Archive for Julho, 2011

Histórias das músicas brasileiras

Julho 31, 2011

Zé Geraldo é um músico mineiro de Rodeiro (não confundir com o ilustrador e escritor ou com o deputado do PT do Pará que têm o mesmo nome). Cantor de músicas regionais e popular Zé Geraldo é bastante conhecido e sempre lota seus shows.

As músicas de Zé foram conhecidas de Festivais ou ainda foram regravadas por outros artistas como Zé Ramalho, Juraildes da Cruz entre outros. Com uma influência variada (de Tião Carreiro a Bob Dylan), Zé participou em diversas cantorias e gravou músicas com Luiz Vicentini, Bacupari, Johnny e Jadson, Rita de Cascia e participou de um CD gravado para o Movimento dos Sem Terra (MST)

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“Eu me lembro que por volta dos meus 15, 16 anos já tinha alguma coisa. Os meus primeiros versos eram para as namoradas. Eu era garoto ainda, estudante. Fazia sempre um versinho escondido, guardava só para mim. Aí fui pegando o hábito de escrever. Tanto que eu primeiro criei o hábito de escrever para depois aprender violão e a musicar algumas coisas. Mas eram versos simples, falando de relações, de encanto por outra pessoa… normalmente, para as namoradas. Eu era garoto ainda, estudante. Fazia sempre um versinho escondido, guardava só para mim. Aí fui pegando o hábito de escrever. Tanto que eu primeiro criei o hábito de escrever para depois aprender violão e a musicar algumas coisas. Mas eram versos simples, falando de relações, de encanto por outra pessoa… normalmente, para as namoradas. Depois, com o passar dos anos, é que o universo foi se abrindo e os temas foram outros. Mas, no início, eram românticos.

Na realidade, eu queria ser jogador de futebol. Como eu torço para o Santos… Quando eu vim para cá (São Paulo), eu já escrevia alguns versos, mas eu nunca imaginava que eu ia ser um artista profissional. Achava que eu ia jogar bola. Mas eu já gostava da noite e era incompatível. Mesmo assim, eu jogava bola aqui em São Paulo, na várzea, com meus amigos. Aí quando foi na virada do ano, que eu entrei de férias, fui passear em Governador Valadares e foi aí que mudou tudo: foi um acidente de carro que eu sofri na volta. O ônibus que eu viajava bateu em uma carreta. Fiquei um ano no hospital. E nesse um ano que eu fiquei no hospital, aprendi a arranhar uns acordes no violão e já sai compondo. Aí começou minha estrada musical mesmo. Daí passei em Santos uma temporada e tinha uma banda de baile lá, Blue Up, com quem também me relacionei, cantei algumas coisas. Depois vim para São Paulo. Aí começou minha história musical. Mas foi um acidente que me levou, porque meu sonho mesmo era jogar bola.

IDA À SÃO PAULO

Vim estudar, trabalhar, fui para Santos fazer fisioterapia, depois vim para São Paulo, tentei gravar. Gravei como ZéGê, um apelido que eu tinha. Eram canções muito… não era o que eu queria fazer. Depois fui cantar nos bailes. Aí deu esse tipo de música que eu faço. Depois passei a gravar em 1979.
Durante o período em que eu era músico de baile, comecei a trabalhar durante a semana na área de Recursos Humanos e acabei virando gerente de RH. Fiz uma carreira de executivo que estava prosperando, progredindo, mas aí nos fins de semana eu tocava. Chegou uma hora que tomei coragem e comecei a botar minhas músicas nos festivais. Num desses festivais, estava um cara da CBS, Romeu Giosa, que era um produtor da CBS na época. Ele me pegou num desses festivais e me levou para a gravadora. Eu saí do trabalho que eu tinha (8, 9 anos que eu estava numa empresa), mas aí passei a gravar em 79 e a me dedicar só à música.

Eu me especializei na área de Recursos Humanos. Era um trabalho que me deixava feliz também. Foi um período da minha vida que eu tocava nos botecos em reuniões com os amigos e me sentia feliz. Porque as gravadoras estavam fechadas para mim. Pelo menos quando eu me encontrava com os amigos, sentava num boteco, tomava uma, cantava, mostrava minhas músicas novas. E eu era feliz no meu trabalho, porque a área de RH – e eu trabalhei em uma grande empresa em âmbito nacional que tinha uma política de RH bastante interessante. Eu realizei coisas bonitas nessa área, que eu deixei implantadas. Profissionalmente, eu estava me realizando. Mas, paralelamente, eu fazia a música, que era o meu sonho. Chegou uma hora que não dava para seguir com as duas coisas e eu optei pela música.

