O artista Selarón finda sua produccíon na construção estética de uma escadaria

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Com colaboração de Aruã Silva Vargas do Blog dos Antiquários

Um artista sempre é fruto da seu lugar e seu tempo. Ele tem uma leitura criadora do(s) mundo em que vive e usa dos elementos desta realidade para que possa construir outra com outros signos e valores. Em outras palavras , ele capta o mundo que quer continuar o mesmo e o raimundeia mostrando que por seu trabalho estas linhas duras podem ser rachadas em novas formas de percepção, linguagem, relação com o espaço tempo.

Mas e se o artista for estrangeiro? Não importa a pátria mãe gentil, pois para o artista o mundo sempre vai além e sua capacidade de criação desvencilha uma forma de subordinação a qualquer forma de engessamento. Além disto a arte não tem limites geográficos ou temporais estando sempre no mundo.

Desta forma a arte do chileno Jorge Selarón, que parou sua produção nesta semana, continuará sempre pulsante e interpelante das formas de relação com os espaços do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo.

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Há dois dias seu corpo foi encontrado carbonizado na escadaria que ele produziu e que mantem boa parte de Selarón vivo. Mas vocês devem estar perguntando quem foi este homem. Quiçá só um artista famoso responsável por tornar uma escadaria famosa e ponto de visitação turistica pra gringo (não) ver. Nas vezes que passava pela lapa no Rio de Janeiro, sempre o encontravam no Bar e Restaurante Ximenes, sempre olhando e desenhando a escadaria em um bloquinho.

Jorge produziu sua obra durante muitos anos em sua composição com o mundo, e junto com ela engrendrou muitas amizades, vivências e novos entendimentos sem nunca se preocupar em ser reconhecido. Ele entendeu assim como muitos homens (inclusive o carioca querido Profeta Gentileza) que o mundo, a cidade tem que ser transformada, esvaziada de seus elementos dominadores e fazer com que todos tenham a oportunidade de se movimentar, de se des/dobrar,  de ser singular.

Assim Selarón tem seu corpo violentado, profanizado e enterrado. Porém seu espírito está presente no Rio e no mundo e ele sempre será lembrado como O homem que fez a escadaria da Lapa.

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