Archive for Agosto, 2011

Kinemasofico: 4 curtas

Agosto 31, 2011

Neste último domingo mais uma vez nos reunimos com as crianças, jovens e adultos do Novo Aleixo entraram no movimento de corte no já visto feito pelo Kinemasófico, que trouxe desta vez alguns curtas como

O PORCO DANÇARINO




Título Original: Le cochon danseur

Ano: 1907

Diretor: Pathé Frères

Atores: Porco dançarino e a dançarina.

País: França
Duração : 5 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Um grande porco se torna parte de um espetáculo de vaudeville e é obrigado a dançar em vários trajes. Mas ele só que mesmo se mostrar e ensinar como é que se dança



AU BOUT DE MONDE




Título Original: Au bout de monde

Ano: 1998

Diretor:Konstantin Bronzit
Personagens: Cachorro, gato, passaro, pastor, casa no alto da montanha, senhora

País: Rússia/França
Duração : 8 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : No topo de um montanha fica uma pequena casa. Porém neste local moram uma senhora, uma vaca, um cachorro e algumas ovelhas… Para ir ao outro lado da montanha tem que entrar pela casa e logo este pequeno espaço vai ser atravessador por um monte de outros seres. Mas a casinha consiguirá resistir?


PINTURAS FAMOSAS




Título Original: Beroemde Schilderijen

Ano: 1990 (Prêmio especial do Juri em Cannes- Quarto de Arles)

Diretor: Marteen Koopman

Personagens: Elementos da composição de quadros.

País: Holanda
Duração : 17 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Este genial diretor trabalhou com quadros famosos. Porém o mais importante é que ele monta todos os elementos até que ele esteja pronto igual a pintura. Didaticamente mostra que apesar da imobilidade da pintura, ela é também composta de forças que vem da composição do artista. E também é uma oportunidade de conhecer belos quadros de artistas como Bruegel, Bosch, Van Gogh, Magritte, Picasso, Dali, Arciboldo, Monet, Cézanne e vários outros.

 

BROKEN DOWN FILM




Título Original: Broken Down Film

Ano: 1985

Diretor:Osamu Tezuka

Personagens: Cowboy, cavalo, donzela e o vilão.

País: Canadá
Duração : 06 minutos
Sinopse (Resumo da História do Filme) : Um cowboy vive os problemas de estar em um filme do início do século: a imagem é chuviscada, seu corpo aparece cortado na tela, listras coloridas cortam a sua frente. Consiguirá ele conquistar a donzela e se livrar da sina dos problemas técnicos?
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O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

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Tréplicas, réplicas…

Agosto 31, 2011

As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.

Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.

Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
– e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.

Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.

Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.

Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento…
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.

Réplica: Poesia Marcha de Cecília Meireles

Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade

Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento

Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria

Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza …
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.

Tréplicas: Canteiros- Letra de Fagner e Zé Ramalho

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Agosto 30, 2011
Saint-Rémy-de-Provence, 25 de junho de 1889
O Boulevard des Italiens, manhã de sol (1897) , PISSARRO


Boulevard des Italiens, matin, soleil , Washington D.C., National Gallery of Art
CLIQUE PARA AMPLIAR
Van Gogh comenta de suas produções de pintura e liga com entendimentos de natureza:

“Para pintar a natureza aqui, como em qualquer lugar, é preciso estar nela por muito tempo. Dsta forma um Montenard não me dá o tom verdadeiro e íntimo, pois a luz é misteriosa e Monticelli e Delacroix sentiam isto.
E o Pissarro falava disto muito bem na época; e estou bem longe de consguir fazê-lo como ele diria que devia fazer.
Naturalmente você me dará um grande prazer enviando-me as cores, se possível logo; mas faça como puder sem que isto o incomede muito…”

Jacob-Abraham-Camille Pissarro ou somente Camille Pissaro foi um pintor e gravurista francês muito conhecido, sendo a figura principal do Impressionismo e um especialista em paisagens. Devido a característica naturalistas do movimento, suas pinturas foram influenciadas por Millet e Corot. Durante sua carreira experimentou muitos estilos, incluindo um período em que adotou o pontilhismo de George Seurat. Ele foi o único a mostrar seus trabalhos em todas as mostras do Impressionismo, sendo  um mentor e amigo de artistas influentes como Paul Gauguin e Paul Cézanne,sendo descrito como “Pai Pissarro”.

Nascido no dia 10 de julho de 1830 na cidade de St. Thomas (então uma posse dinamarquesa nas Indias Ocidentais), mas morou e trabalhou principalmente em Paris. Ele foi o terceiro filho de um mercante francês de descendência portuguesa. Sua família morou em cima da loja que lhes pertenciam na Rua Charlotte Amalie, a principal da cidade. Quando tinha 12 anos, seus pais lhe mandaram para uma escola em Passy, próximo de Paris. O jovem mostrou talento em desenho, e começou a visitar as coleções do Louvre.

Aos 17 anos retornou a St. Thomas, onde seu pai esperava que ele seguisse com os negócios da família. Mas o jovem Pissarro tinha mais interesse em rascunhar desenhos no porto, embora depois de encontrar o pintor dinamarquês Fritz Melbye, que estava de visita, aceitou viajar com ele para a Venezuela em Novembro de 1852. Posteriomente ele afirmou que nesta viagem “abandonou  tudo que tinha e partir para Caracas para estar livre do laço da vida burguesa”.  Em Caracas ele fez muitos desenhos da vida nas ruas. Em agosto de 1854 ele retorna a St. Thomas e desta vez sua família entendeu que nenhum argumento mudaria a determinação de ele ser pintor. Então ele deixou sua casa pela última vez e foi para Paris.

Ele chegou a tempo para ver a Exposição Universal de Paris, onde se sentiu muito atraído pelas pinturas de Jean-Baptiste-Camille Corot. Logo ele começou a atender aulas privadas na Escola de Belas Artes (École des Beaux-Arts) em 1856 e em 1861 foi registrado como copista (aquele que faz réplicas de obras de arte” do museu do Louvre. Ele também estudou no estúdio livre Academia Suiça (Académie Suisse), onde conheceu os futuros impressionistas Claude Monet, Paul Cézanne e Armand Guillaumin. Através de Monet foi apresentado à Pierre-Auguste Renoir e Alfred Sisley.

