Devir/dançar

Nosso devir / dançar continua seu movimento constante na descoberta da arte da dança que baila conjuntamente com outras manifestações. E neste novo ano traremos muitos mais movimentos ligados arte buliçosa dançante.

Hoje traremos a dança a partir de um cinema bastante especial e que trata metalinguisticamente a dança. Ou seja trata a dança pela dança, ou como se faz um espetáculo de dança em um fime de dança. Embora não seja um dos clássicos da dança este cinema traz um bom diretor e uma atriz que é bastante ligada a dança. Mas o melhor é as histórias parte documentais parte ficção de uma companhia de dança.

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Uma companhia de dança é mais do que uma estrutura contábil-administrativa-burocrática que deve responder a um mercado. Uma companhia de dança abarca a possibilidade criativa da produção de movimentos que na retina gerem 0 novo como possível.

Deste modo o dançarino não mantem com esta companhia uma mera relação entre burguês-proletário, patrão-empregado. Não se nega que existe em alguns casos a exploração, porém no meio desta relação empregatícia o empregado que é o artista tem toda a capacidade de não se alienar de sua força (não de trabalho, mas de criação) e modificar e ampliando sua relação com o mundo. Mesmo com uma coreografia já ensaiada o dançarin@ traz em sua leveza a produção e a cada espetáculo atualiza afetivamente seu bailado.

CINESQUIZO E DEVIR/DANÇAR

ENUNCIAM

DE CORPO E ALMA

The company Robert Altman 2003 The Joffrey Ballet of Chicago 4

Titulo Original: The Company/ Das Company

Ano: 2003

Elenco: Neve Campbell ( Loretta ‘Ry’ Ryan), Malcolm McDowell (Alberto Antonelli), James Franco (Josh), Barbara E. Robertson (Barbara Robertson), William Dick (Edouard), Susie Cusack (Susie), Marilyn Dodds Frank (Mrs. Ryan), John Lordan ( Mr. Ryan) e dançarinos/companhia do The Joffrey Ballet of Chicago

Diretor: Robert Altman

País: Estados Unidos/Alemanha
Duração :112 minutos
The company Robert Altman 2003 The Joffrey Ballet of Chicago

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Um olhar de dentro do mundo do de uma companhia de balé . O filme foi produzido com a colaboração completa do Joffrey Ballet of Chicago, que contaram histórias dos bailarinos que se transforam ao entrar em contato com a dança. Campbell interpreta Loretta “Ry”, uma talentosa mas conflituosa dançarina prestes a se tornar a estrela de uma trupe de Chicago com co-fundador da companhia e um dos coreógrafos de maior destaque no país. Josh ocupa parte do tempo de Ry como o namorado que não está envolvido com a dança.

Com uma sequência de abertura vibrante como mostra o vídeo acima, este cinema do diretor Robert Altman conta com a produção, roteiro e atuação como atriz principal da canadense Neve Campbell. A primeira vista pode-se questionar o porque de Altman colocar uma história Neve Campbell, uma atriz com uma carreira hollywoodiana com filmes industrialmente péssimo (desculpem a redundância) como Panico, em uma de suas últimas produções? Foi um equívoco? Não.

Talvez sabendo que Campbell desde criança foi bailarina se juntando inclusive ao National Ballet School of Canada, porém não pode seguir carreira por diversas lesões como a retirada de um joanete de seu dedão e problemas nas juntas. Daí mais uma vez pode-se questionar se a escolha de Altman não foi para deixar ilusoriamente um sonho de Campbell ser encenado e tornado realidade em uma grande companhia de balé. Mais uma vez errado. Neve realmente teve uma carreira não muito cativante como atriz porém ela passou neste cinema o amor pela dança, este mundo mágico (e real) que cria e destroi realidades. Não é nenhuma forma de tentar reviver a ilusão. Tanto que mesmo não se tornando uma bailarina profissional, Neve continuou durante sua carreira de atriz se dedicando a dança e indo para a barra do batente, algo que fica claro em sua performance excelente como bailarina nas cenas.

The company Robert Altman 2003 The Joffrey Ballet of Chicago 2

A Companhia é bem mais do que o espaço físico ou suas decisões. A companhia de dança é um corpo não estático que utiliza de seus elementos e planos de ação a partir do talento dos coreografos e bailarinos para a produção.

De fato o trabalho de Altman/Campbell é quase (no sentido de sua amplitude de situações) um documento sobre o cotidiano produzido em uma grande companhia de Ballet. Vemos diversas situações comuns como desentendimentos do diretor da companhia com coreografos por causa de uma parte da coreografia, famílias de dançarinos que se desentendem devido a troca nos papéis, coreografos que tem que mudar o espetáculo pois o diretor da companhia gentilmente mostra que o sonho do coreógrafo tem de ser feito, mas com certas modificações que sejam rentáveis pela companhia, etc.

The company Robert Altman 2003 The Joffrey Ballet of Chicago 5

Em uma das cenas vemos uma bailarina que quebra (ou ao menos sofre uma lesão grave) com seu pé após um salto. Ao sentir a ausência de apoio e já percebendo que perderia o papel ocorre a inevitável queda. Porém além da queda física há a queda da produção seguida do medo de não poder mais dançar. Os presentes ficam sem reação. Altman coloca a câmara em um plongée, mostrando do alto a bailarina que se torna pequena. Seus pensamentos, frustrações a levam para cima da realidade que se impôs. Os spots de luz ainda focam a bailarina cuja a formosura esta rente ao chão.

Por ser uma dança de movimentos precisos, no balé erros podem ser onerosos a uma carreira de anos. A bailarina aceita seus limites porém é constantemente forçada a ultrapassa-los. É necessário uma tênue linha entre a prudência e a ousadia. Dançar se jogando no escuro abismo do palco que recebe quem dança e aguarda os acasos de seus passos.

The company Robert Altman 2003 The Joffrey Ballet of Chicago 3

Quando aparece a cena da primeira apresentação quando Ry dança sentimos na dança que ocorre durante a tempestade o sentimento leve da bailarina, que entrega todo o seu corpo a dança das ondas, assim como o marinheiro entrega a vida e solta o remo durante a tempestade.

Nesta forma livre, seguindo apenas os movimentos coreográficos do mar, a bailarina pode se entregar a criar movimentos que se intercalem e faça ela sentir toda ao furor da arte que circula dentro de si.

No espetáculo final vemos que entre as tomadas do palco aparecem a camera em travelling pelas coxias e durante toda esta parte dos “bastidores” ouvimos a composição de vozes, e movimentos dos produtores, cenografos, técnicos, sonoplastas para que o espetáculo continue vivo no coração do palco. Assim Altman nos envolve nestas periferias que não se ve da plateia, mostrando que assim como a companhia os espetáculos são um todo dinâmico, vivo que nasce de ideias que vai envolvendo todo o corpo da companhia e se torna real nos movimentos artísticos dos corpos dos bailarinos.

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