VIDE A CAPA

Hoje, o Vide a Capa é só obra de arte para arrepiar os sentidos e a cognição. Uma vitrine-esquiza que escapa das prateleiras das livrarias. Tudo pelo devir-capa, movimentado pelos artistas criadores das obras, meta-literárias.

As capas dos livros podem carregar três movimentos-enunciativos. Um a priori que antecede o conteúdo do livro. Outro que cria névoas de indiscernibilidades nos leitores antes da leitura do livro. E o terceiro, aquele que nega o conteúdo apesar de apresentar signos indicativos.

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São nesses movimentos-enunciativos que você videcapaesquizofílico vai compor novos corpos perceptivos e cognitivos encadeados pelos artistas criadores das capas. Aqui tem a primeira capa do Anti-Édipo escrito pelos filósofos Deleuze e Guattari. A potência revolucionária do desejo esquizoanalítico que fragmentou as estruturas da psicanálise no início da década de 70, ainda com os disjuntivos fluxos do Movimento de Maio de 68. A obra que libertou o desejo das cadeias inconsciente freudiano. Publicado no Brasil pela Editora Imago, em 1976, teve como autor da capa Mauro Keiman.

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A escritora russa Nina Berberova, exilada da Revolução de 1917, e autora do romance A Acompanhadora, desfila com seu conto de suspense, intrigas e mentiras, O Lacaio e A meretriz, publicado pela Editora Nova Fronteira, em 1989, tem como artista criador da capa, Victor Burton, o que predominou nas décadas de 70 e 80 criando obras para a mesma editora.

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Em seguida se manifesta o crítico de teatro inglês, Eric Bentley, com sua obra O Teatro Engajado que trata das concepções políticas daqueles que se encontram como sujeitos de produção teatral. Os chamados engajados cujo teatro faz crítica à sociedade capitalista com suas formas de opressões através de seus modos de produção e relações de produção alienando o homem em benefício de seu compulsivo impulso ao lucro máximo. E os chamados conservadores, os não-engajados, que realizam um teatro conservador, gastronômico, para embalar os sonhos e as preguiças da burguesia-ignara.

O Teatro Engajado foi publicado no Brasil, no ano de 1969 (época de dolorosa lembrança, um ano após a implantação do Ato I-5 pelo militares), pela Zahar Editores e teve como criador de sua capa, Érico.

E para enlouquecer os olhos, a obra-prima do realismo fantástico, a literatura que retira todos os pontos de apoio de referências realistas do leitor deixando esquizofrenizado para melhor entender que o real não é tão real como parece ser, como diz o compositor e cantor pernambucano, Flaviola.

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Não é nada mais nada menos do que o pirante Bestiário de Júlio Cortázar. Autor que nasceu em Bruxelas, mas passou a maior parte de sua existência na Argentina, e tinha como fonte de suas produções do realismo fantástico seus próprios sonhos que ele transformava em conto. Ele é o autor do romance respeitadíssimo em todo mundo, O Jogo da Amarelinha.

Bestiário foi publicado no Brasil no ano de 1986. E quem adivinha o criador da capa? Pista: Tem o sobrenome de ator canastrão norte-americano. É isso mesmo, o nosso já conhecido Victor Burton. O canastrão é Richard Burton.

Mande a capa que você mais gosta que nós publicaremos.  Ou faça sua capa para um livro real ou fictício.

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