Ele começou a pintar cenas de sua cidade natal de memória, encontrando orientação de Anton Melbye, de quem inclusive foi chamado “Pupilo de A. Melbye” quando exibiu seu primeiro no Salão de Paris em 1859 (título que usaria ao menos até 1866).  Além disso ele também foi ensinado informalmente por Camille Corot, que o encorajou de pintar a partir da natureza, o que fez Pissarro incluir nas primeiras pinturas um caminho ou um rio recuado em perspectiva, além de figuras vistas de trás que dão no geral um senso de escala. Estes primeiros trabalhos são em tonalidades douradas e verdes que constratam com os cinzas de Corot.

Durante este tempo ele passou muito tempo em áreas rurais como Montmorency, La Roche-Guyon, e Pontoise,onde encontrou amplos temas de pinturas de paisagem. Por volta de 1860 ele começou uma amizada com Julie Vellay, a criada de sua mãe, com quem se apaixonou e teve o primeiro filho Lucien em 1863. Eles se casaram posteriormente em Londres em 1871 e tiveram 8 filhos ao todo.

Pissarro fica cada vez mais contrário aos padrões da Academia e Escola de Belas artes na década de 1860, e ocasionalmente participa de debates com jovens artistas como Monet e Renoir no Café Guérbois. Sendo dez anos mais velho que os outros, ele acaba tendo uma figura paterna, e seus argumentos ferozes sobre egualitarismo e as injustiças do sistema de júri e prêmios impressionou a todos. Emboras ele apresentou seus trabalhos no Salão de Paris, ele e seus colegas começaram a reconhecer cada vez mais a injustiça do sistema de júri do Salão, assim como as disvantagens relativas as pequenas pinturas como eles próprios tinham nas exibições do Salão.

As discussão artísticas foram interrompidas durante a Guerra Franco-Prussiana em 1870, o que fez Pissarro partir para Londres onde encontrou Monet e o negociante de atrte Paul Durand-Ruel. Na capital inglesa pintou cenas como The Cristal Palace, London, onde retratou os subúrbios emergentes da Revolução Industrial. Ele escreveu “Monet e eu estávamos muito entusiasmados nas paisagens londrinas. Monet trabalhou nos parques, enquanto eu morande em Lower Norwood, na época um subúrbio charmoso, estudei os efeitos das brumas, neve e primavera.”

De volta a França em sua casa em Louveciennes, ele descobriu que muito de seu atelier tinha sido destruído pelos soldados prussianos. Em 1872 de volta a Pontoise, se juntou a um pequeno numero de pintores incluindo Guillaumin e mais diretamente Cézanne, a quem Pissarro demonstrou seu método de pintar pacientemente a natureza. Estas lições causaram em Cézanne uma mudança em sua atuação artística, o que lhe fez afirmar posteriormente “ Quanto o velho Pissarro, ele foi um pai para mim, um homem para consultar e algo como um bom senhor.”

No início da década de 1870, Pissarro se dedicou a um grande negócio em conceber a criação como uma alternativa ao Salão, o que levou a várias discussões com artistas, que planejaram a idéia de uma sociedade com um alvará baseado na união dos padeiros locais e em janeiro de 1874 criaram uma cooperativa dos pintores. Em abril deste mesmo ano o grupo fez sua primeira exibição, a “1ª exibição impressionista” que ocorreu no estúdio de Felix Nadar em Paris, localizado no número 35 do Boulevard des Capucines. Cinco trabalhos de Pissarro foram exibidos junto com os de Monet, Renoir, Sisley, Cézanne, Edgar Degas, e Berthe Morisot. Estes artistas tinham um desejo de gravar o mundo moderno capturando os efeitos transitórios da luz e da cor e geralmente evitavam os modelos e composições tradicionais, se focando na textura, toom e cores luminosas. Os trabalhos desta fase de Pissarro além de ter estas características, também têm uma pincelada mais folgada e ausência de desenho, o que era característica dos outros artistas impressionistas.

Desapontado da reação do público quanto a primeira mostra impressionista escreveu ao crítico Théodore Duret: “Nossa exibição vai bem. É um sucesso. Os críticos nos destruíram e acusaram de não termos estudado; estou retornando ao meu trabalho, é melhor que ler as resenhas”

O artista vivia problemas financeiros, da carreira e ainda perdeu sua filha Jeanne pouco antes da exibição. Entretanto ele continuou certo que deveria manter as exposições do grupo independente. Depois de discutir no fórum “Union” com seus companheiros, foi decidido fazer a segunda exibição dos Impressionistas, feita em Abril 1876 na  de Durand-Ruel. Ele exibiu 12 pinturas que incluiam paisagens de inverno, primavera e verão. Porém os problemas financeiros e críticas continua.

Quando ocorreu a quarta mostra em 1879,  Renoir, Sisley, e Cézanne se retiraram e Monet esteve ausente no ano seguinte. Forçado a repensar o futuro das exibições do grupo, Pissarro escreve para Gustave Caillebotte:”Nós precisamos homens que talento- que estão nos desertando- nós também precisamos novas imagens… Se os melhores artistas se foram, o que se tornará nossa união artística”. Porém os receios de Pissarro aconteceram: a sexta e sétimas exibições mostraram muitas brechas entre os participantes, particularmente pois Degas trouxe muitos novos artistas que o “organizador” não fez objeção aos novos participantes, já que Degas trouxe bons pintores como Mlle Mary Cassatt, Jean-Louis Forain, Gustave Caillebotte.

Mesmo com todos problemas Pissarro se recusou a retornar ao Salão e continuou como mentor, trabalhando com jovens ostensivos como Paul Gauguin e aprofundando amizades com Degas e Cassatt, com quem bolou o projeto do jornal “Le Jour et La nuit” que não chegou a ser produzido.

O colapso da economia francesa na década de 1880 fez com que Pissarro tivesse cada vez mais dificuldade de vender sua arte, e com a direção incerta que a arte estava seguindo ele teve que usar uma pincelada menor e mais sutil, tentando dar uma idéia maior de estrutura.

Em 1884 o pintor se muda para Pontoise para um pequeno povoado de Eragny, no Rio Epte. O ano seguinte encontra os jovens artistas Georges Seurat e Paul Signac e se converte a seu novo estilo de pintura em pontilhismo, o Neo-Impressionismo. Assim ele passa a aplicar tinta a tela em pontos de pigmentos contrastantes, que a retina percebe como uma única matiz. A última mostra do Impressionismo exibiu em 1886 a falta de harmonia dos artistas remanescentes, como o trabalhos dos Neo-Impressionistas que foram mostrados em separado. Mesmo assim Monet e Renoir estavam ausentes. Sobrou mais espaço para Seurat exibir sua “Grande Gamela “(La Grande Jatte) que foi uma sensação junto com os trabalhos neo-impressionistas de Pissarro que segundo os críticos eram muito semelhantes aos de Seurat.

