EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS “AS DONAS DA BOLA”

A cultura não é uma produção exclusivamente do cognominado homem. Esse ser que transcende o macho através de seus signos sócios-culturais. Não é um mundo dos artifícios onde predominam apenas objetos e ideias nascidas da força e da inteligência do macho-homem. Ela é também o resultado da participação direta da fêmea-mulher com seus sentidos e inteligência. O ser que transcende o gênero fêmea e se constitui como ser produtivo de realidades.

Se há distribuições de funções que são indicadas exclusivamente para o macho-homem e a fêmea-mulher, são decorrências de fatores históricos, antropológicos, religiosos, econômicos, políticos, morais, etc., e não como essências. São fatores que predominaram como ordens direcionadoras dos comportamentos. O patriarcalismo hebreu que predominou no Ocidente contribuiu para essas diferenças de funções. Compondo o patriarcalismo com a moral-cristã-burguesa que se sustentou em pilares econômicos do capitalismo liberal, de monopólio, de truste, de organização, de consumo, tem-se um cenário eminentemente discriminador, onde a mulher aparece como um ser que deve ser tratado à parte quase como o terceiro excluído da Lógica Formal aristotélica. Ou como diz a psicanálise, o outro castrado. 

Todavia, em razão de suas próprias necessidades e produções libertárias, esse entendimento do excluído que a mulher-fêmea amargou durante todo esse tempo, tem se modificado. Ela já não responde à semiótica instituída pelo modelo macho, branco, europeu, que lhe impunha a escravidão. Hoje, ela, criou uma subjetividade que se não lhe permite uma posição totalmente independente em relação às frustrações do homem-macho que lhe quer ainda escravizada, ela pode discutir seus temas sem medo de se encontra errada e está indo além do que lhe compete.

É por isso, que a Exposição de Fotografias As Donas da Bola, não causa nenhuma surpresa, estranhamento e muito menos constrangimento, visto que não há nada de anormal, mas de revelação de uma possibilidade: poder traçar um ‘pebol’ sem ter que imitar o modelo de jogar dos ditos jogadores. A mulher em sua essência original tem um corpo que pode compor com a bola de forma singular, muito diferente de como o corpo do homem compõe com a bola. É essa nova composição de gestuais futebolísticos que sensibiliza o olhar e incita a cognição de quem assiste imagens das Donas da Bola.

A Exposição De Fotografias As Donas da Bola que ocorre no Centro Cultural de São Paulo, conta com a participação da arte de 11 fotógrafos distribuídos em 121 fotografias coloridas e preto e branco produzidas no Amapá, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e outros territórios onde elas se manifestam.

“Essa iniciativa pretende preencher uma lacuna importante ao aplicar a percepção e a consciência social sobre a importância da mulher no futebol como esporte, dentro de uma cultura nacional ainda em formação”, observou Diógenes Moura, o curador da exposição.     

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