A poesia pernanbacana de Miró

Quantos sacos di cimento

Há em ti São Paulo?

Quiçá meu coração não fique concreto

Alguma coisa acontece?

A elite vai em massa a Eletra

Substantivo concreto

Quem lê os campos?

Substantivo abstrato

Náufragos dessa onda

Atenção para o toque di 8 segundos

Manifesto Contra a Cultura Lata di Sardinha

Certos estranhos

pedaços de rua

habitam meu olhar.

A solidão sentada

no colo das vovós

novelo de linha,

traçando o tempo

veloz das esquinas.

Radiografia

Recife,

cidade das pontes

e das fontes

de miséria.

Poetas mendigando

passes

pra voltar

pra casa.

E sua poesia

passando despercebida,

aliás

nem passa.

Marginal Recife

Passo horas

Pensando porque tanto penso

Em algo que não é nem tanto.

Ser humano:

Saco de coisas.

Uma pá de sentimentos.

Tijolo por tijolo

Até virar cimento.

…………………………………….

O cheira-cola coçando piolhos

De frente ao aeroporto

Fantasias eróticas Domingo e segunda-feira

-21 hs- não percam!!

Um pedreiro negro sem camisa e chapéu

Dizendo ao patrão branco

O que tá faltando na construção do mundo.

Dois caras encostados na estátua

da calçada do Geraldão

Na inércia de uma Terça nublada

O motorista do ônibus dá um banho

num cara de gravata todo arrumado

é melhor evitar a Mascarenhas de Moraes

(disse o cara pelo celular)

uma sirene da polícia bem alto

avisando ao ladrão que está chegando

um ser humano se arrastando

no alumínio do ônibus

descendo com duas moedas de 10 centavos

De Muribeca ao Centro

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