Porém a atração do neo-impressionismo em Pissarro foi curta, e em 1889 ele começa a distanciar do estilo, acreditando que era “ impossivel ser verdadeiro para minhas sensações e consequentemente reproduzir vida e movimento”. Neste momento, a condição artística no mundo já via mudado e o grupo impressionista foi essencial para a mundança, já que haviam novas galerias fora das academias que mostravam os artistas de vanguarda e até mesmo sem rachaduras estilistas entre os pintores, como ocorreu no Impressionismo.

Na década de 1890, Pissarro acreditava que enfim entendera como alcançar a unidade na pintura que ele perseguiu em toda sua carreira. Ele escreveu sobre a gênese da descoberta a sua sobrinha Esther Isaacson: “ Eu começo a entender minhas sensações e saber o que era que eu queria fazer quando em tinha 40 anos- mas vagamente.” Outros também reconheceram o desenvolvimento de seu trabalho como os críticos Georges Bernheim e Durand-Ruel. Este último fez uma larga e bem sucedida retrospectiva dos trabalhos de Picasso e pela primeira vez o artista adquiriu estabilidade financeira.

Assim Pissarro retomou diversas series de pinturas de vistas de Paris, a primeira da vista oposta do hotel para a Estação Saint-Lazare, pintando posteriormente a Catedral Rouen e o porto Le Havre pintando várias telas simultaneamente (assim como Monet).

Seus últimos trabalhos são mais livres e sem grande ligação com o estilos (neo-) Impressionistas, pois embora continuasse buscando as impressões da luz e cor, mas com o acréscimo de criar mais de uma pintura de cada cena e explorar e alcança os efeitos mutantes da luz e do clima em sua extensão máxima. Ele encontrou a unidade que tinha tanto buscado criando uma harmonia de cores e tons e aplicando pinceladas consistentes na superfície inteira da tela.

Morreu no dia 13 de novembro de 1903 em Paris. Ele fez a ponte entre os séculos XIX e XX e apesar de sua natureza humilde, o legado de Pissarro- seu interesse constante na mudança, sua influência em pintores como Cézanne e Gauguin e sua firme oposição ao estabelecimento artístico- moldaram vigorosamente o desenvolvimento das vanguardas européias do século XX.

Além disso com o novo século os trabalhos impressionistas se tornaram objetos cobiçados dos ricos, entrando para coleção pública e mostrando aos críticos e juristas da academia que eles haviam escarnecido e falharam em seus juízos. A luta dos impressionistas tornou-se uma valiosa lenda para todos os inovadores em arte, que agora podiam apontar esse notório fracasso geral em reconhecer e aceitar novos métodos.

Auto-Retrato de Camille Pissarro (1898)

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Photo graphein: Ilse Bing

Agosto 29, 2011

Entrevista com Jean Renoir sobre o cinema ‘A grande ilusão’

Agosto 28, 2011

JEAN RENOIR FALA DE A GRANDE ILUSÃO:

Disseram-nos que A Grande Ilusão nasceu de uma troca de roteiros entre você e [Julien] Duvivier. Inicialmente, ele deveria fazer A Grande Ilusão e você Camaradas (La Belle Equipe, dirigido por Duvivier em 1936).

Não. A coisa se passou dessa forma: eu trabalhava com [Charles] Spaak. Nós estávamos prestes a escrever algum trabalho, provavelmente Bas-Fonds (filmado em 1936); e nós trocamos algumas idéias sobre Camaradas. É possível até que nós tenhamos começado juntos a imaginar a história de Camaradas: é possível, eu não me lembro mais exatamente. Em todo caso, nós falávamos do filme. Depois eu e Spaak pensamos que deveríamos apresentar o roteiro a Duvivier, porque seria uma história ótima para ele! Estava exatamente em seu domínio. Duvivier, em seguida, modificou o roteiro, digeriu-o e o reescreveu com Spaak. Mas nunca pensamos o filme para que eu o dirigisse.

Quanto a A Grande Ilusão, a origem desse filme é uma história que me contou um camarada de guerra que, na época da guerra, se chamava Subtenente Pinsard, mais tarde Capitão Pinsard, e, quando filmei Toni e ele comandava a base de Istres, General Pinsard. E o general Pinsard tinha realmente sido um herói de guerra, um sujeito que desapareceu sete, oito vezes, e um homem por quem eu tinha um reconhecimento cego, porque quando eu mesmo estava na aviação tirando fotos – o que significa que eu ficava num avião que não era rápido e tampouco era bem defendido -, muitas vezes eu era atacado pelos alemães; e se eu nunca fui abatido, era porque um avião de caça da esquadrilha vizinha chegava sempre e abatia o avião alemão. E era Pinsard, na maioria das vezes!

Eu estava filmando Toni, então, e havia aviões que voavam acima de nós o tempo todo. O produtor Pierre Gaut me disse: “Vamos ver o comandante.” E eu me deparo com Pinsard!

Nós nos reencontramos e isso me lembrou suas histórias de desaparecimento. Eu disse a Pinsard: “Então, meu velho, me conte suas histórias de desaparecimento. Eu poderia fazer um filme sobre elas.” Assim, ele me contou histórias, que eu coloquei no papel, que não têm nada a ver com o filme que voc6es conhecem, mas que eram um ponto de partida indispensável. É preciso sempre alguma coisa que te excita na base de tudo, uma espécie de picada; é preciso uma agulhada de incentivo.

E essa agulhada foram meus encontros com Pinsard. Então, eu escrevi um roteiro… enfim, eu escrevi uma história, e quando essa história estava um pouquinho digerida, eu apresentei a Spaak, e disse: “Meu velho, preciso de ajuda. Você vai fazer um roteiro disso aqui. Eu acho que tem uma boa história aqui dentro.” Ele concordou, ele achou muito bom e ele reescreveu o filme comigo. E, depois disso, nós apresentamos o roteiro ao produtor que tinha feito Bas-Fonds, que não achou o projeto nada bom. Finalmente, nós andamos por toda Paris. Felizmente [Jean] Gabin adorava o tema; e, além do mais, nós éramos ótimos amigos. Foi assim que eu filmei A Grande Ilusão, graças a Gabin.

