Archive for Abril, 2011

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Abril 22, 2011
Arles, 03 de outubro de 1888
A Baia de Lampaul (1901), MORET
Le baie de Lampaul-  Le Havre, Musée Malraux

Van Gogh comenta sobre a visita de alguns pintores em sua casa em Arles:

” Junto a esta uma admirável carta de Gauguin que eulhe pedirei para conservar como tendo uma importância fora do comum.

Estou falando de sua descrição de si mesmo, que me toca muito fundo. Ela me chegou com uma carta de Bernard que Gauguin provavelmente terá lido e talvez aprove, na qual Bernard diz mais uma vez que deseja e me propõe em nome de Laval, Moret…”

Henri Moret  foi um pintor de paisagens (principalmente do mar e rochas) e mais raramente de cenas cotidianas. Ele pintou as mais diversas paisagens da região francesa da Bretanha entre elas Douelan, Clohar e Belle Ile, on Graix além da remota ilha de Ouessant.

Nascido com o nome de Norman, em Cherbourg no dia 12 de dezembro 1856, Moret foi aluno de Gétome e Jean-Paul Laurens. Ele se fixou definitivamente em Bretagne, em Pont-Aven, depois de Pouldu, e lá se ligou com Paul Gauguin na Academie Julien. Sua estréia na pintura foi no Salão de 1880.

Fascinado pela praia, ele usou cores e pinceladas vigorosas para capturar sua violência e poder. Combinando a estética japonesa inspirada na simplicidade com a técnica Impressionista, ele criou uma combinação mágia da composição simples e cor cativante.

Moret pintou diversas ilhas, penhascos e cenas da costa francesa. O ano de 1888 se torna muito importante, pois é quando ele conhece Gauguin, Bernard, Chamaillard, Jourdan e Laval. Apesar de no início a arte deste grupo estar ligado à Corot, Coubet e a Escola de Barbizon, quando ele se encontra com Gauguin, Moret passa a ser mais influênciado pelo Sintetismo.

Moret selecionou deliberadamente o formato de retrato, com a tela em vertical, ao invês da tradicional tela em horizontal usado para paisagens para mostrar uma visão estreita ao invês de panorâmica.

Moret passou por diversas vilas, buscando pescadores e fazendeiros, porém Moret retornou para Pont Aven, em 1888 seguindo Gauguin, Claude Emil Schuffenecker, Émile Bernard (1868-1941). Embora Gauguin foi seu amigo e teve grande influência na obra, a influência de Claude Monet é mais prevalente nas paisagens em geral principalmente as marinhas.

Moret foi amplamente visado pelos colecionadores, vendendo pelo intermédio do principal negociante de arte de Paris – Durand-Ruel – e seus trabalhos eram almejados por colecionadores de toda Europa, Estados Unidos e Grã-Bretanha. Hoje Grande parte de seus trabalhos estão em coleções privadas. Moret morreu em 1918.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Photo graphein: George Henry Seeley

Abril 21, 2011

Sem Título (1906)

Tréplicas, réplicas…

Abril 20, 2011

Réplica: Andy Warhol- Marilyn Monroe (1967)

Tréplica: Ju Duoqi – Marlin Monroe

Kinemasófico: Thomas e a estrada mágica

Abril 20, 2011

THOMAS E A ESTRADA MÁGICA


Título Original: Thomas and the magic railroad

Atores: Mara Wilson (Lily), Peter Fonda (Burnett), Lori Hallier (mãe de Lily)

Ano: 2000

Diretor: Britt Alcroft
 
País: Reino Unido

Duração : 70 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Thomas é um trenzinho que vaga pela Estrada Mágica, uma terra florida e cheia de magia. Porém a tranquilidade deste lugar está ameaçada pois o trem destruidor Diesel que não gosta nem do cheiro das lentas locomotivas a vapor. Esta destruição nem o senhor Condutor, aquele que, com sua mágica, cuida de toda a estrada mágica consegue deter a maldade de Diesel.  A única esperança para salva-los é o trem perdido que apenas alguém muito especial pode encontra-lo. Consiguirá Thomas, O senhor Condutor e os outros trens trazer do mundo real este trem perdido, para que ele volte a estrada mágica?

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O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Abril 19, 2011
Arles, 03 de outubro de 1888
Paisagem (1888), LAVAL


Paysage-  Paris, Musée d’Orsay

Van Gogh comenta sobre a visita de alguns pintores em sua casa em Arles:

” Junto a esta uma admirável carta de Gauguin que eulhe pedirei para conservar como tendo uma importância fora do comum.

