EM ENTREVISTA, PAULO CESAR DE ARAÚJO, AUTOR DO LIVRO, “ROBERTO CARLOS EM DETALHES”, COMENTA SOBRE A QUESTÃO DAS BIOGRAFIAS

O Congresso Nacional vem analisando e votando a chamada polêmica das biografias não-autorizadas que vem colocando em enfrentamento vários artistas brasileiro que não aceitam que suas biografias sejam escritas e outros que aceitam. Nessa polêmica, que não é tão polêmica, porque também envolve direitos autores o que sinaliza questão econômica, se encontram Chico Buarque, Roberto Carlos, Caetano, Gilberto Gil, Djavan, entre outros.

A alcunhada polêmica tomou vulto quando o jornalista e historiador Paulo Cesar Araújo, que na infância realizando serviços de engraxate, vendedor de sorvete, ajudante de pedreiro ouvia cantores conhecidos como populares, depois de publicar sua primeira obra biográfica, em 2002, sobre Waldick Soriano, Eu Não Sou Cachorro Não, publicou, em 2006, a obra-biográfica Roberto Carlos Em Detalhes, que depois de lançada foi retirada de circulação por ordem do próprio Roberto Carlos. Aí, o lançamento da pedra fundamental da polêmica das biografias não-autorizadas que também envolve os escritores que escrevem biografias como os jornalistas e escritores Rui Castro e Fernando Moraes.

Para explicar sua posição na alcunha polêmica Paulo Cesar Araújo concedeu entrevista ao jornalista Vitor Nuzzi, que esse Blog Esquizofia, reproduz da Rede Brasil Atual. É para ler e se posicionar. Vamos nessa, esquizonéticos!  

Mário Magalhães fez livro sobre Marighella e não pretende voltar a fazer biografia. Fernando Morais disse: “Estou fora”. Ruy Castro tem a famosa frase: o biografado ideal deve sersolteiro, órfão, sem filhos nem irmãos, estéril, até sem cunhado. Com tantas dificuldades, por que escrever biografias?

Respeito a opinião deles, e acho compreensível. Mas penso diferente. Acredito que as trevas não devem prevalecer sobre a luz. Vivemos num Estado democrático, a Constituição garante… Aliás, dizem que poucas constituições têm um preceito tão claro em relação à liberdade de expressão. Você não tem de pedir licença a nenhum personagem da história para escrever sobre ele. Agora, você tem brechas. Um artigo aberrante do Código Civil, uma lei ordinária, menor, não pode prevalecer sobre a lei maior. A biografia é um livro de história. O Brasil sempre foi acusado de ser um país sem memória – eu cresci ouvindo essa frase –, então mais do que nunca é necessário fazer biografias. As trajetórias individuais­ contribuem para o estudo da história, claro, desde que essa trajetória esteja inserida num contexto maior. Esse gênero literário não pode parar por causa de aberrações jurídicas.

Isso acontece por causa de uma lei do mais forte? No seu caso, isso é evidente.

Acho que é por uma visão conservadora. Não é só o meu livro. Temos uma formação católica, conservadora, e isso se reflete no Judiciário. Tendo uma brecha jurídica que favoreça esse pensamento, fica mais fácil. Por que o juiz, quando vai analisar o fato concreto, em vez de se guiar pela Constituição, se deixa levar pelo que está no artigo 20 do Código Civil? O juiz que julgou meu caso, por exemplo, que deu a liminar – o livro foi proibido primeiro por uma liminar –, Maurício Chaves de Souza Lima (da 20ª Vara Cível do Rio de Janeiro), foi claro: não desconhece que a Constituição garante a liberdade de expressão, porém o artigo 20 diz que, salvo se autorizado, ninguém pode falar da vida do outro. E eu acho que tem de prevalecer isso. É o julgamento dele.

E tem também a questão financeira? O Djavan, por exemplo…

Ah, você aí está perguntando do Procure Saber? Aí a questão financeira não foi a única, mas foi dominante, embora usem o discurso da privacidade. Possivelmente não todos. Talvez o Chico Buarque esteja sinceramente preocupado com privacidade. Mas Paula Lavigne, Roberto Carlos, deram todos os indícios, preocupação com adaptação para cinema, vídeo, a visão financeira é clara. Conheço o meu biografado. Imagine, tem a vida exposta desde que surgiu com grande sucesso em 1965. Você acha que ele se perturbaria agora porque alguém ficou falando do amor dele por uma mulher, de um acidente que ele teve na infância…

São coisas públicas, não é?

E publicadas há mais de 40 anos. Agora, saber que um livro com a história dele pode ser adaptado para um teatro, para um cinema, e ele não vai ter nenhuma participação, vai fugir ao controle dele… Ele falou isso no Fantástico, que não acha certo. O cara escreve um livro e passa a ser dono da “minha história”. É absurdo ele dizer isso. O biógrafo é dono daquela versão. E tem outros casos. A família de Noel Rosa disse “não quero que fale”; agora, acertou, pode falar. A do Garrincha, a mesma coisa.

Então, a sua visão é que deve haver liberdade total, e se o personagem se sentir agredido, recorre à Justiça?

Acho que o limite tem de ser a calúnia. Você não pode dizer que o cara roubou, se ele não roubou. Em última instância, o limite deve ser a verdade, o fato. Imagine você: a injúria, a difamação e a calúnia. Injúria é uma coisa subjetiva. Por isso não pode ficar tão solto. Eu quero ter uma liberdade para crítica, não preciso de liberdade para elogiar. Quero liberdade para dizer que alguém é um artista medíocre, um político medíocre, que é uma pessoa nefasta. Acho que todos nós devemos ter essa garantia.

Há uma ação no Supremo com perspectiva de ser julgada ainda neste semestre. Qual a sua expectativa?

A ação no STF é para considerar inconstitucional o que dizem os artigos 20 e 21, aplicados a biografias. O livro foi proibido com base no artigo 20, e lá não está escrito que é proibido fazer biografia. Diz que salvo se autorizadas, a divulgação de escritos, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidos. O que é divulgação de escritos? Há juristas que interpretam que “escrito” é aquilo que a pessoa escreveu em diários. Você não pode divulgar o diário de alguém sem autorização. Concordo. Agora, escrito do outro é trabalho intelectual do outro. Roberto Carlos vai proibir o meu escrito sobre ele? A ação não é para acabar com esse artigo, ele continua. O uso comercial da imagem é para você não pegar a foto de alguém e usar para vender picolé. Agora, falar dessa pessoa em livros, jornais, revistas é uma função informativa e cultural. Porque daqui a pouco vai aplicar (onde há um projeto prestes a ser votado) para jornais e revistas. É o mesmo princípio. Lá no Congresso a coisa é mais objetiva ainda: é livre a divulgação de imagens e informações biográficas de uma pessoa com notoriedade pública. Quem pautou sua vida pelo anonimato tem direito maior a sua privacidade. Artista, jogador de futebol, político não pode esperar que só falem aquilo que ele autorizar.

Como você chegou no Roberto? Você tinha escrito aquele­ livro sobre os cantores chamados bregas, que foi uma novidade. Foi uma sequência?

Na verdade, os dois projetos nasceram juntos. Eu estudava aqui na PUC do Rio, em 1990, quando iniciei uma pesquisa sobre a história da música brasileira. Ali, identifiquei uma grande lacuna. Não tinha um livro até então que analisasse a trajetória de Roberto Carlos. E nada sobre os cantores bregas, ainda mais absurdo.

Sobre Roberto ainda tinha coisa sobre Jovem Guarda… Resolvi investigar por quê. Claro que eu tive uma motivação afetiva, esses artistas eu ouvia na minha infância. Quando cheguei na universidade e me interessei pela história do Brasil, particularmente pela história da música, identifiquei que parte daqueles artistas que eu ouvia não estava contemplada nos livros. Lembro que aqui tinha de vez em quando uma semana da música brasileira. Aí vinha alguém e falava de Bossa Nova, Tropicalismo, sambas, marchinhas carnavalescas. Não vinha ninguém falar…

Daqueles que você ouvia.

Que eu ouvia no rádio. O que é isso, aquilo não existiu? O historiador deve investigar os silêncios. Eu pensava: por que esse silêncio à música brega, esse desprezo a Roberto Carlos, o mais popular artista do país? Em 1990, você já tinha vários livros sobre Chico, análise de letras, sobre Elis Regina, Caetano, o pessoal do samba.

E o que é isso, a classe média dita o gosto?

É uma sociedade de classes, e isso se reflete na produção historiográfica. Quem escreve, ou quem escrevia, até esse período, livro no Brasil? Uma ­elite cultural. A música da empregada ficou sem a sua história, porque a empregada não está escrevendo livro. É um pouco reflexo desse desprezo das elites culturais por essa produção mais popular.

Em termos históricos, são os excluídos mesmo.

Sempre priorizando os grandes feitos, os grandes personagens. A música foi a última coisa a chegar. O Chico Alencar (deputado federal pelo Psol-RJ), por exemplo, escreveu nos anos 80 sobre essa coisa de incluir o trabalhador. Um livro dele, História da Sociedade Brasileira, muito inovador, fala sobre dar prioridade não aos grandes vultos, mas ao homem comum, ao trabalhador. E outros livros. Mas quando eu chegava na parte da música, estavam lá: Caetano, Chico, Gil, Milton… Eles não entenderam que aqueles personagens pudessem ter outro tipo de música, que falasse do cotidiano deles. E aí que eu entrei. Vamos dar voz aos excluídos. A história vista de baixo não chegava na produção cultural. Hoje, fico contente de saber, às vezes eu pego um livro de história que os alunos recebem e estão lá Chico, Caetano, que são importantes, mas está lá do lado deles a foto do Odair José, do Waldick Soriano. Avançamos na construção da memória.

Você começou esse trabalho, com mais de 200 entrevistados, no tempo do orelhão.

É, eu não tinha telefone em casa… Ligava de orelhão, aqui na PUC tinha vários, descia nos intervalos de aula para marcar entrevistas. Eram aquelas fichas de três minutos, liguei para vários artistas pedindo entrevistas. Do orelhão falei com Tom Jobim, Caetano, Chico, Gil, Milton Nascimento, essa turma do Procure Saber. Eu já estava procurando saber anos antes. Foi uma pesquisa de longo prazo, não havia essa emergência, mandavam ligar dali a dois meses, eu ligava.

E não tinha tantos assessores como hoje.

Era outro momento, eles mesmos atendiam o telefone. Certa vez, agora, os alunos vieram me dizer que não estavam conseguindo falar com o Daniel. Eu consegui falar com o Tom. Alguma coisa mudou. Hoje­ ninguém consegue mais falar com ninguém. Mas eu peguei essa transição, na metade dos anos 90. O Roberto Carlos era o único que tinha assessoria, era o único que não atendia telefone. Para falar com a assessora já era difícil, falava mais com a secretária da assessora. Infelizmente eu não peguei o Vinicius, que recebia os estudantes na banheira (risos). Contam isso, né? As estagiárias chegavam e ele na banheira.

Os seus livros (tirados de circulação) foram queimados?

Isso aí só com um jornalismo investigativo  que não existe no Brasil para identificar. Ele levou para um depósito lá em Diadema (na região do ABC paulista). O jornal O Globo chegou a ir lá na porta. O rapaz que atendeu, o Josias, não queria falar nada. A última vez que ele (Roberto) falou a respeito, disse que “(os livros) estão num lugar que não me incomoda”. Era uma situação com que ele não contava. Foi como ele fez com o livro do mordomo (Nichollas Mariano, codinome de José Mariano da Silva Filho), em 1979. Desta vez, teve reação. Naquela época, ainda era ditadura. Queimar livro era mais ou menos tolerado.

Odair José teve relançamento, Waldick Soriano foi tema de documentário. A música que só tocava na cozinha ganhou outros ambientes?

A democracia também se refletiu no campo da cultura. Há uma maior compreensão da música brega. Uma empregada doméstica é certamente mais bem tratada do que nos anos 70, tem direitos sociais. Vejo isso como um processo social do qual meu livro teve uma participação. Hoje, esses artistas aparecem nos segundos cadernos. Gaby Amarantos lança um disco e ganha capa. O fato de ter revelado que ele (Odair José) também teve músicas censuradas deu uma aura de mártir. Tem até frase engraçada dele, nem foi para mim, dizendo que achava que essa coisa de censura fosse só negativa… Isso ajuda a revalidar a própria obra dele. São vários fatores que contribuem para uma valorização. Chico Buarque, por exemplo, não é só um grande compositor, é um herói cultural, da resistência. E isso ajudou a valorizar as próprias músicas dele.

No seu livro proibido, você resgatou um encontro promovido pela revista Manchete, em 1966, com Roberto, Geraldo Vandré e Chico. Eram de escolas diferentes. Como vê a evolução da carreira de Roberto?

Esse momento a que você refere é decisivo para a carreira de Roberto. Todos os grandes artistas brasileiros tocavam ritmos identificados com o país, faziam samba ou marcha… Ele foi o primeiro grande artista desvinculado dessa tradição. Quando se tornou o mais popular do país, tocava música que não era considerada brasileira, o rock, o iê-iê-iê, mesmo sendo composto por brasileiros. Havia essa visão, que vai ser superada depois pelo Tropicalismo. Chico­ e Vandré tentam convencer Roberto a fazer música brasileira. “Você pode contribuir, por que você não vem para o nosso lado, Roberto?” A música que ele fazia era vista como alienada e ­alienígena. Nesse sentido, ele é um ET naquele ambiente musical universitário. Só que o sucesso dele foi tão grande, longo, permanente, que aí quem estava do outro lado teve de se adequar. Em vez de brigar com aquilo, assimilar. Ele foi um inovador nesse sentido. Influenciou a geração posterior, Fagner, Djavan, Alceu Valença, Zé Ramalho. Hoje, ele é um clássico, como um Paul McCartney. Qual a contribuição do Paul para a música hoje, o que ele toca nos shows? Beatles. O que faz o Roberto? O mesmo acontece com os Rolling Stones.

No seu processo de pesquisa, você conseguiu falar com o João Gilberto. Se bem que às vezes ele é que acaba entrevistando as pessoas.

É verdade, o João é uma figura diferente. Ele é muito interessado no outro. Geralmente as pessoas estão interessadas em falar de si, responder o que você está perguntando, mas o João, não, ele é sinceramente interessado na outra pessoa. Consegue estabelecer um contato. Então, pergunta do seu pai, da sua mãe…

No começo, a gente falava sobre a importância de preservar a memória. Agora tivemos um debate intenso, sobre os 50 anos do golpe.­ Você acha que o Brasil está conseguindo avançar nesse sentido, de contar a história, as histórias?

Certamente. Eu cresci ouvindo esta frase: o Brasil é um país sem memória. Isso, os 50 anos da ditadura, dominou a mídia. Claro que teve um peso por haver toda uma geração que foi atingida por isso. Em 1987, eu não lembro de ninguém falando dos 50 anos de 1937, Estado Novo… Há mais autores escrevendo sobre isso, sobre a própria música popular, o campo da história se alargou. Isso vai refletir também na produção de biografias. Certamente, mudando ­essa legislação vai ficar muito melhor. Porque hoje o que você mais vê são biografias internacionais. E há um mercado consumidor de biografias. (“Cinedocumentários”, lembra a repórter-fotográfica.) Cinedocumentários, quero lembrar um que não tenha. Só o Roberto Carlos. Ninguém tem coragem de fazer.

Quando Roberto Carlos se juntou ao grupo do Procure Saber, você esperava que eles influenciassem no sentido de mudar a postura dele?

Claro! Quando eu soube, pensei: que bom. O Roberto, o ambiente dele é de pessoas que só pensam em dinheiro, negócios, empreendimentos imobiliários. Agora ele vai para o mundo da cultura, conviver com pessoas mais ligadas à arte. Quem sabe ele possa sair arejado de lá e devolver o meu livro. Pra minha surpresa, aconteceu o contrário. Roberto conseguiu convencê-los de que o certo era proibir.

Foi inocente, o Chico?

Ah, totalmente. Foi de uma ingenuidade… Como eu falei, acredito que o Chico entrou nessa mesmo pela questão da privacidade. Mas o que ele estava querendo também ia servir para o Cabo Anselmo, para o torturador. O fato é o seguinte, os argumentos foram frágeis, contraditórios. Ficou um fato que não vai mais poder ser excluído da biografia deles.

Você gosta de ler biografias? Durante muito tempo, se disse que era uma área secundária da literatura, que era bisbilhotice.

Até os anos 80, a biografia sempre foi tratada como um gênero literário menor. No momento em que ganha status, importância, que está na academia, no Brasil você tem essa restrição. Comecei a curtir biografia para valer com o Olga, do Fernando Morais, um marco dessa retomada. Logo depois ele escreveu Chatô, aí nos anos 90 veio o Ruy Castro, com a do Garrincha, e o Anjo Pornográfico (sobre Nelson Rodrigues). A biografia chega à academia, aquela coisa tratada de forma menor não é mais. É um gênero com suas especificidades, nem melhor, nem pior; ajuda a analisar uma época. E no campo da música brasileira, a do Noel Rosa, de João Máximo e Carlos Didier, publicada em 1990, foi outra que calou fundo. Quando eu li, pensei: quero fazer uma biografia dessas, sobre um artista brasileiro. São dois livros que me encaminharam para isso, Olga e Noel. Foi mais ou menos o que tentei fazer com Roberto Carlos, caminhando com ele, pelas épocas do Brasil em que ele atuou e atua.

A definitiva…

É, não acredito nisso. Cada biografia é uma versão. Eu gostaria de ler outra do Tim Maia, além da do Nelson Motta. Acho um personagem tão rico. Em princípio, acho que está tudo por ser feito. Na música popular brasileira, nós estamos começando agora. Do Tom Jobim, por exemplo, você tem uma do Sérgio Cabral. Como é que um artista como ele, daquela dimensão, com uma obra daquela, tem só uma? Se tiver mais, quero ler. Mas não pegamos ainda essa tradição biográfica. Tem mais de mil livros sobre Elvis Presley. No último levantamento sobre Beatles, 8 mil títulos. Bacana, né? Biografia, análise de letra, comportamento. E nós estamos aqui brigando por causa de um livro.

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