Gabin e eu fomos há inumeráveis gabinetes, escritórios, tanto franceses, italianos, americanos, todos eles. Todos recusaram. Eles nos diziam: “Ah! Uma história de guerra, que coisa, etc. Além do mais, isso levanta uma série de questões muito delicadas, não vale a pena fazer isso não…”

Finalmente, nós encontramos um rapaz que, na minha opinião, mostrou um talento enorme em tudo isso e nos ajudou formidavelmente. Ele se chamava Albert Kinkéwitch e era o assistente, o secretário geral, o faz-tudo enfim de um financista, Rolmer, que sonhava em trabalhar com produções cinematográficas. Ele já tinha talvez colocado um pouco de dinheiro em filmes, isso eu não sei. De qualquer forma, Kinkéwitch, que se interessava muito por cinema, mas não estava no ramo, e Rolmer, que também não estava, fizeram A Grande Ilusão e, tenho certeza, unicamente porque eles não estavam no ramo. Todos os profissionais estavam contra essa história.

Todos os especialistas em distribuição, as pessoas que era realmente grandes nomes nos assuntos comerciais do cinema, todos repeliram esse roteiro cheios de horror. Eu só pude fazer o filme graças ao apoio de Gabin.

Desde o lançamento foi um grande sucesso?

Desde o lançamento, ele decolou…

Você mesmo não tinha sido prisioneiro durante a guerra?

Não. Eu rodei esse filme a partir de depoimentos, entre os quais os de Pinsard e os de muitos prisioneiros que eu entrevistei. O que me ajuda muito é o fato de que meu primeiro emprego na vida foi ser oficial de cavalaria e que, conseqüentemente, eu poderia adivinhar quais seriam as reações das pessoas, então eu conhecia bem o estado de espírito [desses ambientes de prisão], em certas circunstâncias.

Da mesma forma, os exteriores não foram filmados na Alemanha. Foram rodados na Alsácia, em certas partes da Alsácia extremamente influenciadas pelos alemães durante o período que se seguiu à guerra de 1870. Por exemplo, os bairros, as casernas nas quais filmamos, eram casernas de artilharia construídas por Guilherme II; era na Alta Königsberg. São edificações de influência absolutamente alemã.

(Cahiers du Cinéma nº78, dezembro de 1957. Trecho de entrevista concedida por Jean Renoir a Jacques Rivette e François Truffaut. Tradução de Ruy Gardnier).

Notas Lambidas

Agosto 27, 2011

  • São Paulo como diria Gonzaguinha é o QG do Baião e o QG do Nordeste. E nesta alegria nordestina São Paulo terá dois eventos importantissimos para a cultura brasileira. O primeiro, que ocorre até o dia 6 de outubro, é  o 1º Festival de Cordel, no Centro de Tradições Nordestinas (CTN)  que traz a literatura de cordel, com oficinas, saraus, cinema e palestras, além de um concurso para premiar os 20 melhores trabalhos. E pra a festa ficar completa hoje (27) o Movimento Caravana do Cordel vai reunir especialistas para debater o tema no 1º Fórum do Cordel em São Paulo, no auditório da Ação Educativa, no bairro de Vila Buarque, região central.  Este fórum vai tratar do uso do cordel na educação, a produção de cordéis. Quem já leu cordéis sabe que a estrofe mais comum do cordel é a de seis versos, cada um deles com sete a 11 sílabas que rimam em várias formas.
  • Neste sábado e domingo (27 e 28) o Centro Cultural Dragão do mar em Fortaleza traz em comemoração ao “IV Encontro dos Grupos Populares – Folgança Uma Festa de Ritmos e Alegria” diversas Oficina de Danças Tradicionais Populares. Nestes  eventos em homenagem ao dia do folclore,  haverão apresentação de diversos grupos como Grupo Folclórico Etnia , além de muitas oficinas, vídeos e movimento. Kineme-se.
  • As inscrições para o Cine Favela Festival estão abertas até esta terça-feira (30). Lembrando que para participar do Festival a equipe de produção tem que ser morador de alguma quebrada, ou aquilo que chamam de periferia. Provavelmente o festival ocorrerá até novembro no Centro Cultural Banco do Brasil. O evento é organizado pela CUFA (Central Única das Favelas).
  • O Cinecomunidade do Sesc Casa Amarela projeta hoje (27) as 15 horas no Recife “A Lenda da Vida” que conta a história de uma linda garotinha que está à procura de seu irmão perdido e acaba trazendo para a vida real uma fantástica e emocionante lenda irlandesa.

  • Primeiro foi anunciado que o disco de Amy Winehouse “Back to Black” é o mais vendido da década no Reino Unido com mais de 3 milhões de cópias, segundo a Official Charts Company. Depois foi revelado uma parte do laudo do exame toxicológico que provou que não havia traços de nenhuma substância ilegal no corpo da cantora, além de que  a quantidade de álcool encontrada foi pouca. Isto quer dizer duas coisas: a primeira que ainda não se tem a causa da não-morte de Amy. E segundo que a mídia impotente, parasitária e golpista tristemente não conseguiu provar o que sempre insistiu.
  • Uma mostra fotográfica que se desvela na capital paraense é “CICLOS – A bicicleta na realidade amazônica”de Diogo Viana que vem explorar a relação do homem amazônico com a bicicleta. Neste trabalho de Diogo Viana o retrato de diversas pessoas do grandioso estado do Pará mostra que o movimento em duas rodas também é um movimento humano em sua ultrapassagem e ainda mais no caso da bicicleta que atualmente é o meio de transporte mais ecológico e que é utilizada nas mais diversas finalidades. A mostra fica em cartaz até o dia 23 de setembro na Galeria Theodoro Braga.
  • Em São Paulo a 22ª edição do Festival Internacional de Curtas Metragens promete trazer o melhor do cinema independente em pequenas doses até a próxima sexta (2 de setembro). Com um grande número de cineastas de todos os continentes do mundo, em sua maioria desconhecidos (ao menos para os cinéfilos esquizos), o festival é uma boa condição para se deixar surpreender com o independente. Dentre curtas conhecidos estão “Missoni” do cineasta experimental Kenneth Anger, o feminismo inteligente de “Resposta das mulheres” da francesa Agnès Varda, e a animação “Wonderwood” dos fabulosos Irmãos Quay. O festival ocorre em diversos locais de Sampa como a Cinematece BNDES, CINESESC, MIS,  CCSP, Espaço Unibanco, CINUSP entre outros. Confira a programação…
  • A África esta semana celebrou a criação do maior parque natural do mundo (como se ela mesma já não fosse o maior) o Kaza, que fica em uma região de mesmo nome.Maior do que a Inglaterra ou outros países, ele abriga partes de Angola, Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue. Ainda o parque não está aberto para turistas e deverá se estruturar para cuidar da liberdade dos animais. Esperamos que este ecoturismo branquisado tire o continente da pobreza que os brancos deixaram.

  • E na quarta feira (31) o Centro Dragão do Mar traz mais um numero da “Série Depoimentos” desta vez com a cantora paraense Leila Pinheiro que irá cantar, ser entrevistada pelo publico e animar o bate papo da noite. Ingressos a partir de 20 reais no Anfiteatro do Centro.
  • Neste fim de semana rola no Rio, o festival Back2Black, pioneiro na valorização da cultura negra mundial. Com dezenas de atrações o festival acontece na Estação Leopoldina trazendo o melhor dos ritmos negros soul, funk, rap, samba e musica brasileira. Hoje (26) além das atrações que incluem Chaka Khan, Jorge Ben Jor, Oumou Sangaré, o evento ainda traz debates sobre ecologia com nomes importantes como Marina Silva, o revolucionário Daniel Cohn-Bendit , Graciela Chichilnisky  e com mediador: Fernando Gabeira. Amanhã (28) o festival trás atrações como Aloe Blacc, Asa, Bailão Black, além de dabates sobre “O futuro das comunidades” que trará as vozes de Nanko van Buuren , Luiz Eduardo Soares, Sueli Carneiro e Paulo Lins. No último dia terça feira a programação musical traz Aloe Blacc e Tinariwen. Não deixe de conferir… Brancos e negros somos todos Black em linha de corte.
  • Em Santos, cidade litorânea paulista, vai haver um tsunami literário na 3ª edição da Tarrafa Literária – Festival Internacional de Literatura. Com literatos do mundo todo o evento fica aberto até amanhã (28) e terá atividade em toda cidade. Infelizmente as inscrições já estão a tempo encerradas, mas várias programações estão abertas sem ser necessário se inscrever. Haverá também uma programação para as crianças neste fim de semana. Confira a programação completae aproveite.
  • Esta semana dois grandes nomes da música mundial se foram deixando uma valiosa produção imaterial. O primeiro Jerry Leiber foi um dos compositores mais importantes da história do rock n’ roll e escreveu vários clássicos do rock and roll com seu parceiro  Mike Stoller músicas como “Stand By Me”, “Hound Dog”, “Jailhouse Rock”, “Young Blood”, “On Broadway”, “Yakety-Yak”. O segundo compositor que puxou a carroça foi o cara da Motown Nick Ashford que escreveu grande músicas do soul e do funk como: ‘Ain’t No Mountain High Enough”, “I’m Every Woman” , “Let’s Go Get Stoned”  e  ‘Ain’t Nothing Like the Real Thing’ junto com sua esposa Valerie Simpson. Que o deus do rock nos tenha…

Mestre Acordeon que levou e traz de volta a capoeira dos Estados Unidos

  • Em Salvador acontece até este domingo (28) o “II Festa da Capoeira no Largo de Santo Antônio além do Carmo – Barbalho.”  Que busca difundir a cultura da capoeira, através de apresentações de dança e musica, realização de palestras, rodas de capoeira, literatura, artesanato, cinema e oficinas. Já confirmaram presença diversos mestres como Boca Rica, Bola sete, Tonho Matéria, Aristides, Atabaque, Dinho da Topázio, Itapoan e o convidado Mestre Acordeon . Venha entrar na roda e mostrar sua ginga.
  • O Masp abriu na capital paulista uma exposição sobre a arte produzida nas ruas das metrópoles, trazendo a segunda edição da mostra De Dentro e de Fora, aberta ao público da capital paulista até o dia 23 de dezembro. Além de artistas de rua brasileiro há também grupos estrangeiros como os franceses Remed, JR e Invader, pelo tcheco Point, pelos argentinos Tec, Defi e Chu e pela norte-americana Swoon. Além dos tradicionais grafites e grafismos urbanos a exposição traz fotografias, vídeos, esculturas, pinturas, murais, colagens e instalações.  O interessante deste evento é levar pra dentro do museu a produção social de fora e mostrar que há uma diversidade de artes.
  • Esta semana o empresário bilhonário Steve Jobs, que é um dos donos da maior empresa multimídia, a Apple, anunciou sua saída do cargo de diretor-executivo da empresa, deixando Tim Cook. Steve disse que continuará trabalhando, mas não será mais o “Manda-chuva’ da compania. A Apple que é uma das maiores empresas do mundo vem liderando o mercado e de certa forma burlando a livre iniciativa (como foi no caso do bloqueio das vendas do tablet da Samsung ). Que vença o mais pobre… nós mesmos os leitores.
  • Atenção moçada, já avisando antes pra ninguém esquecer. Vai rolar neste próximo sábado (3) o “1° Encontro Cultural do Batuque Favela – Arte Carioca Livre na Mangueira” . O evento ocorrerá no Buraco Quente e em toda comunidade da Mangueira e será organizado em conjunto com a  ONG Batuque Favela Mangueira que pretende transformar a favela em um novo corredor cultural no Rio de Janeiro.  Vai haver muitas atividades como o espaço dos grafiteiros que vão deixar a arte pelo morro em uma Galeria Livre de arte urbana; e também muita música. Se você é um Artista, Grafiteiro ou participa de algum Coletivos e quiser participar deve se inscrever pelo e-mail! Quem puder levar 1kg de alimento não perecível e 1 livro usado ou kit escolar  para ajudarmos quem precisa.  Presença confirmada dos grafiteiros sangue-bons da Fleskbeck Crew: Toz, BR, Piá e Léo Uzai; Renan Tanque, João ZMS, Diogo Russo + Marco Antônio, Di Couto; Anarkia Boladona; Marcelo Lamarca. Além dos considerados músicos Vadinho Freire e Batuk Favela; DJ Cia; DJ John Woo ; DJ Nepal . Apavoramento;. DJ Pedro Piu e Krishna Baby . Brazilian Wax Live; Da Gama . Cidade Negra; Rosana Bronx. Firmeza total.