A IDENTIDADE ZÉ GERALDO

Por volta dos meus 22 anos, fui passar as férias de fim de ano com minha família em Governador Valadares e, no último dia do mês de Março, embarquei de volta pra São Paulo no ônibus número 90 da Viação Transcolim. Tinha passado o dia jogando bola às margens do Rio Doce e, por estar cansado, pensei que fosse dormir com facilidade. Qual nada. Saímos de Valadares às 5 da tarde e, por volta das 9h da noite, paramos pro café em Realeza. Comi um churrasco de gato, tomei uma ampola dupla de caipirinha e lá vamos nós pra estrada. Já estava meio adormecido quando, de repente, uma mistura de barulho de motor, pneus arrastando no asfalto, gritos, e não era pesadelo não. Era real. Quando percebi o que tinha acontecido, já estava na enfermaria do Hospital de Carangola, onde passei praticamente um ano para me recuperar das diversas fraturas. Este acidente mudou completamente a minha rota.

Durante o período no hospital, meu amigo Paulo Cotta me levou um violão e desenhou alguns acordes num papel, e passei a compor e a cantar pro pessoal da casa. Saí do hospital e fui pra Santos fazer fisioterapia. Fiquei morando na casa do meu primo Zé Ferreira, que me ajudou bastante e, através dele, cheguei à banda de baile The Black Cats, mais tarde Blow Up, grandes amigos que foram muito importantes na minha história musical.

Dos muitos apelidos que eu tive na rua e no futebol, alguns impublicáveis, um que realmente pegou foi ZeGê, que acabou sendo o meu primeiro nome artístico, quando gravei três compactos e um LP na Gravadora Rozemblitt. Através do meu primo Ferreira e mais dois empresários (Sr. Roberto Borroughs e Mario Freitas), cheguei à gravadora que ficava na Rua Conselheiro Nébias, travessa da Av. Duque de Caxias. Lá conheci o trio vocal carioca The Snacks (Edson Trindade, Altair e Fernando) que moravam na mesma rua da gravadora e fui morar com eles. Dias depois, chegou um amigo deles, vindo dos Estados Unidos e se juntou a nós. Seu nome: Tim Maia.

Moramos ali por volta de um ano e meio, toda noite era uma cantoria danada. Eles quatro cantavam todo o repertório black da Motown e eu, pobre caipira, ficava admirado do que via e ouvia. Nesta época comecei a questionar minhas composições, em sua maioria muito românticas. Os empresários ao meu redor apostavam que eu seria um novo Roberto Carlos. Não era o que eu queria. Larguei tudo e fui cantar Bob Dylan, Rolling Stones, Ataulfo Alves e outros, durante oito anos de baile na noite paulistana. A banda Thoró acabou sendo a mais marcante na minha história de bailes. Quando a gente tocava Creedence Clearwater Revival, tremiam os salões da periferia de Sampa. Os anos de baile me deram segurança pra levar minhas músicas aos palcos dos festivais. Aquele ZeGê, menino medroso que se escondia de vergonha atrás dos amplificadores dos primeiros bailes, já não tinha medo de assumir sua identidade: Zé Geraldo.

O PRIMEIRO DISCO SAIU…

Em 84,85. Meados dos anos 80. Acabei de gravar agora o 16º, são dez trabalhos que eu estou fazendo nesse modelo. Agora, por exemplo, se uma gravadora dessas daí, uma multinacional sorrir para mim, que nem aconteceu com o Lobão, por que não? Agora eu tenho condição de discutir com eles, de negociar. Muita gente criticou o Lobação. Não. Ele tá certo. Ele viu quanto valia e foi negociar. Pagaram quanto ele valia e el foi. Isto é natural do ser humano. Burro é o cara que não tem perspectiva de mudar. “Não, eu vou ser isto a vida inteira”. O cara tem que ter perspectiva. Então, eu sou independente, estou muito feliz assim, tenho nosso próprio selo, é modesto, mas se amanhã aparecer um lance desses, por que não? Estou no mercado, sou um artista como outro qualquer e se as circunstâncias de momento forem favoráveis a isso, não tem grilo não. Perdi o pudor completamente. Depois que você chega a determinado amadurecimento, que o sol te queima bastante o pelo, aí você vê que tem mais firmeza no que você quer.