Estou falando de sua descrição de si mesmo, que me toca muito fundo. Ela me chegou com uma carta de Bernard que Gauguin provavelmente terá lido e talvez aprove, na qual Bernard diz mais uma vez que deseja e me propõe em nome de Laval…”

Charles Laval foi um pintor de paisagens, de imagens cotidianas e  retratista francês. Ele pertenceu ao grupo Le Pouldu e também da  primeira geração de pintores simbolistas (Gauguin, Emile Bernard,  Anquetin). Seus quadros estão espalhados pelo mundo todo,mas os mais  memoráveis “Paisagem’ e “Retrato do Artista” estão pindurados no Museu  de arte Moderna (Musee d’art moderne) de Paris.

Nascido em Paris no ano de 1862 ele buscou na juventude o  aprimoramento de seus estudos artísticos estudando com Léon Bonnat e  Fernand Cormon, na Escola de Belas Artes de Paris, e teve como  companheiro de atelier Henri de Toulouse-Lautrec, Émile Bernard e  Louis Anquetin.

Laval exibiu suas obras no Salão de pintura de Paris no ano de 1880  quando tinha apenas 18 anos e este presente três anos depois

No verão de 1886, ele vai segue a rota de outros artistas e acaba por  encontrar Paul Gauguin em Pont-Aven na região francesa de Bretagne, um  lugar repleto de imagens campestres. Este local atraiu muitos artistas  como conta o inglês Henry Blackburn:

“Pont-Aven é o ponto favorito dos artista e uma “terra incognita”  para a maioria dos viajantes da Bretagne. Aqui estudantes de arte, que  passariam o inverno no Quartier Latin em Paris, vem quando as folhas  estão verdes, e se organizam para estudar no verão sem pertubações. O  quanto ele triunfa depende deles mesmos.”

Com toda esta tranquilidade Lavan se aprofundou na pintura, sendo   influênciado pela arte de Gauguin, que logo o convida para acompanha- lo nas viagens aos Panama e Martinica, e logo ele aceita se tornando o  grande companheiro de viagem.

Alto e magricela, Laval tinha uma saude debilitada, em partes devido a  seu estilo de vida degenerado. Ávido para evitar a pobreza de Paris e  continuar o trabalho com Gauguin em clima mais quente, em abril de  1887 eles partem para o Panama. Há eles esperavam viver como os  nativos, mas esta noção romantica logo foi desfeita, e a realidade fez  que Laval ganhasse a vida pintando os locais. Porém foi na Martinica  que Laval adotou uma estilo de pintura mais livre e energetica que ele  e Gauguin possuiam em conjunto.

Em Dezembro de 1887, Laval e Gauguin retornam a Paris devido ao  adoecimento deste último. Laval escreve sobre Gauguin nesta época:  “Você  ampliou meus horizontes e criou o espaço ao meu redor- quanto  mais eu vivo mais eu admiro seu talento…”

A paisagem revela a continua influência de Gauguin, e o  desenvolvimento de um esilo próprio de Laval em 1889–90. As formas de  paisagem, as colinas de grama., as arvores descontroladas, os riachos  sinuosos e as gramas nas barrancas ao fundo, todas foram simplificadas  e delineadas com contornos escuros. A pincelada é aplicada até o  contorno em quase forma decorativa e há uma mistura sútil de cores. A  paleta adotada por laval é uma com as matizes mais brilhosas. A grama  das colinas foi pintada em camadas de vermelho, laranja e verdes com  toques de branco, e as árvores, em verdes profundos com toques de  vermelho. Um céu tempestuoso completa o que parece como um paisagem  quase não cultivada.

Devido a seu pouco rendimento financeiro e uma vida relativamente curta Laval não conseguiu desenvolver todo seu potencial artístico.

O auto retrato de Laval foi produto de um acordo entre Van Gogh e vários outros pintores. Van Gogh pediu a Laval, Gauguin e Emile Bernard para lhe enviar um retrato, em troca de um auto-retrato dele. O retrato de Laval impressionou muito Van Gogh que até mesmo incluiu o desenho em uma carta a Theo, para dar a seu irmão uma impressão da pintura.  Ele descreveu o auto-retrato como ‘muito poderoso, muito distinto, precisamente uma das pinturas que você fala: esta está na posse de alguém antes que outros reconheçam o talento. Abaixo o retrato que Van Gogh enviou em retribuição à Laval.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Cri-ações: Max Ernst

