UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Haia, 2 de junho de 1882

A Forja (Ciclope moderna ,1875), MENZEL

Adolf Friedrich Erdmann von MENZEL- La Forge (Cyclopes modernes, c. 1875) , Berlin, Alte Nationalgalerie

Eisenwalzwerk (Moderne Cyklopen), Berlim, Alte Nationalgalerie


Na nossa volta da coluna do estudo da arte da pintura através do artista holandês, continuamos a carta onde Van Gogh descreve a Theo as gravuras em madeira que possui:

“GRAVURAS DE MADEIRA QUE VINCENT POSSUI

1 Pasta Tipos populares irlandeses, mineiros, fábricas, pescadores, etc., na maioria pequenos esboços a pena.

1 pasta Paisagens e animais, Bodmer, Giacomelli, Lançon, a seguir algumas paisagens determinadas...

1 pasta Trabalhos do Campo de Millet, a seguir Breton, Feyen Perrin e lâminas inglesas de Herkomer, Boughton, Clausen, etc.

1 pasta Lançon

1 pasta Gavarni, completada por litografias, nenhuma rara.

1 pasta Ed. Morin

1 pasata G. Doré

1 pasta Du Maurier, muito cheia

1 pasta Ch. Keene e Sambourne

1 pasta J. Tenniel completada pelos cartoons de Beaconsfield

Falta John Leech, mas esta lacuna pode ser facilmente preenchida pois pode-se obter uma reimpressão destas gravuras em madeira, o que não é muito caro

1 pasta Barnard

1 pasta Fields e Charles Green, etc

1 pasta Pequenas gravuras em madeira francesas, álbum Boetzel, etc.

1 pasta Cenas a bordo de navios ingleses e croquis militares

1 pasta Heads of the Peole por Herkomer, completada por desenhos de outros artistas e por retratos.

1 pasta Cenas da vida popular londrina, desde os fumantes de ópio e White Chapel e The seven Dials, até figuras das damas mais elegantes, e Rotten Row of Westminter Park. Foram juntadas cenas correspondentes de Paris e Nova York. O conjunto é um curioso ‘Tale of those cities’.

1 pasta As grandes lâminas de Graphic, London News, Harpers Weekly, etc, entre as quais, Frank Holl, Herkomer, P. Renouard, Fred. Walker, P. Renouard, Menzel…

 “Nenhum dia sem desenhar.” – Adolf von Menzel

Adolf Friedrich Erdmann Von Menzel ou Adolph Von Menzel foi um pintor, ilustrador e gravurista alemão-polonês, pioneiro do realismo alemão e  conhecido pelas pinturas do cotidiano, sua técnica e estudos de cor e luz, que influenciaram o impressionismo, sua pinturas  históricas sobre história germano-prussiana e suas pinturas da corte alemã.

Nascido em Breslau (Wroclaw) na Prússia, hoje Polônia, no dia 08 Dezembro de 1815, que já mostrava talento na infância quando  aos 12 anos fez sua primeira obra artística: um desenho. Durante sua vida o baixinho Menzel, que tinha 1 metro e quarenta de  altura (4’7″), sempre foi uma figura conhecida nos bailes e na vida social. Segundo um amigo do pintor Degas ele era “um  homem baixo com óculos, pouco falante, bebendo champanhe e fazendo esboços”.

Filho de um gravurista litográfico, a quem ajudava no ofício. Mudou-se com a família para Berlim em 1830 e viu seu pai morrer  dois anos depois. Algumas fontes citam que o pai de Menzel era também o diretor de uma escola para garotas e desejava que o  filho se tornasse um professor.