A MÍDIA E A FALTA DE ESPAÇOS

Às vezes é preconceito, às vezes é falta de informação, às vezes é preguiça para o cara ouvir meu trabalho, ou às vezes é grana, o jabá. Foi difícil eu chegar a essa conclusão. Às vezes a pessoas não ouve e não gosta, entendeu? Tem muito cara que me chama de regional até hoje, “o artista regional Zé Geraldo”. O cara não escuta meu trabalho desde o início. Só conhece uma parcela do meu trabalho… às vezes é má vontade mesmo, preconceito, às vezes é jabazeiro mesmo, que só ouve uma coisa se tiver uma grana na mão. O mercado é isso aí.
Olha, custa caro. Custa caro porque a gente as vezes viaja em condições desfavoráveis. O artista, quando está na mídia, tem uma série de coisas que ajudam. Agora, eu acho que o importante é você se sentir íntegro, inteiro, como eu me sinto hoje com meu trabalho. As pessoas valorizam minha música. Estou cumprindo meu papel, estou atravessando aí a minha estrada. Já fui um cara mais amargo nos momentos difíceis que eu passei. Depois eu deixei isto tuodo para trás e vi que eu tinha um grande público que segurava a minha onda e que eu tinha mais é que seguir em frente.

Transcrição da entrevista dada para Marcelo Abud (O Toque)

Zé Geraldo é uma pessoa tranquila e de muitos companheiros e amigos

Ex-pretendente a jogador, e amante do futebol Zé Geraldo toma umas com o ídolo do futebol e um dos últimos craques que o futebol canarinho teve: Sócrates.

Zé Geraldo com sua música auxiliou no engendramento músical de sua filha e também cantora Nô Stopa

Um time de mestres Toninho Horta, Pena Branca e Zé Geraldo

Zé com seu amigo e cantador de muitas cantorias em conjunto Xangai em Vitoria da Conquista- BA

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Notas compostas

Julho 30, 2011

  • Depois  da primeira semana pós-winehouseana e cheia de tristezas, conspirações, tentativas de rasteiras pela mídia parasitária um fato chamou atenção. Um repórter do jornal escocês ” Scottish Sunday Mail” afirmou (ou confessou) que o telephone de Amy Winehouse foi grampeado pela mídia que também tinha sua ficha médica “acessada com rotina pelos tablóides”. Informou ainda que a família de Amy:o pai Mitch, a mãe Janis, o irmão Alex e o ex-namorado  Blake Fielder também foram grampeados. E afirmou que “não tem idéia como o hackeamento contribuiu para sua morte, mas o que sei é que a garota estava sobre uma pressão imensa dos tablóides em sua carreira inteira- talvez por que ela era tão talentosa”.  É …a mídia acéfala não suporta isso… eles são parasitas no estilo e método do Orelhudo Daniel Dantas. Haja crimes…

 

  • Em Recife a Orquestra Sinfônica da cidade se apresenta gratuitamente hoje (30) em dois horários as 10:30 hrs e as 20 hrs no Teatro Santa Isabel. No repertório da orquestra temos o aniversariante Liszt e Brahms.

 

  • A arte cinematográfica brasileira nunca foi apreciada tanto pelo grande público. É só perguntar para as pessoas que vão ao cinema se eles sabem quem são Glauber Rocha, Sérgio Ricardo, Luis Sérgio Person, Eduardo Coutinho, Leon Hirszman , Alberto Cavalcanti, Rogério Sganzerla entre outros. Quase uma nulidade de respostas. Produtoras como Vera Cruz, Atlântida, Belair e muitas outras sumiram e hoje são quase esquecidas. Mas o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo e do Rio traz a Retrospectiva da produtora de cinema Maristela que teve atividade na década de 50. A mostra que começa na terça (2) e vai até o dia 14 de agosto em parceria com a Cinemateca Brasileira. Traz cinemas como “Meu destino é pecar” de Manuel Pelufo, “Mãos sangrentas” de Carlos Hugo Christensen, “O canto do mar” de Alberto Cavalcanti, “Arara vermelha”  de Tom Payne entre outros.

 

  • O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) inaugura nesta segunda às 15 horas no Jardim de Esculturas, o Circuito da pintura que traz vagas limitadas. No circuito serão usados em pintura em tela e papel  palitos, pincéis, esponjas, vassouras e o próprio corpo. Inscrições no local 30 minutos antes do início. Para maiores informações, ligue (11) 5085-1313.

