2ª BIENAL DO LIVRO E DA LEITURA DE BRASÍLIA É ABERTA PELO ENGAJADO ESCRITOR URUGUAIO EDUARDO GALEANO

 

Começou ontem, dia 11, e terá a duração de dez a 2ª Feira Bienal do Livro de Brasília na Esplanada dos Ministérios, em uma área de 16.500 quadrados, nas proximidades da Rodovia do Plano Piloto. Durante a bienal haverá conferências, discussões, palestras sobre livros e a importância da literatura, temas sobre futebol, ditadura e internet, além de shows de musica com os cantores Ivan Lins, Quarteto em Cy, MPB4 e Plebe Rude. Também serão encenadas peças de teatro e apresentação de  duas exposições: O Traço do Pasquim no Combate à Ditadura e o Brasil nos Tempos de Chumbo. Também haverá programação para crianças. Tudo joia como manda a riqueza literária.

O escritor brasileiro escolhido para ser homenageado pela bienal é o pernambucano Ariano Suassuna, cuja cerimônia de homenagem ocorrera no dia 15, às 20horas. Como já é sabido, onde se encontra Ariano Suassuna se encontra também a alegria, a erudição e o comprometimento com os saberes e dizeres do povo brasileiro. Não esquecer também, que Suassuna é home com uma biografia política respeitada.

A ouverture ficou por conta do talentosíssimo e engajado escritor e jornalista, além de insigne crítico de futebol, o uruguaio Eduardo Galeano, autor do famosíssimo, Veias Abertas da América Latina. Um dos livros mais conhecidos do mundo além do mundo literário. Sua conferência de ouverture ocorreu no Museu Nacional da República, lotado ate nos telões pelo lado de fora, às 20h30. Quem não foi (como nós) não vivenciou – é lógico – a inteligência, a criatividade, o humor e a crítica ferina do conterrâneo do presidente do país que liberou a maconha, Mujica.

ESCRITORES QUE PARTICIPAM DA 2ª BIENAL

Estrangeiros: Naomi Wolf, norte-americana. Murong Xuecun, chinês. Gonçalo Tavares, português. Mia Couto, Moçambique. John Dramani Mahama, presidente de Gana.

Brasileiros: Ana Maria Bahiana, Ruy Castro, Mino Carta, Xico Sá, João Paulo Cuenca, Antônio Prata, Daniel Galera e Joca Terron.

EDUARDO GALEANO FALA SOBRE POLÍTICA, SUA OBRA E FUTEBOL

“Eu não seria capaz de ler o livro de novo. Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é pesadíssima. Meu físico atual não aguentaria.

As esquerdas no poder às vezes deram certo, às vezes não, mas muitas vezes foram demolidas como castigo por estarem certas o que deu margem a golpes de Estado, ditaduras militares e períodos prolongados de terror, com sacrifícios humanos e crimes horrorosos cometidos em nome da paz social e do progresso. Em alguns períodos é a esquerda quem comete erros gravíssimos.

Eu não tinha a formação necessária. Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas foi uma etapa, que para mim, está superada. A realidade mudou muito. Eu mudei muito. Meus espaços de penetração na realidade cresceram tanto fora, quanto dentro de mim. Dentro de mim, eles cresceram na medida em que eu ia escrevendo novos livros, me redescobrindo, vendo que a realidade não é só aquela em que eu acreditava.

A realidade é muito mais complexa justamente porque a condição humana é diversa. Alguns setores políticos próximos a mim achavam que tal diversidade era uma heresia. Ainda hoje há sobreviventes dessa espécie que acham que toda a diversidade é uma ameaça. Por sorte, não é. Ou seria justa a exigência do sistema dominante de poder que, em escala mundial, nos obriga a uma eleição muito restrita, ridicularmente mesquinha, e nos convida a elegermos como preferimos morrer: de fome ou aborrecimento.

Minha única ambição é ser um escritor capaz de reproduzir a esperança, a razão e a falta de razão deste mundo louco que ninguém sabe para onde vai. Ser capaz de entrar nessa realidade que parece ser incompreensível. Isso é algo difícil que já me consome todo o tempo.

Chávez teve a melhor intenção do mundo, mas deu a Obama um livro (As Veias Abertas da América Latina) escrito numa língua que o presidente norte-americano não conhece. Isso foi um gesto generoso, mas também cruel”, disse Galeano.

Perguntado sobre seu palpite em relação qual seleção ganhará a Copa do Mundo, ele não quis arriscar um prognóstico.

“Não acredito nos profetas. Nem nos bíblicos. Que dirá nos esportivos. Assim, o melhor é calar a boca e esperar”, ironizou.

Quem tiver o interesse de acompanhar o evento da 2ª Bienal do Livro e da Leitura é só acessar o site www.ebc.com.br/bienalbrasilia.  

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