SAMBADA DE COCO DE UMBIGADA DE MÃE BETH DE OXUM DE GUADALUPE

Olinda - Beth de Oxum, coordenadora do Ponto de Cultura Coco de Umbigada (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Foi na comunidade de Guadalupe, em Olinda, Pernambuco, que Mãe Beth de Oxum iniciou seu trabalho de resgate da cultura popular esquecida dos habitantes da região, e porque não dizer de outras partes do Brasil. Educadora e percussionista, Mãe Beth de Oxum, recorre à memória para realizar as transformações de vidas dos moradores da comunidade através dos instrumentos que cria juntos com seus companheiros.

O trabalho artístico-comunitário começou no quintal de sua casa, há mais de 10 anos, quando ela iniciou as rodas de Sambada de Coco de Umbigada. Foi nesse tempo que sua memória foi visitada de forma vital, como diria o filósofo Bergon, para extrair das névoas das imagens-lembranças visuais e sonoras as produções históricas dos seus antepassados. Assim, como também, o talento artístico para criação dos instrumentos necessários a execução da Sambada de Coco de Umbigada.

Dos encontros realizados sempre no primeiro sábado de cada mês, nasceram outros projetos. Todos relativos a mudanças de percepção, entendimento e transformação da vida da comunidade de Guadalupe. Nesse movimento criativo foi manifestado o projeto de “libertação e identidade negra”. Um projeto que tem como indicação fazer com que os participantes se envolvam com os signos de sua cultura não só os estabelecidos pelos colonizadores, como também os criados autenticamente pelos negros. E como é óbvio, signos que os meios de comunicação de massa não expressão.

Um caso próprio do sistema capitalista que só visa o lucro mostra ainda mais a potência criativa de Mãe Beth de Oxum e seus companheiros de produção cultural. O ponto de cultura ficava em uma casa alugada, mas por falta de possibilidade de pagar o aluguel eles tiveram que deixar a antiga sede e passaram a se encontra na laje da casa de Beth e na frente de sua casa. Acompanha pelo interesse da vizinhança, ela já tem sob sua criação educacional mais de 200 crianças.

“Precisamos entender a importância da cultura afrobrasileira na origem da identidade de nosso povo e na cultura brasileira. Identificando isso, a importância que isso tem, de onde isso vem, de territórios negros quilombolas, afro-brasileiros, afroindígenas. De posse disso, a pessoa percebe que tem um lugar, uma cor e um endereço, dos morros às periferias.

Não há como querer que os menores se reconheçam ou gostem daquilo que não conhecem. Aqui a gente brinca muito de afoxé e de coco. Na comunidade não existe outra agenda de esporte e lazer”, analisou Mãe Beth de Oxum de Guadalupe.

 

 

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