Abril 18, 2011

Cri-ações de uma poiésis surreal

que transcenda o sub-realismo

em choque os olhos e sentidos

se chocam tentando fugir

daquele que nunca é o mesmo


Cores que expõe os pan-demonios

que se fazem degenerar o a-movimento

do que se quer fazer cotidiano

E com toda recusa a vossa moral

realismo torpe de vosso lamento

Photo graphein: Pedro Martinelli

Abril 18, 2011

Histórias das músicas brasileiras

Abril 17, 2011

Hermínio Bello de Carvalho é um ser que não se enquadra. Está em diversas artes sem ser nenhuma. Para Gonzaguinha, Hermínio era bahiano de voz e violão, um pai que lhe levou a aprender violão. Para outros ele é um poeta, ou um compositor junto com grandes nomes como Cartola, Elton Medeiros,  Paulinho da Viola, Clementina de Jesus. Para outros ele é músico e produtor musical. Ele é mais do que tudo isto, e posssui uma importância incalculável. Criador do show Rosa de Ouro, fundador e boêmio do Zicartola, um dos maiores divuldadores do samba carioca.  Hermínio tem um acervo virtual com milhares de arquivos de fotos, aúdios, partituras, e outras raridades da música brasileira, não deixe de conhecer. Abaixo colocamos a entrevista inteira feita para a Revista Veredas em 2002.

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Você foi importante para o bom momento que o samba viveu nos anos 60. Entre outras coisas, dirigiu o show Rosa de ouro, ajudou a movimentar o Zicartola e promoveu a volta à cena de cantores e compositores que andavam esquecidos. Nos últimos anos, com o samba ganhando divulgação um pouco melhor, sendo lançados mais discos, Zé Kéti e Elton Medeiros ganhando o Prêmio Shell, craques como Walter Alfaiate, Nelson Sargento, Casquinha e Guilherme de Brito conseguindo gravar e ser reconhecidos, você acha que também é um grande momento para o samba?

Meu parceiro Elton Medeiros, que esteve aqui em casa assistindo a um ensaio do O samba é minha nobreza e se mostrou entusiasmado com nosso trabalho, acha que está por chegar o grande momento para a boa música em geral e, por extensão, para o samba de boa qualidade. O samba foi quase excluído das grades de programação das rádios e televisões. A resistência ainda está nas mãos de Dona Ivone Lara, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Paulinho da Viola e alguns outros poucos que não aderiram ao processo de desqualificação a que foi submetido o samba. O sambista saiu do estereótipo do malandro de camisa listrada e adotou a sunga e o short para explorar motivos temáticos ridículos que lhe foram, possivelmente, impostos pelo feitor que o mantém na senzala e que lhe dá o troco em forma de discos de ouro ou platina e efêmeros lugares nas paradas de sucesso, pagas a peso de ouro. Essa é uma forma de desqualificar o samba e quem o faz.

Mesmo num momento melhor para o samba, os sambistas tendem a continuar se queixando da falta de espaço para cantar, gravar, tocar em rádios, vendo a arte que fazem ser jogada para escanteio em prol dos fenômenos pop. Você acha que é rançoso esse discurso do samba marginalizado?

O discurso pode se tornar rançoso se ficar nessa lengalenga de não se aprofundar a questão ideológica. Há alguns meses fui a São Paulo a convite de meu amigo Sergio Mamberti, fizeram uma homenagem à Clementina e ao Rosa de ouro, e os remanescentes do grupo foram lá: Paulinho, Elton, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho e eu. Foi um delírio, num Memorial da América Latina lotado de jovens que cantavam aqueles sambas apresentados pelo Quinteto em Branco e Preto, meninos antenadíssimos. E onde aprenderam aqueles sambas, que só poderiam ter conhecido através dos discos do Rosa? Me pediram para falar alguma coisa e expliquei que o que mantinha medianamente vivo o nosso trabalho é o fato de que ele guardava uma ideologia, e sempre se trabalhou com a qualidade. Nenhum dos componentes se vendeu ao sistema. A marginalização se dá quando não existe um conceito ideológico guiando as coisas. Mas se você for hoje na Lapa, vai encontrar jovens intérpretes e compositores com a mesma postura de meus colegas do Rosa. Hoje, quando leio os livros sobre música popular e vejo excluídos o Rosa, o Opinião e sobretudo a Clementina, sinto que o preconceito e a exclusão permanecem, pelo menos na memória de alguns jovens historiadores que só conhecem a nossa música a partir da Bossa Nova e do Tropicalismo.

Você está ensaiando o musical O samba é minha nobreza, que deverá estrear em março e também ser lançado em disco. Como surgiu a idéia desse projeto?