  • O artista e fotografo cearense Pedro Cunha está com a exposição “Miragem Urbana” aberta para visitação na Kamara Kó Galeria em Belém do Pará. Nas fotografias ele percorre espaços urbanos contemporâneos onde transeuntes se confundem com displays publicitários, automóveis, prédios, luzes e sombras, entrando nas rachas das metrópoles. A mostra fica aberta até 15 de outubro.
  •  O Festival Pan-Amazônico de Cinema que ocorrerá na primeira semana de novembro está abrindo inscrições nas categorias documentário e ficção e poderão participar da mostra cineastas do Brasil, Venezuela, Peru, Equador, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa e Suriname, com filmes realizados a partir de julho de 2009 nos formatos longa, media e curta metragem. Interessados devem enviar ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada, com a ficha técnica e sinopse do filme, três cópias em DVD multiregião, lista de diálogos (se houver) em espanhol, português, ou inglês, e cartazes e fotos do filme e do(s) realizador(es), para divulgação. Baixe ficha de inscrição e o regulamento por aqui  e se inscreva até o dia 10 de setembro.
  • No Oi Futuro Flamengo do Rio de janeiro está aberto a exposição “Cidade aTravessa: poesia dos lugares”. Na exposição haverão entrevistas, leituras de poesias, curtametragens, lançamento de livros, atividades musicais entre outras atividades. O evento ocorre apenas nesta quarta (31) as 19 horas.
  • Começou esta semana por várias partes do Brasil o FICI- Festival Internacional de Cinema Infantil que acontece em diferentes datas em 7 capitais: Rio e Niterói (19 a 28 de agosto),Brasilia  (26 de agosto a 4 de setembro), São Paulo e Campinas ( de 2 a 11 de Setembro),Belo Horizonte (de 21 a 30 de outubro); Salvador e Aracaju (de 30 de setembro a 9 de outubro) e Recife (de 12 a 23 de outubro). Na programação do festival uma grande diversidade de kinemasoficos infantis como “Os três ladrões” de Hayo Freitag; “O mundo encantado de Gigi” de Rintaro, “Vários Contos Hungaros”; “O diário de um panda” de Direção: Tadashi Mori, “Pierre e o dragão de espinafre”, “Ruudi, o menino que queria ser viking” de Katrin Laur; “Sopa de Sapo” de Simone van Dusseldorp, “Desenrola” de Rosane Svartman, “ O muro” de  Diego Florentino, “Tempo de Criança” de Vavá Novaes, “Bom tempo’ de Alexandre Dubiela e “Ponyo” de Hayao Miyazaki.

  • Um dos rostos mais estampados dos anos 60, a modelo Twiggy segundo as boas línguas, vai lançar mais um disco de sua carreira chamado “Romantically Yours” . No microfone ela mandará a ver canções como “Only Love Can Break Your Heart”, de Neil Young, “Waterloo Sunset” dos Kinks , “Heaven”, de Bryan Adams, “Blue Moon”, “My Funny Valentine” e “They Can’t Take That Away From Me”. Perto do natal já haverá um bom presente.
  • O mundo do rock é uma loucura. O do rap é bem mais… Estes rappers adoram desafiar a lei… Ainda bem. Depois de Big Boi, Lil Waine, Ja Rule, Lil Boosie, Flo rida, e agora é a vez de DMX. O cara foi preso (de novo) por uma noite devido a excesso de Velociadade. Ele ainda dirigia sem carteira, pois de uma de Romário e Aécio Neves quando se negou a fazer o teste de substâncias psicoativas. Ainda bem que por aqui o rap tá mais garantido em todos sentidos.
  • Depois de fantasmagoricamente sumir pela mídia ela está de volta: Tiazinha, o fetiche televisivo. Porém será um outro papel que não este feito pela atriz Suzana Alves. Ela está no elenco da peça “O Casamento Suspeitoso”, do dramaturgo paraibano Ariano Suassuna que estreia este fim de semana no Teatro Popular do Sesi, com direção de Sérgio Ferrara. Pode ir que não vai ter chicotinho…
  • Nesta Semana Lady Gaga anunciou que fará um dueto para o novo álbum de Cher. Haverá apenas uma gravação em conjunto  The greatest Thing e deixa que a diva conta como foi a parada: “Eu sempre escrevo essas músicas conceituais, e simplesmente não combinava. Mas sempre foi essa música linda e grandiosa, e todos sempre dizem, ‘Por que você não coloca essa no seu disco?’. (…) Cher ouviu a música e adorou, e quis gravá-la comigo”. Mas ainda não se sabe a data do lançamento.

  • Uma das bandas mais iradas de rock and roll metalizado os caras de Deep Purple vão vir pro Brasil. Isto você já sabia, mas esta semana o grupo divulgou que além do show de São Paulo (no Via Funchal) do dia 10 de outubro, a banda passará Belém na Cidade Folia (5), Fortaleza no Siara Hall (7), Campinas no Expo América (8), Belo Horizonte no Chevrolet Hall (11) e Florianópolis no Stage Music Hall(12). Depois o grupo dinossauriano voará para Argentina, Chile, Peru e Colômbia. É muito rock (,) doido.
  • Uma das cantoras dos anos 80 que vem se mostrando muito engajadas, a maluquinha Cyndi Lauper informou que abrirá um abrigo com 30 camas para jovens gays, lésbicas, bissexuais e transgeneros que não tem onde morar. O local ecologicamente correto (ou eficiente energeticamente) chamado “The true colors Residence” (A residência das verdadeiras cores’ será aberto nesta quinta (1) em Manhatam, Nova York. Uma mulher que há tempos apoia os direitos LGBTs percebeu que 40% dos desabrigados de suas cidades eram jovens gays, lesbicas ou transgeneros que por vezes fugiam de casa e eram descriminado nas ruas.Os jovens terão oportunidades de trabalho e pagarão uma pequena taxa de aluguel pelas casas. Afinal “we just wanna have fun”.
  • Uma novela america (meio mexicana) teve(?) seu fim. Ela começou quando o sítio de fofocas “Mediatakeout.com” mostrou uma imagem de Christina Aguilera junto com o filho de 3 anos que tinha um olho roxo, e escreveu: “Abuso infantil?? O filho de Christina Aguilera está na foto com um olho roxo”. O advogado de Christina escreveu a revista uma carta de aviso sugerindo em que eles retirassem a matéria pois Christina é uma excelente mãe, a criança caiu e eles poderiam ser processados. Aparentemente o sítio colocou a explicação e tirou a denuncia de abuso de olho roxo… Ponto final.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Agosto 26, 2011
Saint-Rémy-de-Provence, 25 de junho de 1889
Colheita de uvas em Provence (1890) ,MONTENARD

Vendage de raisin en Provence Sidney, Art Gallery of NSW
Van Gogh comenta de suas produções de pintura e liga com entendimentos de natureza:

“Para pintar a natureza aqui, como em qualquer lugar, é preciso estar nela por muito tempo. Dsta forma um Montenard não me dá o tom verdadeiro e íntimo, pois a luz é misteriosa e Monticelli e Delacroix sentiam isto.”