Adolph assumiu a loja de seu pai e assumiu o sustento da família. Ele fez suas primeiras ilustrações em 1834 e uma série  maior de ilustrações de livros no fim da década de 1830. Apesar de um curto estudo na Academia de Berlim em 1833, Menzel é  considerado totalmente autodidata. Neste mesmo ano, a Sachse de Berlim publicou seu primeiro trabalho: um álbum de desenhos  de caneta reproduzidos em pedra para ilustra o pequeno poema de Goethe”Kiinstlers Erdenwallen”. Ele executou litografias para  ilustrar a “Denkwiirdigkeitenaus der brandenburgisch-preussischen Geschichte”, pp. 834-836; “Os cinco sentidos” e “O orador”,  também como diplomas para corporações e sociedades. Sua experiência com pintura começou em 1837 e entre 1839 e 1842 produziu  400 desenhos, revificando ao mesmo tempo a técnica de gravura em madeira, para ilustrar a obra Geschichte Friedrichs des  Grossen (“História de Frederick o grande”) de Franz Kugler. Sua obra teve um grande reconhecimento ao trabalhar  em pinturas  voltadas ao governo de Frederick, o grande nos anos de 1850.

Ele subsequentemente produziu “Friedrichs des Grossen Armee in ihrer Uniformirung” (“Os uniformes do exército de Frederick, o  grande”), “Soldaten Friedrichs des Grossen” (“Os soldados de Frederick, o grande”); e finalmente por ordem do rei Frederick  William IV, ele ilustrou os trabalhos de Frederick, o grande, “Illustrationen zu den Werken Friedrichs des Grossen  (1843-1849)”. Com estes trabalhos Menzel pode ser considerado um dos primeiros, se não o primeiro, dos ilustradores de sua  época em seu próprio estilo.

Enquanto isto Adolph teve que se organizar para estudar sozinho a arte da pintura, e posteriormente produziu um grande número  e variedade de pinturas, sempre mostrando precisa observação e uma arte honesta- assuntos ligados a vida da corte e cenas com  cotidiano como “O jantar do baile”, “Em confissão”. Dentre seus trabalhos mais importantes estão “A forja” e “Mercado em  Verona”. Já pinturas como “A coroação de William I em Koenigsberg” foi produzida como uma representação oficial da cerimônia  sem se preocupar com as tradições da pintura oficial.

Ele se tornou membro da Academia de Berlim em 1853, sendo nomeado professor em 1856. Após isto ele se tornou o principal  artista da segunda metade do século XIX e a partir de 1880 ganhou fama internacional sendo ascendido para a nobreza em 1898  (daí em diante com o título de “Von”).

Mesmo tendo se dedicado muito a gravura, Menzel foi um profícuo esbocista através de sua longa carreira e tendo um certo  reconhecimento em pintura a óleo. Sua virtuosidade e sua técnica em capturar o fenômeno visual (como a forma na qual  percebemos os objetos desfocados e borrados comparados com aqueles do primeiro plano) atraíram vasta atenção, e anteciparam  alguns dos efeitos do impressionismo francês em 30 anos.

Durante sua vida retratou a corte de Frederick com uma profunda precisão histórica e cada detalhe desde os botões em um  uniforme ou cabo de uma espada, foram meticulosamente pesquisados.

Quando visitava Paris, Menzel tinha contato com artistas de lá como Edgar Degas e Ernest Meissonier. Ele ainda viajou  diversas vezes para Viena e Verona. Ele é lembrado como um cronista inigualável da vida de Berlim. Ele recebeu o título de  cavaleiro em 1898, sendo o primeiro pintor a receber a ordem de “Águia negra” (Black Eagle). Ele teve ainda um funeral de  Estado em sua morte que ocorreu em Berlim no dia 09 Fevereiro de 1905. De sua produção mais de 10.000 desenhos sobreviveram,  o que mostra sua extensa (e sempre de qualidade) produção artística. Por sua expressividade realista, muitas vezes suas obras  aparentam fotografias tamanho o realismo expressado. Suas cenas de ruas, interiores e paisagens demonstra uma visão nada  ortodoxa do pintor; sujeitos são visto de ângulos do alto ou de baixo, e há saídas das convenções de agrupamento e moldura,  assim como excursões inovadoras em assuntos industriais como em “Moinho rolante”. Em seus trabalhos que pressagiam o  impressionismo como the Sitting Room (1847), Menzel  usou seu sentido refinado nos efeitos de luz e no uso de uma pincelada  aberta. Ele foi professor de Carl Johann  Arnold e de Fritz Werner.

