CULTURA DE ALMANAQUE CAPIVAROL/BRISTOL

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O escritor gaúcho Érico Veríssimo, em uma de suas obras excelsas e profundamente inteligente, nos parece o romance (novela?) “Música Ao Longe” (“Para quem não conhece o amor o amor é como uma música ao longe”), apresenta um personagem por demais cativante. Trata-se do professor ou filosofo, considerado pelos outros personagens como um grande sábio. Esse professor ou filósofo, como sábio sabia de quase tudo. Tinha uma erudição capaz de surpreender os que lhes eram de sua familiaridade.

Falava sobre horóscopo, plantas medicinais, datas históricas, composições para enfermidades, cálculos, astronomia, eclipses, etc. Em razão de sua vasta sabedoria era um homem que impressionava e muito respeitado. Apesar de sua sabedoria era amigo de todos os outros personagens. Foi então que ele morreu. Um dia foram visitar a casa em que ele morava. Qual não foi a surpresa dos visitantes: encontraram a fonte de sua sabedoria. Uma enciclopédia, uma espécie de coleção de almanaque. Era de lá que o professor tirava seus conhecimentos que atraia a atenção de todos.

 O ALMANAQUE E SEU SER ERUDITO

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O almanaque é uma espécie de brochura que os fabricantes farmacêuticos de xarope usavam para fazer publicidade de seus produtos. Um dos primeiros marketings. Mas um marketing diferente dos atuais que são sintéticos. Nele eram encontrados todos esses conteúdos que o professor-filósofo expressava. Uns dos grandes almanaques dessa época era o Capivarol e o Bristol. Algumas pessoas aprendiam seus conteúdos e passavam a exibi-los diante dos incautos. Os mais sagazes passaram a tê-las como formadas pela cultura de Capivarol ou Bristol.

PARA ALÉM DA CULTURA DE SOVACO

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Era comum no tempo de faculdade se encontrar esse tipo de estudante, falso erudito, com esse conhecimento também conhecido como cultura de verniz. Uma forma de oposição a acultura de sovaco. Aquela do cara que andava – anda – com um livro no sovaco – Nietzsche pegava bem, Marx dava bandeira para “os home” – para fingir aos incautos que era um intelectual.

O cara, ou cara, chegava e mandava ver vomitando sua erudição de Capivarol. Mas o Capivarol não serviu apenas para indicar esse tipo de sujeito. Servia, e serve, para indicar também o professor com formação superficial, seja professor primário, secundário e universitário. Alguns desses professores de universidade – conhecemos muitos – com formação Capivarol/Bristol, para disfarçar sua miséria intelectual colocavam a culpa na ditadura, afirmando que não podiam aprofundar o ensino porque poderia ser reprimido, ou quem sabe, preso. Grande lance para fugir do Capivarol/Bristol. 50 anos depois, os que não morreram, continuam os mesmos. 

O CIBERESPAÇO OU A METAMORFOSE DO CAPIVAROL/BRISTOL

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Hoje, embora as escolas e universidades estejam repletas desse tipo, quase não se fala na cultura de Capivarol/Bristol porque ela metamorfoseou-se. Hoje, na pós-modernidade, o Capivarol e o Bristol são virtuais. É a internet, o Google, os sites de busca, o Facebock, Wikipédia, todo o ciberespaço de informação. O Capivarol/Bristol-Virtual.

São números imensos de professores, estudantes, advogados, médicos, religiosos, economistas, esportistas, policiais, profissionais da ‘política’, jornalistas, assistentes sociais, músicos, engenheiros, biólogos, sociólogos, psicólogos, apresentadores de mídia, etc., bebendo conhecimentos superficiais nesses territórios. Todos vomitando a maior abacaba erudita-virtual. Só a título de orientação gastronômica. Abacaba – ou bacaba – é uma palmeira da Amazônia que tem um fruto que serve para fazer um saboroso vinho. O chamado vinho de abacaba que com farinha é o bicho. Por seu delicioso sabor serviu para cunhar a expressão, quando alguém quer contar vantagem, “vomitando a maior abacaba”. Esse nosso conhecimento é também produto do Capivarol/Bristol.

 ALMANAQUE BRISTOL 1948

Diante dessa informação-erudita esse Esquizofia publica para matar a saudade – se é que a saudade morre – ou apresentar aos que não o conhecem, um almanaque ilustrado do Bristol do ano de 1948. Joia rara para os colecionadores, mas não fazemos nenhum negócio porque queremos nos manter eruditos. Selecionamos, também, algumas páginas para você dilatar sua cultura.

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