AGNALDO TIMÓTEO ENFRENTA A DITADURA COM AS FERAS DA MPB – VIVA O VINIL!

P1000299

“Desde de 15 anos, continuo buscando a fórmula mágica para me identificar com as pessoas românticas e sensíveis.

Neste novo L.P. acredito que tenha dado mais um passo a frente na minha carreira, pois consegui reunir mais alguns ilustres Companheiros”.

O cantor e compositor Agnaldo Timóteo é daqueles artistas em que a crítica estabelecida tem dificuldade de indicar qual é o seu público-particular. Alguns dizem que ele canta para os sentimentais – todos nós somos sentimentais porque temos sentimentos -, outros dizem que ele canta para os românticos – todos nós somos românticos, temos herança romancista -, mais outros dizem que ele canta para os recalcados-nostálgicos – todos nós, segundo Freud, somos recalcados -, e mais, mais outros dizem que ele canta para os desiludidos – todos nós somos desiludidos, exemplo simples, quando o time que torcemos perde -. O certo mesmo é que os críticos estabelecidos são impotentes para indicar seu público-particular.

ÂNGELA SAPOTI E TIMÓTEO

Um dia sua madrinha, Ângela Maria, ele era motorista da Sapoti, disse: “Menino, que voz tu tens! Por que tu não te tornas cantor?” Não deu outra: lá foi Timóteo gravar. Gravou música nacional, versões italianas, francesas, inglesas, o escambau. Se apresentou em shows, em clubes, arraiais, feiras, em TVs, “galeria do amor”, o cacete. Mas durante a década de 70, a década de maior repressão imposta pela ditadura civil-militar, não se teve notícia de qual era a posição de Timóteo. Os ‘patrulhadores’ ficavam putos por não saberem qual era a do crioulo-mineiro. Só sabiam que ele embalava, com suas músicas, como Roberto Carlos, os sonhos e bocejos matinais, vespertinos e noturnos da classe média alienada. Nada mais. Timóteo era um alienado-cantor do frisson-glamouriouso, diziam.

TIMÓTEO E AS FERAS

Mas eis que em 1980, Timóteo, surpreende todos caluniadores com uma guinada de quase 360 graus: enfrenta a ditadura com as feras da MPB e grava pela EMI-ODEON, o L.P. Companheiros. A crítica estabelecida e a dita intelectual não entendeu nada. “Como que um cantor-cafona grava Gonzaguinha, César Camargo Marinho. É o fim do mundo, meu! Ou o fim da ditadura!”. Bradou a crítica recalcada, como diz o teatrólogo Zé Celso. Pode ser o fim de tudo, meu, mas o certo é que Timóteo não gravou só Gonzaguinha, gravou também Taiguara, Carlos Dafé, Abel Silva, Fagner – hoje personagem triste do decadente frenesi da TV GLOBO e um dos amigos dileto do conservador, Aécio Neves – entre outros, acompanhado por nada menos do que os ilustres músicos Pareschi, Paschoal Perrota, Nathércia, José Alves Pissarenko.

Penteado, Maria Léa Ana Maria Stephany, Jaime Araujo, Heraldo, Paulo César, Jamil, Luiz Avellar, Cleudir, Picolé, entre outras feras.

P1000300Hoje, quando se comemora 50 anos de ditadura – Comemorar ditadura? É um horror! Comemoração pelas lutas libertárias que não morreram diante da opressão, seu otário! -, observando o L.P. Companheiros, do cantor com público heterogêneo, pode-se afirmar que essa é uma obra com expressão antiditadura. Depois Timóteo encontrou Brizola, brizolou, foi um dos grandes entusiasta da eleição de Lula, tornou-se vereador. E depois…

Bom, é isso aí, Companheiros! Viva o Vinil!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: