão no dia 16 de março. Interessados entrem em contato com Adriana Galvão por email objetosemcena@gmail.com ou celular (9927.1717). Kinemauí.

 

  • O grupo de rock Radiohead assistiu esta semana o filme brasileiro “Bruna Surfistinha” para decidir se colocariam uma música do grupo na trilha sonora. E aceitaram. Embora trate sobre a história de uma prostituta classe-média e envie-se para contramão dos péssimos bons modos, não se espere muito da produção que tem uma produção ligada ao antro (este sim) indigno da tv brasileira.

 

  • Os músicos Tom Rowlands e Ed Simons, conhecidos na música eletrônica como Chemical Brothers virão estarão por aqui no mês de abril. No festival Chemical Music Festival que ocorre em Itu na arena Maeda. Este ano ainda promete U2.

 

 

  • Tirando esta escorregada do Radiohead  foi postado em seu sítio oficial hoje o”Lotus Flower”, video tirado de seu novo álbum, “The King Of Limbs”. E tem mais…quem quiser comprar o novo álbum em mp3 ou wav ele está disponivel desde hoje a tarde e ainda pode ser encomendado em uma edição mais salgada contendo um jornal-album, 2 discos de vinil, um CD, muitas obras de arte (mais de 600). Mas avisando que estes só serão enviados em maio.

  • Este fim de semana está respingante em Recife anota a agenda. Hoje (19) na Rua da Moeda ocorre festança gratis com Maracatu Axé da Lua, Balé Raízes, Urso Branco do Zé , Majê Molê, Negro Nido com participação de B Negão, Cefalea Titânica com participação de Fred 04, Rumbanda com participação de Otto entre outras coisas. Ainda hoje (19) ocorre o show da rainha de tudo a doidinha Cyndi Lauper no Chevrolet Hall com preços salgadares.

  • Passando para Olinda, hoje (19) temos na sede do grupo de capoeira Angola mãe a apresentação do afoxé Oxum Pandá e o sambista Jorge Riba.



Mulatu Astatke e Duke Ellington
  • Está também confirmado o concerto do etíope Mulatu Astatke que estará no SESC Vila Mariana, nos dias 19 e 20 de março. Mulatu Astatke é conhecido por fundar o Ethio-jazz, ao misturar elementos do jazz à sonoridade tradicional da Etiópia, que podem ser ouvidas na trilha do filme Flores Partidas de Jim Jarmusch.

 

  • O Cinema da Fundação em Recife divulgou a nova grade de filmes que já vale para hoje e vai até quinta (24). Detalhe para a belissima estréia de “O Mágico”, de Silvain Chomet (o mesmo de As bicicletas de Belleville),com história de Jacques Tati. A programação também traz “Um Homem que Grita”, de Mahamat Saleh Haroun, “Tetro”, de Francis Ford Coppola.

  • Para quem quiser assistir a peça Pólvora e Poesia Fernando Guerreiro este é fim de semana no Espaço Cultural da Barroquinha. A pessa retrata o homoerotismo de dos poetas franceses Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. A peça vai ser apresentada na Mostra Fringe, a paralela da oficial do Festival de Curitiba em abril. Mas antes terá apresentação no Teatro Castro Alves em 25 de março no Dia Internacional do Teatro na Bahia.

  • Ainda em Salvador a cantora argentina Sil Partucci apresenta, no Teatro Gamboa Nova, o show AHORA. O evento ocorre todas as quintas de fevereiro, sempre às 20h, com repertório do tango, jazz e eletrônica e um toque de bossa nova.Preços baratito.



  • O Festival de Berlim vem trazendo novos cinemas de velhos conhecidos. Um destes grandes esperados é “PINA”, homenagem em 3D do cineasta à coreógrafa, Pina Bausch que tem direção de Win Wenders. Felizmente Wenders não desistiu do projeto após a morte de Bausch. Wenders registraria em 3D os ensaios do Tanztheater Wuppertal, mas o projeto não aconteceu, já que houve a trágica morte.Mas Wenders decidiu fazer um filme para a artista. Em breve este doc estreia por aqui.

  • O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio traz uma nova programação esta semana. A partir de terça (22) e até 9 de março a mostra “Novos Docs Franceses” trará uma série de documentários. Além disto neste mesmo período ocorre a mostra os Melhores de 2010 que traz “A Fita Branca”, de Michael Haneke, ” Vincere”, de Marco Bellocchio e ainda os novos de Scorcese, Polanski, Campanella, Bong Joon-ho, Joel e Ethan Coene, além do insoso padilha da trupinha.

  • Em Fortaleza o Teatro Dragão do Mar traz o texto de Dias Gomes “O Pagador de Promessas” em um espetáculo teatral de Fernando Lira. Isto ocorre na terça (22) com preços promessionais. Além disto na sexta (25) ainda tem o Show Chora Jazz com os músicos que trazem o chorinho com o Jazz. Firmeza dragão..

  • E na Alemanha, uma nova moda está pegando: ao invés das máquinas de cigarro devolverem moedas de troco, elas dão miniaturas de obras de arte. A responsável pelo projeto de criar obras de arte em miniatura a serem dadas pelas máquinas, Julia Brück, resolveu criar miniaturas orifinais que tivessem ligações com a região em que morava e que seria um souvenir. A moda pegou e já é um sucesso como lembraças da cidade. A idéia é promissora e mostra que arte pode ser uma cri-atividade.

  • O mundo é uma bola… de chiclete que logo volta a boca. Pequeno mundo. Não é que uma das duas garotinhas que aparecem na capa do albúm classico “Siamese Dream”do Smashing Pumpkings agora vai ser a baixista da banda. Decisão do soberano Billy Corgan que pediu à não mais garota Nicole Fiorentino (31 anos). Ela há havia tocado com a banda no ano passado em um show e revelou agora a verdade. Ela já havia tocado no Spinnerette e Veruca Salt.
  • Atenção juventude e se liga mocidade. Os territorios populares são de nós jovens. Por isso se você for jovem, ou tiver algum conhecido que tenha entre 15 e 29 anos e more das comunidades cariocas do Batan, Borel, Cidade de Deus,Cantagalo, Providência e Chapéu Mangueira vocês podem particpar da AGÊNCIA DE REDES PARA JUVENTUDE, criado seus projetos de vida e de intervenção no território. Serão 300 jovens com bolsa de R$100,00 mensais e uma equipe de mediadores inventando novas formas de radicalizar a democracia na cidade. Qualquer dúvida escreva: agenciaderedes@gmail.com


  • Carnaval também é animação… Mas animação cinematográfica. O Centro Cultural Justiça Federal no Rio traz o festival de animações Animodromo que começa quinta dia (24) e vai até  3 de março. O festival trás 8 animações com o tema de carnaval, e folia. A apuração será na tela.

 

  • Diga seu nome que eu lhe direi quem é. Esta é a lógica dos Oscar-iados que  já dando a toca  que pretende dar o prêmio de melhor documentário ao doc. sobre o grafiteiro Banksy. Eles revelaram que SE Banksy ganhar teria que revelar sua identidade ao mundo. Ora todos sabem que Banksy é uma multiplicidade de discursos bacanas e que se abrem ao mundo diferentemente do oscar… Estes americanos se amarram numa identidade. Banksy é o que dizem os muros..

MC Yoko em happening com John Cage, David Tudor, etc

  • No Hip-hop as festas eram (e são) sempre conduzidas pelo Mestres de Cerimonias, ou MCs. No festival de South By Southwest festival na cidade texana de Austin, nos EUA, vai ter como MC a japita Yoko Ono que vai falar sobre música, arte, escultura, humor. Já haviam sido MCs do festival a vocalista do Sonic Youth Thurston Moore, o malucão do The Clash Mick Jones e Lou Reed Underground….

Um grito abafado, um olho vedado: o fim sem fim do Cine Belas Artes

Fevereiro 19, 2011

Do Fato

Um dos patrimônios cinematográficos do Brasil, o Cine Belas Artes  abriu as portas com o nome de Cine Ritz em 1943. Porém muito tempo passou e o Cine Belas Artes fica(va)  com este nome desde 1952 em São Paulo na esquina da Av.Paulista com Av. Consolação. Ficava pois vai realmente fechar as portas no fim deste mês (provavelmente dia 23 ou 24). Mesmo com muita luta e protestos os kinéfilos não conseguiram um trato com o proprietário do imóvel, Flávio Maluf, desta batalha que já durava anos. Com o fim do cinema naquele local o proprietário pretende abrir uma loja.

O atual dono do cinema André Sturm afirmou “Não aceitaram a proposta, querem o cinema de volta, então vamos ter mesmo que fechar”. A proposta do valor do aluguel feita por André não foi revelada mas sabe que o valor é maior que 70 mil reais. O valor pedido pelo dono  era de 150 mil reais. Depois de ter tentado vários patrocinios para cumprir o aluguel exorbitante de Maluf, tendo feito e desfeito um patrocinio com HSBC, o Belas Artes fechou suas portas, ou não …..

O prédio está em processo de tombamento do edifício organizado pela Secretaria de Cultura da cidade, que já se posicionou que mesmo que o cinema seja fechado o processo  não será desfeito ou modificado.

O fluxo kinemático ou o fim sem fim

A palavra cinema vem do grego kinema que significa imagem em movimento. Assim como a vida o cinema está em constante movimente, com momentos de repouso. Este cinema como um espaço físico, esteve realmente aberto ao kinema, para que passassem outras novas imagens e queimassem a retina dos espectadores. Sendo um cinema que não se prende em um entretenimento do shopicola e de imagens aprisionadas nos valores da classe média .

E o Cine Belas Artes era um espaço de encontros alegres, e de cinemas, vários cinemas que passaram por todos estes tipos. Obviamente passaram cinemas Bs, e até comerciais, afinal ele teve que se manter mesmo com algumas concessões.

Fachada do Belas artes em 1981- Reparem na programação: Estádio de Sítio, Meu tio da América e o O homem que virou suco

 

Apesar deste bloguinho estar distante das terras belas artes, sabemos na própria Manaus diversos cinemas que fecharam por falta de investimentos e valorização. Hoje a única opção de assistir kinemas é no kinemasófico que ocorre todos os domingos. E sabemos que a programação do Belas Artes preza pelo kinema e passa bem longe do shopicola.  O cinema e a arte é um direito de todos, não é a toa que os trabalhadores terão direito agora do vale cultura graças ao Ministério da Cultura,  para poder ir a museus, teatros, cinemas e livrarias… Tudo em busca de uma produção subjetiva criadora.

No caso do Cine Belas Artes, o cinema não é apenas um negócio comercial que deve gerar o lucro ao empresário. É uma dedicação para que haja para locais onde se veja imagens diferentes e soltas, estriadas em um processo alegre de existência.

Porém em um local rico em eventos interessantes como é São Paulo, onde a oferta-procura compensa o engendramento de culturas e industias culturais, um local que possui muita dança, música, cinema, literatura, que cheira a culinária; é um local que possui uma política pública retrograda, que permite o fechamento de um local que traz uma alternativa, uma secretaria que se preocupa muito mais em tombar um prédio do que salvar um espaço produtivo; um governador que faz que a má administração da TV estatal praticamente esteja falida, além de não irresponsável nas políticas culturais. Afinal para eles um negócio é só um negócio e quem manda é o capital que os escravizam.

Mas eles não sabem que mesmo que calem uma voz ou fechem um olho não podem conter a potência criadora da vida que abre mil olhares e envolve toda uma multidão de vozes que não podem ser abafadas e que são mais forte do que qualquer ordenamento.

 

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Fevereiro 18, 2011
 
Arles, 03 de setembro de 1888

Santo Augustinho e Santa Mônica (1855), SCHEFFER

 

Saint Augustine and Saint Monica, Paris, Musée du Louvre

 

Van Gogh mostra  nesta  carta o decorrer de sua vida e novas concepções de sua arte, estando ele buscando um estado criador sem privações::

” E num quadro eu gostaria de dizer algo consolador como uma música. Gostaria de pintar homens ou mulheres com aquele não sei que de eterno,  do qual outrora a auréola era o símbolo e que procuramos através da própria irradiação,  da vibração de nossos coloridos.

O retrato assim concebido não se torna um Ary Scheffer só porque tem atrá um céu azul como no Santo Augustinho. Pois, colorista, Ary Scheffer o é muito pouco.

Mas estaria mais de acordo com o que Eugène Delacroix buscou e encontrou em seu Tasso na prisão e tantos outros quadros representando um homem real.