SOBRE A OBRA

Nos anos precedentes da primeira guerra mundia, a maior nação industrial da Europa é sem dúvida a Alemanha, unificada sobre a  autoridade da monarquia prussiana após o dia 18 de janeiro de 1871,seguido a sua vitória sobre um Napoléon III em declínio. A  França e sobretudo a Grã-Bretanha tinham portanto realizado as suas primeiras revolução industrial ao fim do Século XVIII,  após encetado sua segunda revolução industrial no meio do século XIX.

A força da Alemanha reside principalmente na abundância de suas minas de carbono e de ferro, na Silésia on na Ruhr, dentro do  espírito de iniciativa dos grandes industriais como Krupp (siderurgia) ou Borsig (máquinas a vapor). A modernização acelerada  do país favoreceu seu enriquecimento global e alimentou sua natalidade. Ela provocou sobretudo uma mutação radical das  condições de vida e de trabalho de milhões de homens e mulheres que saem em massa dos campos para se ajustar nas usinas e se  empilhar nos arrebaldes das grandes cidades.

  Análise da imagem

Nesta época, década de 1840, em que Menzel se faz reconhecido é que passa a usar a maravilha da gravura. Ele é rapidamente  reconhecido pela Prússia e pelo Império e obtem distinções nobres e comissões. “A forja” é uma de suas obras mais notáveis,  até no título. Apesar da aparente confusão de uma cena mergulhada na penumbra, a composição é na realidade rigorosa. As  linhas horizontais e verticais que a estrutura delimitam as cenas para facilitar a compreensão. O arredondado da grande roda  do moinho, em ponto de escapar, é colocado de volta pelas pequenas rodas a direita, a chapa grande aberta, na qual se curvam  os trabalhadores e contribuem a dinâmica geral da obra. O centro do quadro corresponde no metal em fusão que parece se atirar  contra aqueles que o faz. O resto da pintura, descrita em uma paleta escura, apresenta os utensíios, vestimentas, gestos e  mesmo emoções que parecem segurar a vivacidade.

As máquinas a serviço o homem ou o homem a serviço da máquina?

O naturalismo mergulha o espectador no coração da ação. Se o olho se ater na cena central, e escorregar na metáfora  mitológica, poderemos ver um grupo de Vulcano (Deus romano do fogo) controlam o fogo e o metal, gigantes modernos forjando a  indústria e logo o poder alemão. Mas o sub-título dado para Menzel indica que os partidos marginais tem toda sua importância.  Cegos pelo fogo e condenados a viver em uma caverna onde a falta de ar disputa com a sujeira e com o calor, os trabalhadores  são acorrentados a sua máquina. Eles não podem se separar muito, bloqueados simbolicamente pelas barras metálicas verticais  que lembram as barras da prisão, e obrigados a comer em seu lugar. Eles aparecem prematuramente usados, e de alguma forma desumanizados pela máquina, os ritmos de trabalho, a duração das jornadas de trabalho, a massificação e a repetitividade das tarefas. É sem dúvida o preço a pagar para a formidável revolução alemã, que Menzel mostra a todos ao revelar incidentalmente
as condições de trabalhos e a vida dos trabalhadores da época moderna.

Desta forma a precisão da máquina e a beleza trazida pela vívida luz do fogo da forja são instrumentos que para o trabalhador trazem sua forma de sobrevivência e uso da força de trabalho tal qual pela exploração de seu trabalho...

Adolf Von Menzel

Fotografia de Adolf Von Menzel

E0702 MENZEL L817

Adolf Menzel- Procession in Hofgastein (1880), Munique Bayerische Staatsgemäldesammlungenn

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Todas as terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor mon(o)t0-ista Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui. UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

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