OS CINEGRAFISTAS SÍLVIO TENDLER E MÁRIO MAGALHÃES FALAM SOBRE A QUESTÃO DE FILMAR BIOGRAFIAS E AS PROIBIÇÕES

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Em meio as exposições sobre os 50 anos de implantação da ditadura militar-civil no Brasil entre os anos de 1964 e 1985, e sua relação com o cinema, os cinegrafistas Sílvio Tendler e Mário Magalhães fizeram alguns comentários sobre a impossibilidade de filmarem biografias de personagens importantes que movimentaram o cenário político dessa época perversa contra a liberdade.

Tendler conta a tentativa frustrada de filmar a obra de Guimarães Rosa, Grande Sertão Vereda. Bem ele tentou, mas a família do escritor, depois de muito lhe fazer esperar, negou a filmagem. Mas Tendler encontro outra forma de contornar a frustração.

“Em 2012 comecei a trabalhar um projeto, para o cinema, que deveria trazer o conceito de patrimônio imaterial e pensei na literatura. Queria filmar o livro de Guimarães Rosa Grande Sertão Veredas. Entrei em contato com a família para usar as imagens e eles foram me enrolando até que chegou a resposta negativa.

Optei por gravar com Zezé Mota e Milton Nascimento, o falar característico do vaqueiro. Como fui proibido de usar essas imagens coloquei, em toda fotografia que aparecia o escritor, uma sombra branca. Brinco dizendo que é Alzheimer natural. Acabei filmando O Sujeito Oculto – Na Rota do Grande Sertão e sem qualquer imagem de Guimarães.

É uma bobagem enorme. Nós queremos contar uma história e a legislação nos proíbe. O nosso trabalho é garimpar. Não olho a história para iluminar o passado, mas o futuro”, disse tender.

Já o cinegrafista Mário Magalhães, não teve a mesma frustração de Tendler ao tentar filmar a biografia de Carlos Marighella. A família do revolucionário não tornou nada impossível. Pelo contrário, a esposa do combatente, Carla Charf, se demonstrou claramente facilitadora para ele escrever o livro que realizaria o cinema Marighella – O Guerrilheiro que incendiou o Mundo.

“No nosso primeiro encontro perguntei a ela como tinha sido o primeiro beijo deles. Ela respondeu dizendo que não eram essas perguntas que eu queria fazer a ela. Disse que sim, já que, sobre as outras coisas, eu encontraria em outro lugar.

Depois dessa conversa passaram-se cinco anos e eu caminhava com dona Clara, em direção ao Arouche, quando ela disse: “Foi assim, eu estava andando com Marighella, nas ruas do Rio de Janeiro, quando nos beijamos pela primeira vez”. Foi um grande momento da pesquisa do livro.

Em 1984 foi lançado um perfil biográfico do Cabo Anselmo, e o autor do livro era francamente contrário a ele. O lançamento não causou qualquer constrangimento, mas hoje isso seria impossível. Se hoje alguém resolver falar sobre o Cabo Anselmo, ele tem o direito, de acordo com os artigos 20 e 21 do Código Civil, de tirar o livro de circulação, se considerar que a publicação afetou sua boa imagem. Essa é a discussão atual”, observou o cinegrafista que ainda pretende filmar as biografias de Leonel Brizola, Mário Pedrosa e Carlos Lacerda.

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