 

 

Ary Scheffer   foi um pintor, escultor e litógrafo holandês mas que é  geralmente identificado como francês devido a aquisição de uma cidadania francesa em 1850. Ele foi um dos mais pro-eminentes pintores do periodo romântico da França no séc. XIX, sendo conhecido pelos seus retratos (como Frédéric Chopin and , Franz Liszt, Charles Dickens, Duquesa de Broglie, Rainha Marie Amélie, etc), pinturas históricas e religiosas. Seu irmão Henry Scheffer e seu sobrinho Arnold também foram pintores bastante prolíficos e lembrados na pintura francesa.

 

Nascido no dia  10 de fevereiro de 1795 em Dordrecht ele teve seus primeiros treinamentos no atelier dos seus pais os pintores Johann-Bernhard Scheffer e Cornelia Scheffer. Aos 11 anos frequentou a acadêmia Teeken em Amsterdam, tendo sua primeira exibição dois anos depois na Exposição dos Mestres Vivos (Exhibition of Living Masters) onde apresentou o quadro “Hannibal jurando vingança da morte de seu irmão Hasdrubal”. Com a morte prematura de seu pai em 1811, sua mãe partiu com os filhos para Paris.

Nesta nova cidade Scheffer continuou estudando,desta vez na École des Beaux-Arts de Paris (Escola de Belas Artes de Paris) sob a tutela de Pierre-Narcisse Guérin e frequentemente estuda com Pierre-Paul Prud’hon, que o ajuda a romper desde cedo com a estética daviniana. Ele exibiu no Salão de Paris no ano seguinte.

Alguns anos mais tarde ele decide sair do atelier de Guérin para desenvolver seu próprio estilo. Coincidentemente este momento marca o início do Romantismo com trabalhos de Xavier Sigalon, Eugène Delacroix e Théodore Géricault qqu Scheffer não simpatizou.

Durante a década de 1820 o artista pratica todos os gêneros de pintura, em várias experimentações que resultaram em um sucesso popular. Foi um amante da arte grega e um liberal convicto, amigo de Béranger. Ele passa a ser nesta época um dos chefes na linhagem do romantismo. Ele trabalhou também como professor de desenho de jovens promissores como Louis-Philippe que se tornará prefeito de Orléans e pinta quadros históricos e retratos que o aproximam ao romantismo.

Scheffer foi casado com a viúva do General Baudrand em 1848 e no mesmo ano foi nomeado Comandante da Legião de Honra, depois de ter sido completamente retirado do Salão.

 Com a sua morte em 15 de junho de 1858 em Argenteuil, sua reputação foi danificada: embora suas pinturas foram louvadas pelo charme e facilidade, elas foram condenadas pelo pobre uso da cor e sentimento vápido.

 

 

SOBRE A OBRA

 O Sujeito do quadro é retirado do livro “Confissões” de Santo Augustinho (Livro 10), e retrata Santo Auguistinho e sua mãe Santa Mônica discutindo o reino do céu. Logo após Santa Mônica morreu.

Esta é uma das várias réplicas da pintura mais popular de Scheffer. O original, terminado por volta de 1845, mostrava a própria mãe do pintor como modelo para Santa Mônica. Uma destas réplicas do quadro está presente na National Gallery em Londres, e onde modelo já é outra: Mrs. Hollond, cujo Scheffer já havia feito um retrato individual.

 

Auto Retrato de Ary Scheffer (1838)

 

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

 

Photo graphein: Adriana Lestido

Fevereiro 17, 2011

Volúpia Imortal

Fevereiro 17, 2011

Cuidas que o genesíaco prazer,
Fome do átomo e eurítmico transporte
De todas as moléculas, aborte
Na hora em que a nossa carne apodrecer?!

Não! Essa luz radial, em que arde o Ser,
Para a perpetuação da Espécie forte,
Tragicamente, ainda depois da morte,
Dentro dos ossos, continua a arder!

Surdos destarte a apóstrofes e brados,
Os nossos esqueletos descamados,
Em convulsivas contorções sensuais,

Haurindo o gás sulfídrico das covas,
Com essa volúpia das ossadas novas
Hão de ainda se apertar cada vez mais!

Augusto dos Anjos