O samba é minha nobreza tem esse conteúdo ideológico de que eu falei. Foi Cristina Buarque e sua íntegra carreira a inspiração para esse trabalho. Além da grande sambista que é, na linha de grandeza da Aracy de Almeida, ela pesquisa o samba sem se deixar rotular de pesquisadora. Ela abre clareiras em seu espaço para jovens como Teresa Cristina, Pedro Miranda, Mariana Bernardes, Pedro Paulo Malta e outros cantores que têm uma postura muito clara em relação ao que entendem como carreira artística: gravar música de alta qualidade, sobretudo de compositores hoje excluídos do sistema e que continuam inéditos porque não divulgados. Wilson Batista, por exemplo, continua sendo um inédito. Fiz um disco para a Cristina que se tornou cult, só com sambas do Wilson: Ganha-se pouco mas é divertido. Nunca tocou em rádio. Porque nunca você vai ver a Cristina descer um degrau ou fazer uma concessão para mostrar seu trabalho sem as condições mínimas que não a desrespeitem ou a desqualifiquem diante do público. É com esse combustível que movo minha vida, com pessoas iguais a ela. Diria que O samba é minha nobreza é um trabalho na mesma linha do Rosa.

A maravilhosa caixa Clementina de Jesus, 100 anos, produzida por você em 2001, foi usada como brinde de fim de ano mas ainda não está disponível para o público, Ela estará no futuro? O melhor não seria lançar os oito discos separadamente?

A eterna desculpa que me apresentavam para não reeditar Clementina e Elizeth era a mesma: “Elas não vendem”. Hoje, praticamente toda a discografia de Elizeth está na rua, infelizmente toda pulverizada em “antologias” montadas por neófitos que não a conhecem e desrespeitam o conceito de cada disco que gravou. Recebi uma correspondência vastíssima a respeito. O jovem quer conhecer Clementina, mas a EMI já anunciou diversas vezes que não pretende reeditar os discos daquela caixa. Poderiam fazê-lo. Mas é mais barato adulterar produtos do que apresentá-los condignamente. E ainda, cinicamente, exploram o slogan “disco é cultura”.

Você sempre diz que Mário de Andrade é seu guru. Que tipo de ensinamentos e norte ele lhe deu?

A frase “É preciso abrasileirar o brasileiro” cunhou a minha vida, tanto quanto o aforismo de Salomão que adaptei como exercício de vida: “A mentira é a verdade provisória.” Mário pensou o Brasil de uma forma generosa, investigando-o e descobrindo-o para nós, com sua lupa mágica, despreconceituosa, irradiante e delirantemente brasileira. Do seu quintal, divisava o mundo, sem nunca ter posto os pés na Europa, cuja cultura, no entanto, conhecia em profundidade. Esse olhar brasileiro ele o cedeu a todos nós através de seus livros e da vasta correspondência com Manuel Bandeira, Drummond, Portinari, Moacir Werneck de Castro, Fernando Sabino, Murilo Miranda, Henriqueta Lisboa, Anita Malfatti, Alvaro Lins… Sua paixão por Chico Antonio, por exemplo, é similar à que tenho por Clementina. Foi através dos ensinamentos de Mário que pude ganhar textura perceptiva para entender Clementina. E é essa rosa-dos-ventos que me guia, inclusive no processo de agitação cultural. Sou um frustrado educador. Infelizmente, sou muito ignorante. Por isso, proíbo que me pespeguem rótulos de pesquisador. Odeio rótulos.

A sua aversão a ser chamado de pesquisador é recente ou você sempre fugiu desse termo?

Minha aversão é antiga. Depois que editaram O canto do pajé: Villa-Lobos e a música popular e o livro passou a ser uma referência para alguns estudiosos, essa aversão aumentou. Foi o desconforto de saber que poderia ter feito um trabalho melhor. Porque o que fiz, na verdade, foi desengavetar uma série de artigos e palestras que, a pedido de Mindinha, viúva de Villa-Lobos, eu fazia, mas sem compromisso com um livro, na sua forma mais tradicional. E essa aversão deixa claro meu respeito por uma atividade que exige uma metodologia que desconheço, por uma lupa que não possuo, e por respeitar estudiosos iguais a Sérgio Cabral, Tinhorão, Ary Vasconcellos, João Máximo, Marilia Barboza, Jairo Severiano, Zuza Homem de Mello e tantos outros – estes sim, capacitados para esse exercício. Sou apenas um desengavetador de determinados aspectos antes não abordados da forma específica como o fiz.

Criticam muito você por pôr letra posteriormente em choros. Você interpreta essa crítica como pessoal ou como ao fato em si?

Ela chega a ser pessoal, quando ignora que eu não detonei nenhum processo nem inaugurei qualquer modismo. Sempre se letrou choro. Ademilde Fonseca canta choros letrados há meio século. Acho má-fé quando concentram em mim essa crítica, até porque letrei choros a pedido de Pixinguinha – e não vejo autoridade em ninguém para criticar Pixinguinha ou mesmo Jacob, que chegou a letrar o “Ingênuo”.

Quando você olha para trás e revê o Hermínio menino, você acha que ele imaginava conhecer tantas pessoas importantes e geniais? Que tipo de sonhos você tinha quando criança e que se realizaram?

Quando eu era criança, tinha muitos sonhos, e a Rádio Nacional os alimentava bastante. Também os musicais americanos. Um filme medíocre abalou minha vida, o À noite sonhamos, sobre a vida de Chopin. Vi e revi não sei quantas vezes. Com nove anos eu já me virava trazendo dinheirinho pra casa, lavando vidraças, encerando chão dos vizinhos, entregando encomendas. Aos 16 anos fui ser repórter de uma revistinha muito chinfrim, e aí conheci a Linda e a Dircinha Batista, fiquei amigo de Heleninha Costa, Aracy de Almeida etc. Então aconteceram o Rosa e Elizeth, e no meio disso tudo uma ruptura de conceitos muito grande, já ensaiada na casa do pintor Walter Wendausen e depois solidificada através de Clementina e tudo o que ela representou. Eu era apaixonado por Ingrid Bergman, e, quando a conheci em Londres, o menino que eu fui saiu dançando pela neve que começava a cair. Quando Sarah Vaughan cantou em minha casa, o impacto foi igual ao da visita da Elis, da chegada do Caymmi, do Herivelto, da Dalva, do Lupicínio, do Gonzagão – tanta gente! Eles pareciam saltar dos álbuns em que eu colecionava suas fotos. Não perdi até agora essa condição de mitômano.

Olhando o índice de seu livro Sessão passatempo, percebe-se que muitos daqueles personagens já morreram. Embora inevitável, como está sendo para você conviver com esse acúmulo de saudades?

Conviver com ausências é muito difícil, sobretudo quando se teve o privilégio de conviver com pessoas iguais a Aracy, Clementina, Elizeth, Pixinga. Dizem que eu, nos meus livros, ao narrar fatos acontecidos com esses mitos, acabo falando de mim mesmo. E é verdade. O Sérgio Cabral me instiga muito a escrever minhas memórias. Acho que eu não saberia fazê-lo. Mas escrever sobre Aracy, por exemplo, é voltar à Taberna da Glória, à sua casa do Encantado, ela aqui em casa afagando o Francisco Lano, meu cachorro de estimação, cantando o “Quando tu passas por mim”, me levando às lágrimas. É muito difícil, creia. O sorriso de Carminha Rica, por exemplo, está pregado nas paredes.

Você planeja, no futuro, dar a seu acervo algum destino que o torne público?

Essa é minha pedra no caminho, meu obstáculo, minha grande indagação. Acho que meu grande acervo não está comigo: são as centenas de programas que, por exemplo, produzi para a Rádio MEC e para a TVE. Estou tentando recuperar esse material, porque produzi programas incríveis com gente que estava à margem do sistema. Não consigo muito ter diálogo com os poderes, porque vivemos uma época de muita mediocridade, em que a palavra cultura virou uma espécie de gazua para negócios escusos. Quem me vê brigando pelo (Des)projeto Jacob sem bandolim há de me julgar um doido de pedra, se não conhecer a fundo meu caráter, meu sentido ético e esse eterno brigador que continuo sendo. Mas com uma característica: brigo a favor. Às vezes perco meu tempo denunciando arapucas pseudoculturais que recebem benesses financeiras do governo. Algumas pessoas poderosas se dizem minhas admiradoras, e até acredito que sejam. Mas, objetivamente, continuo ou trabalhando de graça ou pagando para trabalhar. Quanto ao destino de meu material, gostaria que olhos atentos mergulhassem em algumas preciosidades que possuo. E que alguma instituição organizasse esse material, como fizeram com o de Mozart de Araújo. Visitando a Fundação Casa de Rui Barbosa, encontrei minhas cartas ao Drummond docemente arquivadas por ele. Poderia fazer um livro com nossa correspondência passiva e ativa. Mas, agora? Pareceria oportunismo. Deixe que passem os 100 anos dele, ou então que chegue meu centenário (não tão distante assim…). Costumo dizer aos meus amigos que já não sou um homem, mas uma lápide ambulante.

Você diz que tem um lado brigão ativo, como ficou claro no “Depoimento” que circula na internet. Mas, para se manter amigo de tanta gente, é preciso uma boa dose de suavidade e até lirismo. Onde termina o lírico e começa o brigão, ou eles estão sempre misturados?

O Aldir Blanc, na orelha do Sessão passatempo, fala desse lado melhor do que eu falaria. Mas uma coisa maravilhosa que esse “Depoimento” acabou me trazendo foram dezenas de mensagens lindíssimas, vindas de gente muito jovem. Sou uma dama, um doce de coco, sou de chorar em novela das oito. Mas brigo quando me afrontam ou me fazem injustiças.

E essas internações freqüentes, como têm modificado sua vida?