  • Pablo Dylan é neto do grande homem Bob Dylan, além de ser músico. Porém quem está pensando que ele canta a música folk do avó, ou os rocks do pai Jakob Dylan (do The Wallflowers) está enganado. Pablo é um rapper de 15 anos que já lançou sua primeira música ’10 minutos’. Em uma entrevista ao sítio Allhiphop.com ele disse que seu avô Bob Dylan foi o Jay-Z de sua época  e que “tem um legado que muitas pessoas seguiram. Eu o amo até o fim(…) Claro que nós fazemos coisas diferentes e eu não quero que as pessoas me vejam pelo que ele fez. Mas o que eu faço, quero dizer de um ponto musical, é definitivamente influenciado por ele.” Baixe a música Top of The World para conferir, ou dê uma olhada no vídeo por aqui

 

  • Aos pessimistas uma boa (ou péssima notícia)… Segundo o relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) divulgado esta semana o Brasil pulou dez posições em dois anos e hoje se encontra no 5º país em atração de investimentos. Isto mostra a importância internacional que o Brasil tem hoje porém vai muito mais além do que números e cifras. Houve uma redução enorme da miséria e um avanço educacional relevante. Isto convertido no social mostra uma população mais ativa socialmente com condições de se sentirem participantes e não inferiores. Vamos lá Brasil que o Tio Sam vai tocar nossa rabeca de cueca.

  • O Rio de Janeiro receberá até o dia 14 de agosto obras de um dos artistas populares mais importantes e que utilizou sua loucura como linha de corte produtiva da criação artística. Trata-se da exposição do “artista do Fio” que traz na Caixa Cultural as obras do sergipano de Japaratuba, Arthur Bispo do Rosário que foi paciente psiquiátrico da  Colônia Juliano Moreira. As obras foram feitas com fios de sua roupa e de outros internos. Na exposição poderá ser conferido 160 obras do artista pela primeira vez apresentadas ao grande público. Raso realismo de vocês…

 

  • Atenção antes de dar aquela transa rasgada. Além de usar a camisinha para se prevenir e não engravidar lembre de uma coisa. Caso você ou sua parceira engravide atente para esta pesquisa… A conclusão de um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostra que usar tintas de cabelo ou alisadores durante os três primeiros meses de gestação aumenta o risco de a criança desenvolver leucemia. O perigo é ainda maior nos casos de um subtipo da doença, a linfoide aguda, responsável por 75% dos casos. A pesquisa durou 10 anos em todo o Brasil (menos região Norte) com 650 mães e mostrou que há uma associação entre a exposição aos produtos com o desenvolvimento de leucemia. Além disso um estudo americano mostra que a mãe além de evitar o estresse, deve evitar pílula anticoncepcional até três semanas após o parto, pois há possibilidade de formação de coágulos sanguíneos que podem matar e se fizer cesária deve aguardar até seis semanas, já que pílulas com estrogênio e progestina elevam o risco de coágulos nas veias profundas (tromboembolismo venoso).

 

  • A cantora Lauryn Hill deu a luz a seu sexto filho no ultimo sábado, um belo garoto. Porém nesta última terça ela divulgou o que ninguém esperava. O pai de seu sexto filho não é Rohan Marley , o filho de Bob Marley e pai dos outros cinco. Porém afirmou “Ao contrário dos muitas notícias, Mr. Marley não me abandonou enquanto eu estava grávida com sua criança… Tivemos longos períodos de separação por mais de anos, mas nossas 5 crianças juntas permanecem uma alegria para nós dois”. Esperamos de quem seja o filho, que seja criado com muito amor e música… reggae com rap, dub com soul e sem faltar um rock bom…

 

  • O Instituto Tomie Ohtake trará em outubro uma exposição de Charles Chaplin trazendo mais de 200 documentos, imagens e vídeos do mestre.A exposição rodou parte do mundo e agora chega ao Brasil e segundo o curador francês a mostra vem aumentando há cada país que passa onde coleta muitas informações.

Mia Farrow, Maurice Evans e Roman Polanski  em O bebê de Rosemary

  • Nesta semana o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro iniciou uma mostra de cinema do controverso diretor polonês Roman Polanski em “Polanski é um Gênio?”. Em cartaz até o dia 7 de agosto, a mostra traz grandes clássicos como Repulsa ao sexo, O Bebê de Rosemary, O Pianista, Chinatown , Tess, Lua de fel,  A dança dos vampiros  e o último cinema dirigido por ele: “O escritor fantasma” entre outros. Mesmo ficando de fora os curtas geniais da “fase polonesa” esta mostra é importante para compreender a construção de cinemas deste diretor.

