NO DIA DO TRABALHADOR NADA COMO UM POEMINHA DE BHECHT PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALAMOS DE FORÇA DE PRODUÇÃO

Bertold Brecht Berliner Ensemble

Na data de comemoração Dia do Trabalhador nada como esse Esquizofia recorrer ao teatrólogo, cinegrafista, crítico, articulista e poeta Bertolt Brecht, um dos artistas e intelectuais que mais lutou, junto com os trabalhadores, pela realização de uma sociedade real fora da força opressora da subjetividade abstrata do sistema capitalista.

O trabalho de Brecht é todo engajado na luta pelas liberdades de todas as formas, mas principalmente da liberdade da força de trabalho do trabalhador aprisionada no capital empresarial que desumaniza todos que estão nele submisso. O poema o Canto das Máquinas mostra ao internauta-trabalhador como é alienada a força de trabalho do operário nesse sistema, e como as máquinas são usadas para servirem a esse propósito.

É bom lembrar, só a título de curiosidade, já que nas duas últimas edições tratamos da Poesia Expressionista, que Brecht começou, também, pela subjetividade-estética expressionista. Wedekind, personagem ilustríssima do expressionismo, foi o grande inspirador de Brecht, e como homenagem a sua amizade, Brecht colocou o nome de seu filho de Wedekind.  

E vamos ao poema.

CANTO DAS MÁQUINAS

1

Alô, queremos falar com a América

Através do Oceano Atlântico com as grandes

Cidades da América, alô!

Perguntamo-nos em que língua

Deveríamos falar, para que

Nos entendessem

Mas gora temos juntos nossos cantores

Que são compreendidos aqui na América

E em toda parte do mundo.

Alô, ouçam o que nossos cantores cantam, nosso astros negros

Alô, escutem quem canta para nós…

 

As máquinas cantam.

 

  2                  

Alô, estes são nosso cantores, nossos astros negros

Eles não cantam bonito, mas cantam no trabalho

Enquanto fazem luz para vocês eles cantam

Enquanto fazem roupas, fogões e discos

Alô, cantem mais uma vez, agora que estão aqui

Sua pequena canção através do Oceano Atlântico

Com sua voz que todos entendem.

 

As máquinas repetem seu canto.

 

Isto não é o vento nas árvores, meu menino

Não é uma canção para a estrela solitária

É o bramido selvagem da nossa labuta diária

Nós o amaldiçoamos e o elegemos

Pois é a voz de nossas cidades

É a canção que em nós fala fundo

É a linguagem que entendemos

Em breve a língua-mãe do mundo.

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