Sou hiper-hipertenso, já tive uma isquemia há uns cinco anos, volta e meia estou numa emergência de hospital, e a perda de um amigo, por exemplo, é uma parcela de mim que vai embora. Mas enfrento. Vivo à base de tranqüilizantes, só durmo com remédios, e já estou com prazo vencido. O homem brasileiro não vive em média 65 anos? Pois é. Já vou para os 67.

Herminio e a violonista Maria Luiza Anido, em Paqueta-RJ

A cantora Olívia Hime (centro), Marília Batista (violão), Manoel (Mão de Vaca) da Conceição e Hermínio Bello de Carvalho, durante gravação de programa na TVE.

O jogador de futebol Garrincha, Hermínio Bello de Carvalho e a cantora Elza Soares, em Madri (Espanha).

Foto de Aracy de Almeida com Hermínio no sempre presente Zicartola

O então presidente Getúlio Vargas se despede da cantora Linda Batista que parte para Paris. O Jovem Hermínio acompanha a cerimônia

Notas sobrepostas

Abril 16, 2011

  • Uma  das divinas damas do samba brasileiro que criou diversas gerações do samba, Dona Ivone Lara completou ontem 90 anos de muito samba. Ela mantem a alegria mesmo com a sabotagem das gravadoras que a querem ver esquecida. Mas enquanto este bloguinho estiver na linha produtiva Ivone Lara continuará com muito samba.
  • Aos moradores de Salvador que querem dar um clique nas imagens vivas  da cidade pode começar fazendo o curso “Fotografia Brasileira:  origens, convergências e miscigenações.” As inscrições são feitas   somente no Instituto Casa da Photographia até esta segunda (18 de  abril). O curso será composto Ângela Magalhães e Nadja Fonseca  Peregrino e os participantes e ocorre de 26 a 29 de abril no Ciranda  Café Cultura e Artes.
  • Imaginem um festival de cinema todo exibido e votado via internet. Ele  existe é o “Festival de Cinema Invisível”  que está ocorrendoaté  11  de maio e em que se pode assistir gratuitamente cinemas europeus e  espanhóis de dois anos passados que não entraram em cartaz nas salas  de exibição brasileiras. É só assistir e votar nas diversas  categorias. No festival pode ser visto clássicos do cinema espanhol  como Calle Mayor, O espírito da colméia de Victor Erice, La Caza (A  caça) de Carlos Saura, Viridiana de Luis Buñuel, entre outros.
  • Hoje e amanha acontece no Rio de Janeiro,o encontro “O poder da  comunicação: a mídia contra o povo”. O evento ocorrerá no auditório do  Sindipetro- RJ e tem como objetivo estimular o debate sobre crítica à  mídia e analisar impactos e formas de manipulação no jornalismo, na  arte e na publicidade. O público-alvo é toda a população. Inscrições  pelo email: midiacontraopovo@gmail.com

  • O Motorhead vai derreter a cidade de São Paulo nesta noite de 16 de  abril com seu metal pesado na turnê de se novo disco “The World is  Yours”. Com 35 anos de rock, Lemmy Kilmister toca amanhã em São Paulo  para divulgar o seu novo álbum de estúdio, The World is Yours.  O show  do Via Funchal. Com esta já são 6 turnês pelo Brasil e a banda estará  de volta para a Noite METAL do Rock in Rio em setembro.Lemmy foi o  roadie mais famoso de Jimi Hendrix e mostrará tudo que aprendeu. 
  • O teatro Alfa abriu sua temporada de dança e terá a esperada  apresentação da companhia de dança Pina Bausch Tanztheater Wuppertal  que apresenta o espetáculo Ten Chi.A coreografia criada por Pina  Bausch em 2004 é inédita por aqui e é ensaiada pelo grupo com direção  de Robert Sturm e Dominique Mercy. O espetáculo será exibido hoje e  amanhã (16 e 17) e continua na segunda e terça(18 e 19). Preços quase  pra-pularem entre 60 e 200 tocos.
  • A prefeitura de São Paulo realmente se esforça para fazer uma noite diferente na Virada Cultural, chama artistas bacanas, músicos talentosos, muda a arquitetura. Mas apesar de tudo diminuiu a quantidade de bebida e fechou os bares… Assim as dionisiakas não aguentam.
  • A artista japonesa radicada no Brasil Tomie Ohtake exibirá novamente a série de 30 telas com com os olhos vendados e que chama “Pintura às Cegas”. A mostra ocorre no instituto de Tomie em São Paulo.

  • A Galeria Artplex Botafogo do Instituto Moreira Sales abriu ontem uma exposição que vai até 15 de julho e que trata sobre o futebol. A mostra traz fotos entre 1940 e 1960 e mostram a paixão brasileira pelo futebol dos torcedores, times, além da construção dos grandes estádios como Maracanã e Pacaembu. As fotos da amostra são imagens de Thomaz Farkas, Hildegard Rosenthal, Marcel Gautherot, Juca Martins, Alice Brill, Carlos Moskovics e José Medeiros.
  • Demorou para abrir estas notas esquizas. Não se preocupe muito.A popularissima presidenta do Brasil Dilma Rousseff alterou o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) nesta semana aumentando a conexão que era até 600 Kbps (kilobits por segundo)  para 1 Mbp (megabit) sem auteração do preço que continua R$ 35,00. A razão disso é o atraso do Brasil em relação ao resto do mundo. Fluxos dilmicos.
  • Está em cartaz em Brasília a exposição Mundo Jurássico, que mostra 22 réplicas em tamanho real de dinossauros encontrados em todo mundo. As crianças e adultos podem ver espécies como o Tricerátopo,o Espinossauro, o Estegossauro, o Alossauro, o voador das américas Quetzalcoatlus e o grande Tiranossauro Rex que tem 7 metros de altura e 14 metros de comprimento. A mostra ainda tem fósseis, porém estes não são eletrônicos. Os dinos foram feitos na China. Os ingressos custam ao menos 40 reais.
  • A cidade de Bragança Paulista está em um grande impasse devido a um edital publicado para a reforma do Colégio São Luis/Carrozo. Isto pois segundo a agência Brasilianas, necessitam empresas capacitadas para fazer esta reforma do único centro cultural da cidade. Porém forças políticas contrárias querem usar a jimbra para o recapeamento das  esburacadas ruas da cidade. Espera-se que a cultura vença mais esta brecha.

  • A cantora Lady Gaga tem o seu segundo single do álbum novo “Born this way”, a música Judas tem o lançamento oficial para a próxima terça (19). Mas como este bloguinho está na linha louca de Gaga já trazemos o Judas para vocês ouvirem por aqui.
  • O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio exibe a partir de terça (19) ao dia 24 de abril a “Semana Semi Salomão Cinema II”. A mostra mostra os cinemas deste cineasta independente ainda hoje desconhecidos. Os cinemas de baixo orçamento tratam desde casos de terror até espionagem, causos policiais e comédias. Os filmes exibidos são: O Reencarnado (2000), Visita Inesperada (2003), A Bruxa do Cemitério (2004), Histórias do Sobrenatural (2006),Hotel América (2007),Envolvimentos Perigosos (2008) e São Salomão (2010).
  • O Projeto Cortinas líricas continua exibindo suas produções cortantes no Teatro Oficina. Hoje (16) apresenta-se o espetáculo “Grande Sertão: Variações” que mostra a viagem do violão erudito com dialogos poiéticos de Guimarães Rosa por Alexandre Moschella. E neste domingo (17) O coral da Cultura Inglesa apresenta uma mostra de seus 30 anos especial da Semana Santa sob a regência do maestro Marcos Júlio Sergl. O coral é aberto à novos participantes.
  • O Instituto Moreira Salles da Gávea abriu ontem até o dia 24 o Projeto Rumos Cinema e Vídeo 2009 – 2011. Na programação 21 filmes  A Verdadeira História da Bailarina de Vermelho (Alessandra Colasanti  e Samir Abujamra), Museu dos Corações Partidos (Inês Cardoso), Casa – Construção (Katia Maciel),  Som do Tempo (Petrus Cariry) entre outros. Confira a programação.

  • O baú do Jimi Hendrix não tem fundo. Isto pois nos conta o NME que estão lançando diversas raridades de Hendrix neste mês nos EUA como o inédito “Soul Southern Delta” além de um novo DVD de Hendrix e the Band of Gypsy’s Live At The Fillmore East.E também um single em vinil com uma versão alternativa para Fire e a música nunca lançada  “Touch You.” Quem preferir o CD vai ouvir também outra raridade como “Cat Talking to Me”. Mas vocês podem ouvir esta música exclusiva do CD aqui.

  • Aos FREUD-anus e simpatizantes a Casa de Cultura Laura Alvim no Rio de Janeiro apresenta o espetáculo teatral “Variações Freudianas 1: O Sintoma”. Este espetáculo mistura teatro, música, dança, vídeo e psicanálise para trabalhar a teoria do inconsciente freudiano e os sintomas atuais. A peça fica em cartaz  até 29 de maio, todos os  sábados e domingos. Os textos são do psicanalista Antonio Quinet que é médico e doutor em filosofia (Paris VIII). Que libertem os sintomas.
  •  Um dos grupos mais considerados do atual samba carioca, o Roda de Bamba. Este grupo traz no repertório Fundo de Quintal,Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Paulinho da Viola,  João Bosco entre outros. O Roda de Bamba já é figura dos terreiros já participado de cantorias com Dona Ivone Lara, Monarco, Leci Brandão, Almir Guineto, Luis Carlos da Vila entre outros. O concerto ocorre no centro cultural Carioca até o dia 22. Sambados.