 

  • Um dos grupos mais dedicados ao estudo e potencialização da dança, o Grupo Corpo inaugura nesta próxima quinta (4) no Teatro Alfa em São Paulo seu novo espetáculo “Sem Mim”. Este traz a relação entre Brasil e a região espanhola da Galícia, com a troca de culturas, pessoas e subjetividades . Com uma ligação no mundo medieval, o espetáculo traz música de  José Miguel Wisnik e Carlos Núñez tomando por base sete “cantigas de amigo” (ou de amor) do poeta Martín Codax (séc. XIII). O espetáculo traz instrumentos como viola, pandeiros, gaita de fole, ocarina, violões entre outros. O espetáculo contará com participação de Chico Buarque, Milton Nascimento, Mônica Salmaso, Jussara Silveira e Ná Ozzetti. Atenção nas datas 04 a 07 e 10 a 14 de agosto. Ingressos a partir de 40 reais (inteira). Corra e volte dançando.

 

  • Um dos maiores teatrólogos do Brasil, Augusto Boal que foi embora há dois anos e deixou muita coisa. Tanto que tem um grande número de material catalogado. Porém uma notícia estrondou este Brasil: o acervo de Boal pode deixar o Brasil rumo aos Esteites para a Universidade de Nova Yorke (onde Boal lecionou). A  viúva e guardiã da obra, a psicanalista Cecília Boal, desmintiu de que teve recusa do governo federal para tratar o assunto. Tanto que Cecília certamente irá conversar com Dilma Rouseeff, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e o ministro da Educação, Fernando Haddad para ver as possibilidade de que este acervo seja restaurado e tenha parceria instituicionais em uma rede cartográficas de culturas e construções de afetos boais. Em outubro ela irá a Brasilia para a participação do projeto que homenageia Boal “Mitos do Teatro Brasileiro” e quem sabe este encontro ajude a divulgar cada vez mais nossas veias abertas…

 

  • Uma das companhias de discos mais conhecidas do mundo, a Rhino Records está preparando o lançamento de uma caixa com a obra completa do grupo The Smiths. Em The Smiths Complete – Deluxe Collectors Box Set que sairá pelo mundo em outubro, vai rolar versão remasterizadas dos oito álbuns da banda em CD e vinil, reprodução de todos 25 singles em 7 polegadas, um DVD com todos os vídeos da banda, livro de notas, pôsteres e trabalho de arte. Todos LPs e Single vão ser lançados em vinil de 180 gramas.

  • Em Agosto a cantora Mexicana Julieta Venegas estará por aqui… de novo. Ela se apresenta no dia 26 do festival Sonidos e no dia 31 estará em Porto Alegre. Então vai guardando seus trocados por que com esta chica vale a pena o rockkk…

 

 

Porão do Rock

Julho 29, 2011

Começa hoje as 19 horas em Brasília e vai até amanhã a 14a edição do Porão do Rock que aconecerá no Complexo do ginásio Nilson Nelson. Além de muito rock, metal, punk rock hardcore, o festival ainda conta com a cena independente brasileira e atrações internacionais como os americanos Jon Spencer Blues Explosion, Helmet, The DT’s os argentinos The Tormentos e os finlandeses do Symfonia.

Além disso não poderia faltar bandas brasileiras conhecidas mundialmente como Angra, Ratos de Porão, Krisium e até o grande e exímio bandolinista Hamilton de Holanda. Só no rock confira a programação abaixo e corra para comprar os ingressos. 

29/7

Palco Extremo

Gnomos da Jamaika
Quebraqueixo
Bruto
Ratos de Porão (SP)
Angra (SP)
Silent Raze
Hibria (RS)

Palco Chilli Beans
Cultura & Mano
Garotas Suecas (RS)
Copacabana Club (PR)
Hamilton de Holanda
Cidadão Instigado (CE)
Valdez
Helmet (EUA)

Palco UniCEUB
Marmitex S.A.
The Tormentos (ARG)
Vespas Mandarinas (SP)
Brown-Há
The DTs (USA)
Raimundos
Dead Fish (ES)

30/7

Palco Extremo
Pleiades (MG)
Selenita
Red Old Snake
Eminence (MG)
More Tools
Krisiun (RS)

Totem
Symfonia (Finlândia)
Palco Chilli Beans
Mary Stuart
Brollies & Apples (RJ)
Érika Martins (RJ)
The Neves
Dead Rocks (SP)
Lucy and The Popsonics
DeFalla (RS)

Palco UniCEUB
Distintos Filhos
Bang Bang Babies (GO)
Etno
Camarones (RN)
Bilis Negra
Jon Spencer Blues Explosion (EUA)

