Devir/Dançar

O Devir/Dançar de hoje vem trazendo uma dança que de clássica tem só a tradição. Trata-se de uma das danças populares proveniente dos negros escravos e que se difundiu em todo o Nordeste e posteriormente por todo o país. Trata-se do Côco, um ritmo musical e dançante com vários tipos de manifestação que fizeram a alegria de muitos brasileiros e produziram sons de Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva, Zé Neguinho do Côco, Dona Selma do Côco, Cila do Côco, Krhystal e muitos outros.

O estudioso de nossa cultura Luis da Câmara Cascudo, em seu dicionário de folclore definiu coco como: “Dança popular nordestina. O refrão que responde aos versos do tirador de coco ou coqueiro, é cantado em coro. É canto-dança das praias e do sertão. A influência africana é visível. Na Paraíba e no Rio Grande do Norte, o usual é a roda de homens e mulheres com solista no centro, cantando e fazendo passos figurados, até que se despede convidando o substituto com uma vênia ou até mesmo com uma simples batida de pé (ver Umbigada). Embora a coreografia seja a mesma, existe uma variedade de tipos de coco, tomando as designações dos mais diversos elementos. Por exemplo: dos instrumentos, da forma do texto poético (coco de décima, coco de oitava); do lugar em que é executado ou a que o texto se refere; do processo poético-musical. A forma dos cocos é uma estrofe-refrão. O refrão ou segue a estrofe ou se intercala nela. Poeticamente, apenas o refrão é fixo, constintuindo o caraterizador do coco. As estrofes, quase sempre em quadras de sete sílabas, são tradicionais ou improvisadas. A estrofe solista, em especial nos chamados cocos de embolada, revela com frequência o crote poético-musical da embolada. A frase “quebra-coco” (ou “vamos quebrar coco”) indica convite para a tarefa ou para o canto, que se tornou dança. Daí o quebra-coco contemporâneo não mais referir-se ao trabalho e sim unicamente a dança. E os gritos de excitamento, “quebra”, seriam dirigidos inicialmente ao coco e posteriormente a dança. Alagoas, de extensos coqueirais, reivindica com fundamental a prioridade do coco dançado. Um estribilho ouvido na Paraíba, por volta de 1875, assim dizia:

Quebra coco, quebra coco,/ Na ladeira do Piá/ Quando há coco maduro/ Só se apanha coco lá!…


O coco alagoano é bem diverso, como coreografia, do paraibano e do norte-rio-grandense. Quebrar coco e dançar é voz de excitamento- “Quebra! Quebra o coco!’- e teria relação com o requebro, requebrar, requebrado, quebrar repetidamente, atraindo elementos de outras danças populares, crescendo pelos componentes rítmicos. Do canto-de-quebrar-coco passa a dança de roda, depois para filas paralelas, e já em Alagoas, sua pátria, dança (Viçosa) lado a lado, em duplas, com tropel-e-valsado, evoluindo para a dança de sala e não coletiva, ao ar livre, como nascera. O mesmo aconteceria com o batuque. O coco alagoano surgiu por ocasião de importantes festejos da comunidade, principalmente festas juninas. É dança cantada, marcada pela batida dos pés. Suas personagens são o mestre e um tocador de coco, que entoam as cantigas cujo refrão é respondido pelos cantadores. Também denominado pagode ou samba, é aparentado com o batuque angola-conguense. No Rio Grande do Norte, o coco tem nome de zambelô ou bambelô, e é dançado ao som do ganzá, afoxê ou maracá, pequenos tambores e atabaques. Apresenta uma movimentação variada fazendo com que sua coreografia receba diferentes denominações: coco-de-zambê; coco-de-praia; coco-de-roda, coco-de-fila; coco-de-embolada e tantos outros. No Piauí é frequente o coco-pereruê, dança de terreiro com coreografia marcada pelo ritmo do sapateado, ao som das batidas de casca de coco, do pandeiro e de pequenos tambores. É dança de pares soltos, animada pela cantoria (Pesquisa de Noé Mendes de Oliveira, Piauí, e de Ranilson França de Souza IN: Câmara Cascudo, Dicionário de Folclore,2001, Ed. Global).

E como este coco ou côco é danado, embolado e cheios de traçados, nossa coluna deixa alguns vídeos de coco, e quebra coco….

Cila do Coco, uma das cantoras mais destacadas do nordeste do Brasil, ensina a história do Coco.

Coco de Roda, no Pátio da Igreja da Sagrada Família, Mirandiba/Pernambuco.

O grupo pernambucano Samba Coco Raízes de Arcoverde


Coco de Umbigada de Guadalupe-PE

Coco Pereruê (ou aparentemente denominado na atualidade Peneruê)

Coco de Roda Mandacarú de Alagoas

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