O DESAPARECIMENTO DAS FORMAS E CONTEÚDOS REFERENCIAIS DO MUNDO DAS TROCAS-VALORES PELA FORÇA DA SÍNTESE-VIRTUAL

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Houve um tempo em que essa fotografia fora chamada de arte, assim como seus signos que formam seu conteúdo. Havia uma certeza das relações referencias das imagens-objetos que ela expressa todas saídas do mundo das trocas-valores, topos das relações humanas que constituíam a existência. A fotografia confirmava as faculdades sensorial e racional humana.

Hoje essa fotografia, em função da força da segunda potência, zona de desaparecimento do mundo real, ela é nada mais do uma síntese-virtual. Muito bem comprovada nesse momento em que é mera transparência de uma tela-branca de um computador. Uma ilusão superficial de um mundo em que não se cria mais nem ilusão. Essa fotografia e seu conteúdo como arte desapareceu pela força da síntese-virtual. Ela não existe. A sua existência é tão simulada como é simulada a crise econômica do mercado financeiro que não muda as relações de produção-reais porque é fantasmagoria do mundo econômico-virtual, onde não existe dinheiro real.

O DESAPARECIMENTO DA FOTOGRAFIA

Na fotografia não há mais relógio, porque não há mais tempo. O tempo pulsado, cronológico, linear, desapareceu. Não há mais dia-24 horas. Hoje o tempo é virtual. O tempo é o tempo-real: “mais presente do que o presente (Baudrillard)”. Ninguém tem necessidade de relógio. Só sobrou o tempo aion, esse a força de síntese-virtual não pode atingi-lo, porque ele corre fora, inatingível.

Assim, também, já não há necessidade de calçados: não há mais espaço para ser ativado pela ação. Aparecer pelos encadeamentos das relações constitutivas que se mostram pelo movimento. Ninguém precisa mais caminhar, se deslocar, gastar sola. Tudo é bem aqui. A tele, a tal distância chamada pelos gregos, desapareceu. O homem “ser das distâncias”, como diz o filósofo Nietzsche, não tem mais fundamento. Daí, que o calçado não significa uma andança, não canta com Gozaguinha “quando a gente chega numa estrada, numa casa como tantas por aí”. Ou, “e hoje depois de tanta batalha, a lama nos sapatos é medalha que ele tem pra mostrar”. Hoje o espaço é a síntese-virtual do todos aqui. Não distância entre nós para ser percorrida por nossos sapatos. Somos deuses: estamos em todos os lugares e em nenhum.

A música de protesto também desapareceu. Não há com o que e contra o que protestar. Há uma homogeneidade clônica de consciências. A linguagem é a ditadura do significante o que significa nada significar. A música regional e erudita, pela força da globalização, despareceu. Todo som é de síntese, assim como os compositores e cantores exibidos obscenamente pela mídias. Todos fora de cena por não haver mais cena.

Não existem mais religiões, mas uma única religião. Não como predominância teocêntrica. Como vitória de um único deus. Nem porque Deus já havia morrido há séculos passados, como disse o filósofo Nietzsche. Mas porque não há mais possibilidade de criação de crença, já que a crença como expressão da imaginação sai da experiência. E não há como imaginar-criativamente em um mundo em que a experiência como troca encontra-se abolida.

No mesmo quadro glacial de síntese não há mais como se embriagar dionisiacamente. A embriaguez como deslocamento alegre e transgressora do super-ego, não é mais possível. Todas as beberagens levam ao mundo sem imaginário. Levam a embriaguez-sintética sem sabor e álcool.

A existência dessa fotografia é tão virtual que você não pode nesse momento rasgá-la para provar o contrário de tudo que ela proporcionou para escrever esse texto-virtual. Essa sensação de impotência, em não poder rasgá-la, é própria de um mundo sem potência ou um mundo despotencializado.

 

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