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Julho 29, 2011
Saint-Rémy-de-Provence, 23 de maio de 1889
A  colhedoura (1854) ,JUNDT


La faneuse , Strasbourg .  Musée d’art moderne et contemporain
Van Gogh está em Saint-Remy mais uma vez se tratando de sua loucura. Neste des-lo(u)camento, o pintor escreve sobre seus anseios, sua percepção da loucura e sobre outros artistas que entraram em um outro estado esquizo:

” Mas sem brincadeira, o medo da loucura diminue consideravelmente ao ver de perto as pessoas por ela afetadas, como eu facilmente poderia ficar a seguir.

Antigamente eu tinha repulsa por estes seres e me era muito desolador ter que pensar que muita gente de nossa profissão, Troyon, Marchal, Méryon, Jundt , M.Maris, Monticelli, e muitos outros tinham acabado assim.

Eu não podia sequer imagina-los neste estado. Pois bem, atualmente penso em tudo isto sem receio, ou seja, não acho isso mais atroz do que se estas pessoas tivessem morrido de outra coisa, de tísica, ou de sífilis, por exemplo.

Estes artistas, vejo-os recuperando seu ar sereno, e você acha que é pouca coisa reencontrar ancestrais da profissão? E,sem brincadeira, fico muito agradecido por isto.”

Gustave Adolphe Jundt foi um paisagista, desenhista, ilustrador (principalmente de livros infantis), além  pintor de gênero francês.

Nascido em 21 de Junho de 1830 na região francesa da Alsascia. Ele fez seus estudos artísticos com Jean Michel Prosper Guérin e Michel Martin Drolling. Ele se tornou conhecido do público após expor pela primeira vez no Salão de Paris de 1856. Dentre seus quadros, ‘A árvore de Noel’ não foi apresentada no Salão de 1872 por medidas administrativas. Entretanto ele recebeu a melhada em 1868 e 1873, além de ser condecorada com umas das mais altas honrarias na França: Cavaleiro da Legião de Honra em 1880.

`Porém ele sofreu de uma doença cruel, a doença renal da gota, que o impediu de trabalhar, e que lhe fez se jogar de uma das janelas de seu atelier em um ato de loucura.

Ele morreu  no dia 15 de maio de 1884 e foi enterrado no Cimetière de Montparnasse , Paris, Ile-de-France . Um  multidão considerável de artistas e literários assistiram o funeral de Jundt no dia seguinte a sua morte.O cortejo foi conduzido pelo irmão do morto, o engenheiro de pontes e estruturas e assistido por Jules Ferry, presidente do conselho; Charles Ferre; Bougereau, membro do Instituto; Busson e Guillemet, representantes da Sociedade dos artistas franceses;O círculo de Artes liberais e o Círculo artístico do Siena (do qual fora membro). Auguste Bartholdi fez uma bela e conhecida escultura em seu túmulo.

 Fotografia de Gustave Jundt

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Devir/Dançar

Julho 28, 2011

Nesta semana o devir dançar traz mais um cinema ligagado a dança. Só que desta vez não trata nem de um longa ou de um espetáculo musical. Trata-se de um curta de animação. Ele trata de um tema importante que é a dança como uma expressão artistica-existêncial e a sua importância do dançar como posicionamento contra a brutalidade e o engessamento da vida que causa um enorme peso.

A dança é uma expressão que leva a uma dimensão diferente daqueles gestos e movimentos já existentes, buscando uma criação de uma nova forma de expressão. Neste sentido a dança e as artes são uma linha de corte expressiva que racha com as formas duras e que buscam ser ditadoras das existências.

DEVIR/DANÇAR ENUNCIA

A BAILARINA NO BARCO

DIREÇÃO: Lev Atamanov

PAÍS: Rússia

ANO: 1970

DURAÇÃO: 16 minutos

Premiado no festival Mamaia na Romênia e vencendor de Melhor filme no festival de cinema de Londres.

Nesta animação uma jovem e bela bailarina está atrasada para embarcar no barco que já está praticamente cheio, já que foram embarcados várias famílias (inclusive uma com uma senhora muito gorda), um piano, toneladas de mercadorias e uma tripulação cheia de homens fortes e brutalizados. Porém a bailarina consegue entrar no navio e logo começa a envolver cada marinheiro no mundo da dança. Toda brutalidade e dureza que é impotente e que tirar a potência da vida, não consegue suportar a arte e toda a sua dureza é rachada quando submetida a arte.

