Exposição “No set de filmagem” relembra primórdios da história do cinema

A exposição que ocorre no Museu do Cinema e da Televisão de Berlim traz documentos objetos e muita história do início do cinema, trazendo desde os pioneiros europeus como os irmãos Lumière, Méliès, Emile Cohl, Abel Gance, Dimitri Kirsanoff, Max Linder passando pelos alemãos Murnau,  Paul Leni, Paul Wegener, e incluindo os Ingleses como George Albert Smith, James Kenyon, Sagar Mitchell e Charles Chaplin e americanos como  William K.L. Dickson, Hal Roach, Harold Shaw, J. Stuart Blackton, D.W. Griffith,  Edwin S. Porter, Harold Lloyd, Buster Keaton e Roscoe Fatty Arbuckle.

Filmagens de ‘O último homem’, de Murnau

Abaixo nosso bloguinho reproduz uma entrevista na íntegra feita pelo Deutsche Welle com Rainer Rother , diretor do Museu, que fala em entrevista sobre mostra que reconstrói as origens da sétima arte.

Deutsche Welle:Paris, Babelsberg e Hollywood são três centros conhecidos desde o início da história do cinema. Comecemos por Paris: que papel desempenhou a França nas décadas de 10 e 20 do século passado?

Rainer Rother:A indústria cinematográfica francesa teve uma vantagem inicial. Em 1895, a França festejava e invenção do cinema e os franceses souberam fazer muito bom uso disso. Até 1914, o estúdio Pathé era, ao lado do Gaumont, uma das principais empresas do mundo. Isso era visível em figuras públicas como Max Linder, por exemplo, um dos grandes cômicos do cinema, ou a famosa atriz Sarah Bernhard. E a França começou a construir grandes estúdios já em 1908. Isso só viria a mudar depois da Primeira Guerra Mundial, quando surgiram os grandes estúdios norte-americanos na Califórnia. Mas até 1914, a indústria cinematográfica francesa era uma entre as líderes do mercado.

Deutsche Welle: Hoje, mesmo quem não é especialista no assunto, conhece os inventores do cinema, ou seja, os Irmãos Auguste e Louis Lumière e Georges Méliès. Os Irmãos Lumière são considerados os criadores dos primeiros documentários e Méliès é frequentemente visto como o “inventor” do cinema de ficção. Eles foram os pilares que marcaram o cinema na França?

Rainer Rother:Havia também outras referências. É claro que a evolução do cinema se deu, de um lado, rumo ao documental, com os Irmãos Lumière; e com Méliès, para o lado da fantasia. Mas havia também o cinema de arte, ou seja, tentativas de fazer um cinema sério, nas quais eram envolvidos atores de teatro e as peças eram filmadas. Isso começou a acontecer também na França.

Além disso, havia outros gêneros cinematográficos que iam sendo desenvolvidos, como filmes de vampiros e as histórias de Fantomas, por exemplo. As séries tornaram-se incrivelmente populares e foram precursoras de um estilo. E obviamente foram feitas também as primeiras tentativas de tratar temas de relevância social, como, por exemplo, no filme A roda, do diretor Abel Gance [história de um maquinista de uma locomotiva, que cria um filho adotivo]. Era uma indústria cinematográfica muito diversificada e poderosa, que surgiu ali e foi ganhando influência em todo o mundo.

Os primórdios de Hollywood

DW:Vamos falar agora de Hollywood, ainda hoje o mais poderoso centro de cinema no mundo, mesmo considerando que Bollywood (na Índia), a essas alturas, tenha produzido mais filmes. Na exposição em Berlim, há várias fotografias belíssimas em preto-e-branco, que irradiam uma perfeição incrível. Hollywood já era, desde o início, uma máquina de fazer cinema tão perfeita como a que conhecemos hoje?

RR:Na verdade, não, pois Hollywood começou, em comparação com os estúdios franceses, relativamente tarde. Os primeiros estúdios surgiram lá em 1912. Mas aí tudo foi se desenvolvendo assustadoramente depressa. Tudo começou com a propaganda de que lá havia 350 dias de sol por ano. Isso era, para a então recém-criada indústria cinematográfica, incrivelmente importante. A luz era um fator de valor altíssimo, de forma que foram sendo fundados cada vez mais estúdios.

O famoso diretor Mack Sennett e outros mais mudaram-se para a Califórnia. Lá começou a ser criada a indústria do cinema mais poderosa do mundo. Isso tem também a ver com fato de que, nos EUA, o sistema de “estrelas” se estabeleceu bem cedo. Percebeu-se que as estrelas do cinema não deveriam viver escondidas, mas deveriam, ao contrário, ser expostas, para que o público frequentasse os cinemas. E tem também a ver com o fato de que foram sendo desenvolvidos diversos gêneros populares, entre eles o western, o policial e naturalmente a comédia também.

DW:Vamos falar, por fim, de Babelsberg. Seria de imaginar que, sendo na Alemanha, a exposição voltaria seus olhos não somente para a França e os EUA, mas também para o próprio país. Mas a exposição considera Babelsberg e o cinema alemão não somente por isso, mas porque o cinema alemão foi muito ativo desde o início!

RR:Em 1912, o pioneiro do cinema Guido Seeber construiu o primeiro estúdio na Alemanha, em Babelsberg. Era o início de uma real história de sucesso. Em 1917, então por motivos de propaganda, foi fundada a UFA, o primeiro grande grupo alemão da indústria do cinema, situada em Babelsberg. Foi assim que o sistema de estúdios começou de fato a fincar os pés na Alemanha.

Foi um sistema que se tornou internacionalmente conhecido, sobretudo nos anos 1920 da República de Weimar, com diretores como Fritz Lang, Friedrich Wilhelm Murnau, Georg Wilhelm Papst. As diversas profissões ligadas ao cinema afloravam na Alemanha, o que vinha a calhar para a indústria cinematográfica. Principalmente com os roteiros de um Carl Mayer e os cenários de pessoas como Erich Kettelhut, foi sendo definido um estilo.

A forma como um set era iluminado, por exemplo, em um filme de Murnau, influenciou o cinema de Hollywood. O diretor norte-americano John Ford era um dos entusiastas dessa iluminação, e tentou imitá-la. Os diretores alemães eram levados para os EUA. Ernst Lubitsch foi o primeiro a trilhar este caminho, seguido depois por Friedrich Wilhelm Murnau. O cinema alemão se transformou em selo de qualidade e artigo de exportação.

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