Frédéric Montenard foi um pintor francês que além da tinta à óleo trabalhou também com aquarela e pastel. Seus trabalhos enfocam bastante temas da natureza, sendo um especialista em paisagens marinhas. Além disso há também algumas pinturas de gênero, onde pinta cenas de pessoas simples em suas atividades cotidianas.

Nascido em Paris no dia 17 de maio de 1849, Frédéric provêm de uma família provençal muito antigo, filho de Caroline Rodier e Casimir Montenard. Começou seus estudos artísticos em Paris na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts onde foi estudante de Pierre Puvis de Chavannes  com quem se interessou por paisagens marinhas.Em 1972 ele começa a expor no Salão de Paris, onde será presença constante. Logo ele passa a viver na região de Provence e pinta as paisagens, os portos e marinas das redondezas. Sua naturalidade com o mar lhe rederam durante a vida diversos trabalhos e entre eles ilustração de livros como “La  Marine  Francaise” (A Marina Francesa) de  Maurice  Loir, tenete de embarcação, e “Mireille” de Frédéric Mistral.Em 1889 ele recebe a medalha de ouro na Exposição Universal e no ano seguinte,  junto com seu mestre Puvis de Chavannes  foi um dos criadores da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Daí em diante ele parte para viagens marítimas para a região da Mancha e Provença.

Pouco antes de 1914 ele tenta fazer pinturas religiosas, fazento parte da Sociedade de S. Jean que reunia pinturas religiosas.Em 1921 foi sendo nomeado pintor oficial de paisagens marinhas da Marinha Francesa.

Ele morreu em Besse-sur-Issole em 11 de fevereiro de 1926. Além de pinturas de quadros ele também trabalhou em painéis decorativos para salas públicas como a estação de trem de Lion em Paris.  Honrado por seus pares e vários críticos pelo seu trabalho incessante, ele foi recompensado pela luminosidade, a perfeia exatidão de suas telas. Montenard conheceu o artista italo-brasileiro Giovanni Battista Felice Castagneto quando este esteve na França e o aconselhou estudar com o marinhista François Nardi, com quem Battista passa a residir por um tempo.

 

 

 

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

A rouca voz das quebradas periféricas

Agosto 25, 2011

Integrantes do Ponto de Cultura Mistura & Gingada. Foto: Luciano Vicioni

Sarau na Quebrada chega à 6ª edição com artistas do Jardim Sto. André na sexta-feira

Em algum lugar do Jardim Santo André, uma dona de casa escreve uma poesia sobre amor, sobre a terra que deixou para trás quando veio para a cidade grande. Em outro canto, palavras saem hemorrágicas da caneta de alguém que tem muito a dizer; são histórias, protesto, dor e poesia. Na próxima esquina, rimas são lançadas ao ar em frente a um muro grafitado, e do outro lado da rua um senhor conta causos a um garoto de olhos impressionados. Uma comunidade como o Jardim Santo André é repleta de sabedoria popular, de gente que faz arte, de gente que vira artista para sobreviver, para ludicamente driblar a realidade dos altos índices de criminalidade e do abandono.

Cada um se defende como pode. Arte, atitude ou revólver. O Ponto de Cultura Mistura & Gingada está lá para mostrar que as duas primeiras opções são as melhores. Um grupo formado por escritores, rappers, grafiteiros, poetas e agitadores culturais passou a promover todos os meses o “Sarau na Quebrada”. Nos moldes de outros saraus em comunidades de São Paulo como o Cooperifa, organizado por Sérgio Vaz e que rendeu o livro ‘Rastilho de Pólvora- Antologia Poética do Sarau da Cooperifa’, o Sarau na Quebrada tem a proposta de ocupar um bar do bairro e transformá-lo por um dia em centro cultural.

“O que mais se vê na periferia é boteco. Transformar esses lugares num ponto de encontro de artistas, além de ser uma forma de resistência contra a alienação e o álcool, é possibilitar a troca de conhecimento entre as pessoas da comunidade de um jeito familiar e acessível para elas, longe do centro”, afirmou Neri Silvestre, do Ponto de Cultura Mistura & Gingada.

Para o escritor Pico Manarrá, os saraus dão voz à comunidade e incitam uma revolução de dentro dela. “As pessoas passam a ser protagonistas da própria história, já que a história da periferia nunca é contada por pessoas que fazem parte dela. Agora elas veem que é possível se apropriar através da arte e do conhecimento”, disse Pico, para quem o caminho é a verdadeira “guerrilha cultural”.

Democracia – O termo guerilha cultural é usado pelo músico paraibano e hoje morador de Santo André Pedro Osmar, um dos fundadores do grupo Jaguaribe Carne (1974), criador do documentário “Jaguaribe Carne: Alimento da Guerrilha Cultural”, que discute a troca de ideias e produção entre artistas de reconhecimento basicamente locais e as possíveis ações de guerrilha cultural nos movimentos populares para uma administração cultural mais inteligente e democrática.

“Queremos contribuir para a formação de novos líderes nas comunidades, usar a cultura como fator de desenvolvimento, valorizar a identidade do nosso povo. Não queremos que as pessoas das comunidades que detêm conhecimento artístico saiam de seus lugares, vão para o centro e não voltem mais. Também não queremos segregar e limitar os saraus. Queremos o intercâmbio, a troca, e a implantação de novas políticas culturais para que isso aconteça”, disse o rapper Arnaldo Tifu, acrescentando que o sarau é aberto ao público.

A sexta edição do Sarau na Quebrada contará com a exposição de cartazes da antiga União Soviética; exibição do curta-metragem “O Astista contra o caba do mal”, e o debate “Terceirização= Precarização do Trabalho”; além do microfone aberto.

Serviço

6º Sarau na Quebrada
Bar do Pi: Estrada do Pedroso, 270, Vila Luzita, Santo André.
Sexta-feira (26/08), às 19h. Entrada Gratuita.

