BANDINHA DO OUTRO LADO 2012

MARCHINHA DA BANDINHA DO OUTRO LADO 2012

Composição: Crianças do Novo Aleixo

“Chegou! (a brincadeira)
Chegou! (a fantasia)
Chegou! (a alegria)

A bandinha do outro lado
Pra mostrar seu carnaval
Trazendo um tema que toca em todo  mundo
 O compromisso com a defesa ambiental

A bandinha do outro lado
É a criança brincando em sua beleza
Por isso ela canta, dança, pula, bole
Sempre livre, Não dá mole
Porque ela é natureza

O carnaval que tem suas origens nas festas pastoris gregas em homenagem ao deus Dionísio, em celebração à vida e à colheita, teve sua potência libertadora dionisíaca passando pela existência de várias crianças, jovens, pais e moradores do Novo Aleixo, Zona Leste de Manaus, que produziram todos um encontro transformador, deixando seus afazeres domésticos e cotidianos para deixar passar a vida.

Sabemos que a não-cidade de Manaus é produtora de tristezas que imobilizam muitos corpos inclusive no carnaval. Além de sofrer com os problemas infelizmente cotidianos da falta d’água, transporte coletivo inoperante, falta de opções de lazer e eventos culturais nos bairros, ruas sem pavimento, calçadas e bueiros, praticamente não há a produção de bailes, blocos e produções dionisíacas durante o carnaval. Mas no bairro do Novo Aleixo, as crianças produzem todo ano o sentido alegre da vida, além desta desconstituição de não-cidade.

A festa que iria acontecer neste domingo, 19/02/2012 de carnaval foi transferida para o dia 20/02/2012 devido a chuva torrencial que desabou sobre toda a não cidade. Porém, nenhum fato pode abalar o encontro momesco da 5a edição  Bandinha do Outro Lado que começou sua concentração às 16:30, na Rua Rio Jaú, na casa da Mirian, palco onde aos domingos se opera era a criação kinemasófica, se transformou em uma oficina de retoque dos últimos detalhes das fantasias carnavalescas. Neste ano a grande novidade é um palhaço gigante afinado que tem suas raizes nos maravilhosos bonecos gigantes de Olinda, do grande Mestre Salustiano.

Clique nas imagens para ampliar



Enquanto as crianças se pintavam e terminavam suas fantasias os músicos foliões da Bandinha esquentavam a garotada ao som das marchinhas. Com tudo na agulha, as crianças e adultos se posicionaram à beira da rua para começar a caminhada que  se seguiu pelas ruas do bairro cheias de lixos, entulhos,  desviando-se para dar passagem à Bandinha.

'Vizinho' o Rei do Carnaval e a Rainha Poli

 

E a alegria brincante começa trazendo a origem dionisíaca do carnaval, com o bode (tragos em grego) a frente da bandinha representado pela criança afinada Hayssa, seguida do Rei Momo e da Rainha do carnaval, além dos cantos, sátiros e a alegria do Dionísio cuja imagem estava em num porta estandarte.

Aos poucos a Bandinha foi tomando as ruas e enchendo todo o bairro da contagiante festa do carnaval que acontece sem os preconceitos e bloqueios produzido pelos homens que pontuam suas existências por limites, especificamente religiosos inertes, conservadores e imóveis. Logo vários moradores saíram de suas casas e integraram a transformação feita bandinha.

Mesmo com as ruas entulhadas de lixo, cuja a coleta foi prometida aos moradores há mais de um mês pela prefeitura (com  inoperância de um prefeito cassado) , a bandinha não diminuiu sua potência de agir e elevou a vida do Novo Aleixo a outro plano, longe da perversidade dos governantes.

Após o andar  de encontros transformadores do Novo Aleixo, a bandinha voltou a sua concentração, onde o bode do carnaval a criança Hayssa falou um pouco sobre a história desta festa.


Depois a festa continuou com os toques da Bandinha músical e o cantar de diversas músicas e marchinhas do carnaval brasileiro, e o alegre dançar dos passistas, ritmistas, pais, foliões, reis e rainhas da nossa bandinha.

E na Bandinha do Outro Lado um dos grandes momentos do salão carnavalesco é a marchinha “Corre, Corre lambretinha” do grande compositor carnavalescos João de Barro, o Braguinha.  Como se vê no video o correr da lambretinha é o motor da alegria contagiante da Bandinha do Outro Lado.

Logo depois houve o desfile das fantasias e cada criança pode mostrar seu trabalho na produção de fantasia e fazer outros percursos diferente que faz na escola e em casa. E na passarela os dançarinos da bandinha.

E a festa tomou o salão até a boca da noite, com a bandinha em seus encontros crianças alegres produzia novos movimentos nos corpos e deixando neles rastros da animação. Muitas marchinhas, danças, movimentos , sorrisos seguiram até a hora de recompor as energias com um delicioso mata-broca carnavalesco que trazia vatapá, arroz, frango, seguido de bolo de chocolate, doces e o delicioso sorvete doado pelo afinado Nelson que nas quadras não-carnavalescas é conhecido como Nelson Noel. E a alegria dionisíaca da bandinha irradia durante todo ano até que as comunalidades se encontrem na produção de uma nova Bandinha.

 

BANDINHA DO OUTRO LADO

TODO DOMINGO GORDO NO NOVO ALEIXO

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