ODAIR JOSÉ, O CRIADOR DO ROCK PSICODÉLICO E COMCEITUAL, CANTA PARA SEXTA-FEIRA SANTA

Hoje, dia 18, sexta-feira santa o momento máximo do culto religioso, segundo a ordem da dogmática-sagrada, nada como apresentar um signo-musical sagrado-profano que trata desse tema da hagiografia produzida pelo cristianismo.

E ninguém melhor, no mundo urbano, para exaltar a concepção que os elementos míticos e mitológicos transcreveram historicamente do sagrado do que aquele que é conhecido como o criador do rock psicodélico e conceitual brasileiro, Odair José. Segundo personagens importantes da crítica roqueira Odair José, com seu álbum inicial O Filho de Maria e José, pode ser considerado o criador do rock psicodélico e conceitual do Brasil. Um álbum que já preconizava o que viria depois. Um dos compositores nacionais mais gravados pelos roqueiros vanguardistas.

 Odair José, apesar das opiniões preconceituosas que rondavam os meios de comunicação da década de 70, catalogando-o como “cantor das empregadas domésticas”, como coisa que essas trabalhadoras não tivessem inteligência e sentidos para opinar sobre seus interesses pessoais, foi um dos compositores mais perseguidos pela censura não só a censura do regime militar, mas também a do patrulhamento exercida por alguns ouvintes que o tomavam como cantor de puteiro. Eufemisticamente considerado cantor de lupanar. Em época de análise dos 50 anos da implantação da ditadura no país não se pode deixar de fora um olhar sobre Odair José.

Como Odair José cantava de certa forma o cotidiano, que por si só é uma forma de ditadura já que preserva o modelo comportamental da sociedade capitalística, ele teve obras suas censuradas. Os costumes de uma classe média alienada foram tocados pelo compositor. Principalmente sua falsa moral. Aí sua forma de protesto em plena a ditadura. Mesmo assim, essa classe que vive de caras e bocas, não entendia. O convincente exemplo encontra-se registrado no momento em que ele participava do Festival da Phillip. No momento em cantava “Vou tirar você desse lugar”, os alienados o vaiaram acreditando que era uma ofensa às suas ”sensibilidades”. Entretanto, Caetano Veloso, que também participava do festival promovido pela gravadora, subiu ao palco e começou a cantar junto com ele. Logo, logo os infelizes silenciaram. “Vocês merecem é violão na cara!”. Lembrança do fato que o cantor e compositor, Sérgio Ricardo, em um festival de música MPB, jogou seu violão na plateia que o vaiava.

Daí, que nessa sexta-feira, pega bem, pelo menos, mostrar uma letra que ele cantava na década de 70 e que fora muito bem propagada pelo rádio, território de comunicação verdadeiramente democrático, em virtude do som não se fechar na casa do ouvinte, mas se propagar para as casas vizinhas. Quantos não aprenderam músicas escutando o rádio da vizinha. Aliás, o rádio era o grande companheiro dos cantores antes da ditadura da televisão. E, hoje, a ditadura da internet. Vamos nessa, esquizofílico.

Na sexta-feira santa

Eu lhe procurei

Fui na sua casa

E não lhe encontrei.

Minha mãe dizia:

“Filho pode esperar

Um dia ele volta

E o mundo vai salvar”.

A onde você foi?

Cadê a sua cruz?

Venha me dizer:

Quem é você Jesus.

Inquietante e angustiante pergunta de Odair José: “Quem é você, Jesus?” Poucos sabem, porque não o querem real, mas tão somente mitificado e mistificado. Daí não poderem saber que é esse Homem. Quando Odair José se inquieta, em querer saber, é porque ele já tem uma variável que escapou do sistema que aprisionou esse Homem, Jesus.

Feliz Páscoa, moçada! 

 

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