Quando a tripulação tenta salvar a bailarina para mostrar que eles são eficientes não conseguem, pois a bailarina é leve e está livre para voar e transitar por onde quiser. Eles se zangam com isso e logo a bailarina perceberá isto. Mas em um momento de dificuldade poderá mostrar que a leveza e a dança serão os únicos que estarão produzidos e consiguirão libertar a vida.

Photo Graphein: Hans Peter Schneider

Julho 28, 2011

Kinemasófico: 2 curtas

Julho 27, 2011

Neste domingo o Kinemasófico terminou de passar o cinema de Kiki, e ainda aproveitou para levar dois curtas produtores de alegria através de sua criação. Depois dos cinemas foram entregues para todas as crianças, jovens e adultos uma carteirinha de membro e participante das atividades da Afin, feitas gratuitamente para que eles se sintam atuantes e afins.  Em relação aos curtas o primeiro deles foi

MATRIOSKA



Título Original: Matrioska

Ano: 1970

Diretor: Co Hoedeman
Personagens: Bonecas Russas Matrioska
País: Canadá
Duração : 5 minutos
Sinopse (Resumo da História do Filme) :  Matrioska é o nome das tradicionais bonecas russas onde uma grande boneca tem dentro de si uma menor, que por sua vez outra menor e daí por diante.Logo elas se dividem e começam a dançar e brincar, onde as maiores ensinam e ajudam as menores.


Depois deste curta foi projetado mais um vídeos da série Polish Animation of Classical Music. Desta vez a magistral valsa”O danúbio azul” de Johann Strauss é animada pela polonesa Aleksandra Korejwp.
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O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

Tréplicas, réplicas…

Julho 27, 2011

Réplica: The Beatles- Capa de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967)

Tréplica- Frank Zappa and The Mothers of Invention-We’re only in it for the money (1968)

…- Zé Ramalho – Nação nordestina (2000)

 

E para ir ad infinitum…

Sobre a não-morte de Amy Winehouse

Julho 26, 2011

Como escrevemos aqui neste bloguinho domingo, Amy Winehouse continuará sempre viva e lembrada em suas produções alegres. Entretanto vivemos em uma sociedade necrófila, onde a morte é celebrada de várias formas. Primeiro comercialmente, já que o próprio capitalismo é mortalizante se apossa através de suas instituições das produções artísticas e as transformam em mercadorias. Mas isto não possui interesse.

Segundo pela mídia e a população que são natimortos e em sua impotência criacional utilizam do fato da não existência biológica dos sinais vitais para colocarem os outros como mortos ao invés de vivos.

Nas artes nunca a morte, pois ela é um movimento constante, um devir que flui e envolve o artista no período de sua criação.

Todos nós entendemos que no mundo físico, o corpo de Amy Winehouse foi cremado hoje em uma “cerimônia judaica” restritos aos amigos e famíliares. O corpo. O corpo de Amy foi necropsiado e o resultado foi inconclusivo, sendo que o exame toxológico só será divulgado pela polícia londrina em outubro. Entretanto já sabe que não houve um crime.

De qualquer forma o corpo de Amy não está mais por estas atmosferas e o que menos importa para o esquizo é a opinião da mídia e do mercado oportunista em cima do fato. O que envolve Amy é sua relação artística e criadora com o mundo, nas tentativas de escapar do que já está constituido. E também interessa os encontros alegre que a música de Amy pode propiciar. O resto é necrofilia.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Julho 26, 2011
Saint-Rémy-de-Provence, 23 de maio de 1889
A abside da Catedral de Notre-Dame de Paris (1854) ,MÉRYON

L’abside de Notre-Dame de Paris (Água- Forte) , Washington D.C., National Gallery of Art
PARA UMA OUTRA VERSÃO DESTE MESMO TRABALHO, CLIQUE AQUI

Van Gogh está em Saint-Remy mais uma vez se tratando de sua loucura. Neste des-lo(u)camento, o pintor escreve sobre seus anseios, sua percepção da loucura e sobre outros artistas que entraram em um outro estado esquizo:

” Mas sem brincadeira, o medo da loucura diminue consideravelmente ao ver de perto as pessoas por ela afetadas, como eu facilmente poderia ficar a seguir.

Antigamente eu tinha repulsa por estes seres e me era muito desolador ter que pensar que muita gente de nossa profissão, Troyon, Marchal,  Méryon, (…), M.Maris, Monticelli, e muitos outros tinham acabado assim.