  • E falando em Bono Vox, chegou no Brasil além de sua banda, o livro de histórias ilustrado por ele e suas duas filhas Eve e Jordan. Trata-se da história infantil  “Pedro e o Lobo” que dispensa apresentações. Queremos ver se Bono se engaja nos quadrinhos também.
  • Os cineclubes de São Paulo estão com uma programação esquizo esta semana. Na sede do Centro Cineclubista de São Paulo (CECISP) o Cineclube (Anarquista) Terra Livre apresenta  amanhã (17) as 18 hrs duas obras do genial cineasta francês Jean Vigo: Zero de conduta (1933) e A propos de Nice (1930). E hoje no mesmo local o Cine Afro Sembene apresenta os afros “Rastros, pegadas de mulher” da senegalesa Katy Léna Ndiaye . Tudo grátis.

Festival de Cannes 2011: os cinemas e a falta de movimento

Abril 16, 2011

Os festivais de cinemas não deveriam serem usados como vitrines ou passarela de vaidades do glamour da indústria fílmica. Na verdade há muito tempo que os festivais de cinema não são para discutir realmente o cinema. São mais mostra das novas produções e formalidades tolas. Não há mais um quarto 666 para que se haja um debate sobre a maneira que se faz cinema. O festival se resume a premiar e exibir. Não deixa que o cinema seja uma atividade para o mundo, se tornando apenas um cerimonial. É por isso que cinema não é um prêmio, é um corte nas formas de relações de qual a premiação faz parte.

O FESTIVAL DE CANNES

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Mesmo festivais tradicionais como Veneza e Cannes dificilmente escapam da premiação e mostra de cinemas. É por isso que Godard não entra, não se interessa por esta produção.

A edição de número 64 do festival já exibiu diversos cinemas e até reuniu diretores para fazer um coletivo (como Chacun son cinema). De qualquer forma Cannes é uma mostra de cinema.

E mais uma vez com um juri composto por diretores como Robert de Niro (Presidente do Juri da Competição), Michel Gondry ( Juri da Cinefundação e de curtas), Emir Kusturica (Juri da mostra Un certain Regard) e Bong Joon-Ho (Juri da Camera d’or)

Para esta grande mostra de cinema o festival anunciou hoje uma lista ainda não completa dos cinemas participantes:

Cinemas em Competição

La Piel que Habito – Pedro Almodóvar
L’Apollonide – Betrand Bonello
Hearat Shulayim – Joseph Cedar
Pater – Alain Cavalier
Bir Zamanlar Anadolu’da – Nuri Bilge Ceylan
Le Gamin Au Vélo – Jean-Pierre e Luc Dardenne
Le Havre – Aki Kaurismaki
Hanezu no Tsuki – Naomi Kawase
Sleeping Beauty – Julia Leigh
Tree of Life – Terrence Malick
La Source de Femmes – Radu Mihaileanu
Polisse – Maïwenn Le Besco
Ichimei – Takashi Miike
Habemus Papam – Nanni Moretti
Melancholia – Lars Von Trier
This Must Be The Place – Paolo Sorrentino
Drive – Nicholas Winding Refn
We Need To Talk About Kevin – Lynne Ramsay

Un Certain Regard (Por Diretor)

Bakur BAKURADZE-  The hunter
Andreas DRESEN-  Halt auf freier strecke
Bruno DUMONT – Hors satan
Sean DURKIN – Martha marcy may marlene
Robert GUÉDIGUIAN – Les neiges du Kilimadjaro
Oliver HERMANUS-  Skoonheid
HONG Sangsoo – The day he arrives
Cristián JIMÉNEZ – Bonsai
Eric KHOO – Tatsumi
KIM Ki-duk-  Arirang
Nadine LABAKI – Et maintenant on va ou?
Catalin MITULESCU – Loverboy
NA Hong-jin – The yellow sea
Gerardo NARANJO – Miss Bala
Juliana ROJAS, Marco DUTRA – Trabalhar Cansa
Gus VAN SANT – Restless
Pierre SCHOELLER- L’Exercise d’etat
Ivan SEN – Toomelah
Joachim TRIER – Oslo, August 31st

Fora da competição

The Beaver – Jodie Foster
The Artist – Michel Hazanavicius
Piratas do Caribe 4 – Rob Marshall
La Conquete – Xavier Durringer

Sessões especiais

Labrador – Frederikke Aspock
Le maître des forges de l’Enfer – Rithy Panh
Un documentaire sur Michel Petrucciani – Michael Radford
Tous au Larzac – Christian Rouaud

Quem abre o festival é o novo filme de Woody Allen “Meia noite em Paris”. Desencannes-sem.