Através do Toque do pessoal da Agência Nacional de Favelas

Devir/Dançar

Agosto 25, 2011

Nesta coluna semanal deviriana do movimento trazemos mais uma história sobre a vida de um grande dançarino e que talvez seja considerado entre os maiores nomes da coreografia mundial: o dançarino, balarino, cineasta e coreografo Bob Fosse.

Com uma grande capacidade de mobilidade e criação os numeros de Bob talvez fossem tão inovadores pelo fato de conhecer um grande numero de danças. Do ballet e a dança clássica, a dança burlesca dos vaudevilles; do sapateado à dança moderna. Sua dança ao contrário da rigidez clássica trabalhava todo o corpo: ombros, pescoço, mãos, cotovelo, quadril, joelhos, etc. E é por isso que até hoje ele é considerado o mestre da coreografia.

Bob Fosse com sua esposa e companheira de danças Gwen Verdon

Robert Louis Fosse mais conhecido como Bob Fosse foi um Dançarino, Coreografo, Diretor, Performer, Escritor e Conceptor de dança que ficou conhecido no mundo todo com suas coreografias e espetáculos. Ele foi uma das personalidades mais indulgentes de nossos tempos, e aplicava o mesmo ritmo frenético de sua vida artística para sua vida. Um fã de bebidas e drogas e eventualmente temperou seus hábitos depois de um grande ataque cardíaco no início de 1970.

Nascido no dia 23 de Junho de 1927 na cidade americana de Chicago, filho de um trabalhador de espetáculos líricos com canções satíricas (vaudevillian). Ele próprio passou a atuar nestes espetáculo quando criança e em sua adolescência estava no palco em uma variedade de shows burlescos. Ele começou a estudar dança em um pequeno instituto de seu bairro e logo passou a fazer parte das Escola de Ballet Frederick Weaver, uma academia onde ele era o único homem .

Aos 13 anos Bob se juntou com outro jovem dançarino, Charles Grass,  e começou uma colaboração sobre o nome de The Riff Brothers. Em menos de 3 anos, o grupo ganhava um salário generoso de 100 dolares por semana. Aos quinze anos ele começou a trabalhar como um mestre de cerimônias (MC) em um uma série de pequenas boates. E foi em um destes locais onde ele coreografou seu primeiro númeor, envolvendo quatro garotas manipulando leques de avestruzes durante a música de Cole Porter. Em 1945, ele se graduou de Amundsen High em Chicago e se alista na Marinha, sendo colocado em unidades de entretenimento do Pacífico. Ele posteriormente aperfeiçoou sua técnica como um performer-coreografo-diretor  enquanto servia suas obrigações.

Depois da segunda Guerra, ele e sua esposa, Mary-Ann Niles, formaram um duo de dança e apresentaram em clubes noturnos, televisão e musicais. Sua performance na Broadway começou em 1950 em um espetáculo revue chamado ‘Dance Me a Song”, e dois anos depois ele substituiu Harold Lang no papel de resurgimento de Pal Joey, um papel que assumiu depois em grande turnê.

Fosse foi para Hollywood in 1953 quando assinou um contrato com MGM. Lá, ele dançou e cantou e três musicais e também coreografou e atuou em “My Sister Eileen” foi quando mostrando seu molejo se casou  Joan McCracken (1951 – 1959).

O trabalho de Fosse coeçou a ser reconhecido e ele ganhou o Donaldson Award , seguido Tony Award, que conquistou mais de dez vezes. Durante seu espetáculo “Damn Yankees” ele  conheceu sua terceira mulher, Gwen Verdon, com quem casaria em 1960 e viveria até o fim de sua vida, e com quem teve sua  unica filha, Nicole Providence Fosse.

Em 1959, Bob dirigiu seu primeiro musical na Broadway, Redhead, que foi estrelado por Gwen. Desta parceria surgiram vários

A década de 70 foi uma das mais badaladas para Fosse. Logo de início recebeu o Oscar e dois Tonys pela direção e coreografia de Pippin na Broadway e três Emmys pela produção, direção e coreografia de Liza com Z.

Bob Fosse continua seus trabalhos no cinema (onde dirigiu ao menos 7 títulos)  com o dramático Lenny que conta a história biográfica de Lenny Bruce e posteriormente coreografou o clássico kinemasofico “O Pequeno Principe” de 1974, onde também atuou como a serpente.

Posteriormente seu trabalho Chicago estourou na Broadway e até hoje é apresentado e visto por milhões de pessoas. O sucesso de Chicago foi seguido em 1978 de um polemic espetáculo “Dancin’” que mostra um verdadeiro estilo de Fosse e ao mesmo tempo um inovador e revolucionário espetáculo. Sem um roteiro fixo e sem muitas falas, ele mostrou só dança e esta omissão mostrou uma força muito grande. Deixando um pouco a polêmica, Fosse gravou um cinema que foi um grande sucesso mundial “All that Jazz” e recebeu nove oscars

Depois de todo sucesso, a década de 80 se mostrou não muito valorizada para as obras de Fosse. Primeiro seu ultimo cinema, Star 80 (1983), foi pouco visto e escurraçado pela crítica. O filme conta sobre a morte trágica da modelo da Playboy, Dorothy Stratten,  que foi assassinada pelo marido. Este fracasso foi seguido pelo último espetáculo da Broadway dirigido e encenado por Fosse ( e que levou 17 anos para ficar pronto), Big Deal (1986), que é uma adaptação de uma comédia italiana.

Este trágico fim de seu espetáculo segue um outro trágico evento: após o ensaio do espetáculo “Sweet Charity” Fosse entrou em colapso fora do Willard Hotel em Washington, D.C. Sua esposa (quem estivera separado por algum tempo) Gwen Verdon estava com ele e lhe levou para George Washington University Hospital, tendo ele sofrido um ataque cardíaco e padecendo às 19:23 do dia 23 de Setembro de 1987 na capital americana Washington, DC, aos 60 anos.

Foi um rápido fim de uma carreira que foi extraordinariamente acelerada. Fosse já havia meditado sobre uma morte jovem: “ Eu sempre pensei que morreria aos 25. Era romântico. Pessoas me murmurariam: “Oh, que jovem carreira”.  Ele não morreu obviamente tão jovem, mas logo todos lamentavam o quanto ele ainda poderia nos dar.

Bob Fosse (a esquerda) no set de seu último cinema Star 80

Coreografia de seu último espetáculo na Broadway ” Dancin’ “

Photo graphein: Adriana Lestido

Agosto 25, 2011