EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS: “REGISTRO DE UMA GUERRA SURDA”

Fazendo parte do Seminário Ditadura e Transição Democrática – Cinco Anos de Memórias Reveladas nos 50 Anos do Golpe de 1964, estará ocorrendo até o dia 18, na sede do Arquivo Nacional, no centro do Rio de Janeiro, a exposição de fotografias, Registro de Uma Guerra Surda que mostra imagens dos 50 anos de ditadura civil-militar imposta à sociedade brasileira entre os anos de 1964 e 1985.

A exposição é composta de imagens de grande valor histórico e a-histórico como a que mostra o ditador Garrastazu Médici, fotografado pelo Jornal Correio da Manhã, erguendo a Taça Jules Rimet que os jogadores brasileiros conquistaram na Copa do Mundo de 1970. Médici, considerado o mais repressor dos ditadores da ditadura brasileira, ficou no poder de 1969 a 1974. Foi substituído pelo general Geisel, cuja gestão foi marcada pelo assassinato, em 1975, sob tortura no DOI-Codi, de São Paulo, do jornalista Wladimir Herzog, diretor da TV Cultura, que também trabalhava com fotografia e com cinema.

A exposição é composta por quatro eixos, em um deles imagens mostra como os militares conquistaram grande parte da sociedade brasileira. Há também o original do Ato Institucional Número 5, o antidemocrático AI-5 que instituído pelos militares no ano de 1968; cartas de presos políticos; o Congresso da UNE, em Ibiúna, São Paulo, onde foram presos Dirceu e o insigne jornalista Franklin Martins; como também a lista dos militantes presos que foram trocados pelo diplomata alemão, sequestrado, Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben.

A cientista política e curadora da exposição, Viviane Gouveia, teceu comentários sobre o evento e seu conteúdo.

“A ditadura militar ficou tantos anos no poder porque, embora alguns setores da sociedade se articulassem para combatê-la, muitas pessoas apoiavam a ditadura. Tinham medo do que os militares chamavam de terroristas.

O congresso de Ibiúna foi o último por muitos anos. Depois desse ataque, o movimentos estudantil foi completamente desarticulado, em uma época em que o movimento sindical já estava desarticulado e só retornou em meados da década de 70”, comentou a curadora.

Na quinta-feira, durante a exposição, será realizado um debate sobre a fotografia na ditadura com o título: Retratos da Resistência: A Ditadura na Lente dos Fotógrafos.

Uma boa pedida, porque estão compostos dois corpos: a arte fotográfica e a política. Ou, a não-política, já que não há política em regime ditatorial.

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