UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Londres , começo de janeiro de 1874

Elefantes da África (c. 1867) , TOURNEMINE


Elépanths d’Afrique, Paris, Musée d’Orsay

Van Gogh que está em Londres e respira arte e escreve para o irmão suas percepções , desejos e faz uma troca de pintores que admira:

“Escrevo abaixo alguns nomes de pintores de quem eu gosto particularmente: Scheffer, Delaroche, Hébert, Feyen-Perrin, Eugène Feyen, Brion, Jundt, George Saal, Israels, Anker, Knaus, Vautier, Jourdan, Jalabert, Antigna, Compte-Calix, Rochussen, Madrazo, Fromentin, Tournemine,…”.

Charles Emile Vacher de Tournemine foi um pintor orientalista francês que trabalhou em diversas cenas do cotidiano, paisagens marinhas e pinturas orientalistas.

Nascido em 25 de outubro de 1812 em Toulon, neto de um renomado arqueólogo e filho do general da armada francesa Bernard Vache de Tournemine com Marie Anne Victoire Roubaud, que na ocasião do nascimento já estavam separados.

Ensinado por sua mãe, desde cedo já mostra aptidão para o desenho.Alistado na escola de aprendizes da marinha em 1825, permanece como marinheiro até 1831, participando na Batalha de Navarin onde é ferido no olho direito. Ele visita todo o Mediterrâneo, em particular os Balcãs,a Asia Menor, a Turquia, o Líbano, Beirute, Tiro, Alexandria, O Chipre a África e o Egito. Ele ainda passa nove anos em um exercito de terra,  onde seu pai era coronel e em 1830 integra o corpo expedicionário em Argel. Em 1831 deixa o exército indo para Paris e entrando no atelier de Eugène Isabey..Em 1845, sua tia Agatha com quem ele morava falece e deixa Tournemine como herdeiro. Neste mesmo ano ele se casa com Marie- Émilie Clarisse Chauvin. Ele ainda começa sua correspondência com Thoré e juntos criam o projeto de editor da revista “l’Art Moderne” que vem a fracassar. Começa a fazer várias viagens pela França e a exibir no Salon em 1846, mesmo ano que começa a publicação de “Artistes contemporains” com o pintor François-Louis François. No ano seguinte  nasce seu filho Marie-Charles François Maurice que morre no ano seguinte. Também nasce neste ano sua filha Marie-Agathe-Édith.

Em 1849 ele faz uma viagem curta à Itália e nasce seu outro filho Lucien-Léon-Eugène. Ele trabalha principalmente na Bretanha e executa cenas de marinha e a partir de 1852, se volta a cenas orientais e se torna curador do Museu de Luxemburgo. No ano seguinte recebe o título de Oficial da Legião de Honra Francesa e viaja a Argélia em estudos orientalistas que foram expostos na Exposition Universelle de 1855. Suas viagens continuam e em 1860 viaja pelo Danúbio, seguido de Suiça e Asia Menor. Em 1864 conhece os irmãos Goncourt com quem fez uma grande amizade e que inspira os irmãos na publicação de “Manette Salomon” a partir da correspondência de viagem com Tournemine.

Em 1869 ele participa da equipe francesa que assiste a inauguração do Canal do Suez, convidado pelo rei do Egito. No dia 1871 ele deixa suas funções de curador e volta em dezembro para Toulon. No dia 22 de dezembro de 1872 morre Charles de Torunemine em Toulon. Após sua morte ele recebe uma exposição em Toulon e em Viena.

SOBRE A OBRA

Aqui, Tournemine apresenta o mundo segreto dos animais selvagens em uma “paisagem de Eden” mas com uma atmosfera ligeiramente convendional de um por do sol. A força dos elefantes está em harmonia com a calma e sultileza da paisagem, ainda mais com eles cohabitando pacificamente com um grupo de pássaros. Tournemine, que viajou com abundância, produziu muitas pinturas neste modo “pitoresco” oriental; cenas do cotidiano e paisagens, admiradas por suas ricas cores populares com os visitantes dos Salões orientais nos anos de 1850 e 1860. A pintura imerge o espectador do século XIX em outro mundo que estava ainda mais admirável do que é hoje: o elefante está raramente representado nos zoológicos, ainda detêm o poder de impressionar.______________________________________________________________

Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

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