Eu não podia sequer imagina-los neste estado. Pois bem, atualmente penso em tudo isto sem receio, ou seja, não acho isso mais atroz do que se estas pessoas tivessem morrido de outra coisa, de tísica, ou de sífilis, por exemplo.

Estes artistas, vejo-os recuperando seu ar sereno, e você acha que é pouca coisa reencontrar ancestrais da profissão? E, sem brincadeira, fico muito agradecido por isto.”

Charles Méryon foi um desenhista e gravurista francês cujas águas-fortes romanticamente retrataram a vida e o humor dos meados do século XIX na capital francesa. Dentre os trabalhos estão desenhos da costa Neo Zelandesa que executou enquanto esteve na marinha francesa.  Ele subsequentemente empregou estes estudos para aprimorar os trabalhos em água-forte.

Nascido em 23 de Novembro de 1821  em Paris, sendo o filho ilegítimo de Narcisse Chaspoux, uma dançarina parisiense com um médico inglês Charles Lewis Méryon. Com a marinha viajou pelo mundo aprimorando sua técnica de desenho que desempenhava com maestria. Após seu tempo na marinha, ele recebeu uma pequena herança dos pais e começou a estudar pintura. Logo ele entrou para o atelier de Alexandre Bléry, que lhe ensinou a técnica aprimorada da água-forte, que, devido a progressivo acometimento do daltonismo (doença que impossibilita a percepção visual de algumas cores e que lentamente deixa as cores visualmente mais cinzentas), se tornou o meio no qual ele desempenhou mais seu talento. Ele ainda estudou com o pintor Charles François Phelippes.

 Ele sobreviveu fazendo trabalhos comissionados, e para praticar ele estudou os artistas de água-forte holandeses, como Zeeman (Reinier Nooms) e Adriaan van de Velde. Ele então começou as series “Água-fortes de Paris” executadas entre 1850 e 1854; embora Méryon sempre considerou estas pranchas como um conjunto, ele nunca as publicou como um. Além destas 22 obras, ele produziu pouco mais de 70 outras água-fortes.

Embora Méryon seja considerado hoje um grande mestre da gravura com água-forte, com sua originalidade e modernidade, ele foi apreciado apenas por poucos artistas e críticos. Suas gravuras eram vendidas por quase nada e sua vida se tornou um grande desapontamento e uma terrível desventura. Ele se sofreu de halucinações, além de paranóia ,e, logo após completer a série de Paris, ele foi colocado na Instituição mental Charenton em Saint-Maurice. Ocorreu uma recuperação parcial, mas ele retornou para o manicômio em 1867 e cometeu suicídio um ano depois no dia 13 de fevereiro de 1868 em Charenton.

A visão arquitetônica de Méryon é quase sempre visionária, e geramente suas imagens são incidentais, como aquelas dos pintores de paisagens. Mas as vezes como em “O Necrotério”, contam uma história, ou em “A rua dos garotos maus”, com as duas mulheres conversando secretamente e pelo menos sugerindo uma narrativa. “O Abside de Notre Dame”, considerado a obra prima de Méryon, caracterizou sua grande sensitividade com os efeitos de luz e atmosfera. Seus trabalhos com arquitetura são geralmente ligados ao estilo romântico.

Baudelaire admirava suas gravures de água-forte de Paris e escrevou sobre elas entusiasticamente. Walter Benjamin escreveu isto sobre esta relação:

“Meryon trouxe a antiga face da cidade sem abandoner o uso das pedras arredondadas ou feitas em blocos (cobblestone). Era esta visão da material que Baudelaire perseguiu incessantemente em sua idéia do modernismo. Ele foi um admirador apaixonado de Méryon. Os dois homens tinham uma afinidade eletiva entre si. Eles nasceram no mesmo ano e suas mortes foram apenas separados por alguns meses. Ambos morreram solitários e profundamente perturbados- Méryon como uma pessoa desatinada em Charenton, Baudelaire sem se comunicar em uma clínica privada. Ambos adquiriram uma fama tarida. Baudelaire era quase a única pessoa que defendeu Méryon em sua vida. Alguns dos seus trabalhos em prosa são uma ligação com Méryon. Seu tratamento do artista é uma homenagem ao modernism, mas também uma homenagem aos aspectos antigos de Méryon. Para Méryon, também, há uma interpenetração da antiguidade clássica e do modernismo, e nele a forma desta superimposição, da alegoria, aparecem definitivamente claras.”

 

Flameng Léopold- Retrato do gravurista Charles Méryon

Charles Méryon- Le Pont-au-Change, Paris (1855)

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.