EXPOSIÇÃO MULTIMÍDIA: PATRIMÔNIO IMATERIAL BRASILEIRO – CELEBRAÇÃO VIVA DAS CULTURAS DOS POVOS

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Comidas, bebidas, lugares, formas de expressão, saberes e ofícios são os corpos-imateriais que a exposição multimídia Patrimônio Imaterial Brasileiro – Celebração Viva das Culturas dos Povos começou a exibir ontem, dia 23, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro e ficar em cartaz até o dia 20 de julho. Ultrapassa o temo da Copa. Por isso, não argumento contrário para não marcar presença.

São 30 corpos-imateriais selecionados e registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que serão exibidos na exposição. Tem desde a Cajuína de criação piauiense até o Tambor de Crioula, do Maranhão. Uma verdadeira heterogeneidade de dizeres enunciativos da produção cultural brasileira. Cada corpo-imaterial carrega encadeamentos históricos, econômicos, sociais, antropológicos, estéticos, religiosos, mitológicos, etc. que asseguram sua expressão intempestiva.

Como bem se sabe todo corpo seja imaterial ou material não acaba em si mesmo. Não acaba em sua forma e em seu conteúdo. Ele se expressa como multiplicidade de elementos processados nas relações de produção e nas relações sociais. Um breve exemplo, é o Bumba-Meu-Boi do Maranhão. Nada a ver com o Boi-Bumbá de Parintins, no Amazonas, que não passa de uma gritante degeneração dos corpos constitutivos do Bumba-Meu-Boi, do Maranhão que foi criado pelos encadeamentos de partículas econômicas, políticas, religiosas, antropológicas, étnicas e geográficas que se estruturam no período colonial.

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Ao contrário o Boi-Bumbá, de Parintins (tirando a sensibilidade dos artesãos), reflete o carnaval das Escolas de Samba do Rio, mais o narcisismo de um governador do Amazonas e mais a mídia psicodélica de mercado. Não nasceu dos encadeamentos singulares das partículas que manifestam a originalidade de um corpo-imaterial. A prova bem convincente, a diminuição acentuada dos que ainda gostam de apreciá-lo em Manaus. Local de sua explosão para o gosto do entretenimento de consumo.

Quem for apreciar a exposição vai vivenciar três blocos.

  1. Ambiente neutro com imagens e vozes.
  2. Três aldeias apresentam os bens imateriais, institucionalizados ou não que se misturam como corpos dos imigrantes africanos, japonês, italiano e português.
  3. Duas aldeias exibem objetos, além de imagens, vídeos e sons com informativos mostrando como são realizados seus registros.

Se você for, saca só o que você vai vivenciar, mano e mana.

Do Espírito Santo – Ofício das paneleiras de goiabeiras.

Minas Gerais – O toque dos sinos.

Do Amazonas, especificamente das etnias Uaupés e Papuri – Cachoeira Sagrada Iauaretê.

Do Amapá- Arte Kusiwa de pintura corporal e arte gráfica Wajãpi.

Do Pará – O Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

Do Maranhão – Bumba-Meu-Boi e Tambor Crioula.

De São Paulo – O Fandango Caiçara do litoral sul.

Mato Grosso – Ritual Yaokwa da etnia Enawene Nawe.

Dos Karajá – Produção das bonecas Karajá e Rtixòkò expressão artística e cosmologia

Marajó – Festividades de São Sebastião.

Recôncavo Baiano – Samba de Roda.

Rio de Janeiro – Matrizes do Samba.

Bahia – Festa do Senhor Bom Jesus do Bomfim.

E mais, feira de Caruaru, produção artesanal do queijo de Minas nas regiões dos Serros e das serras da Canastra e Salitre, produção da viola-de-cocho, da renda irlandesa, festas de Santa Ana de Caicó, na região do Seridó norte-rio-grandense, Divino Espírito de Paraty, sistema agrícola tradicional do Rio Negro, frevo, jongo, roda capoeira, ofício dos mestres de capoeira, e muito mais.

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Para Luciano Figueiredo, curado da mostra, o objetivo da exposição é apresentar “a importância desse legado para nossa história e continuidade”.

“A criação do patrimônio imaterial é bastante recente. Ele aparece na Constituição de 1988 e ganha um departamento no Iphan nos anos 2000. A maioria dos brasileiros não tem conhecimento sobre esses bens, por isso o nosso principal objetivo é mostrá-los à população. Queremos apresentar o que são os bens imateriais, como foram registrados e qual a importância desse legado para nossa história e continuidade como povo”, disse Luciano.   

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