O RAP DEVIR-SOCIAL DE MARQUINHOS DO GRUPO TROPA DE ELITE

Todo obra artística é uma expressão social. Mas nem toda obra artística expressa um devir-social. O devir que desloca o espectador, ao vivenciá-lo, do estado em que se encontra. Há obras que só expressam códigos para manter o espectador no mesmo estado que se encontra. É a obra burguesa, visto que ela existe para manter os sentimentos estratificados e cristalizados como forma de defesa de um mundo tido como único. É lógico, que todos sabem que esta obra é a expressão da alienação social do considerado artista cuja função é embalar os salões imperiais, já que os nababescos imperadores não têm sentidos, têm couraças.

Já a obra de expressão de um devir-social não é para manter os estados de coisas. Ela existe para causar, pelo menos, trepidações nos sentidos e nas cognições dos espectadores. Elevá-los a outras dimensões. Mas não como transcendência mística. Como concepção sensorial e cognitiva mais fina, mais tênue, tornar o imperceptível perceptível. Mostrar o que a maioria não quer ver. Ou não pode ver. O filosofo Friedrich Schlegel diz que “é impossível irritar quem não quer ser irritado”. Uma questão que não importa ao artista do devir-social, porque ele sabe que sua vocação-estética é, pelo menos, arranhar a forma pétrea da chamada realidade.

Foi assim que o rap se manifestou como novo: arranhar, tocar, incitar a dita realidade com seus signos transcendidos de seu mundo urbano selecionador, classificador e hierarquizador. Fazer vazar a potência criadora dos impedidos socialmente. Daí, ser conhecido como um agente do discurso político-social. A música, o texto e a performance são os corpos que imprimem a possibilidade de elevação.

Marquinhos do grupo Tropa de Elite, que participou da Expo Hip Hop do Brasil, que contou com as apresentações de artistas de todo o Brasil e alguns do exterior, como do Haiti, em Ceilândia, que é considerada a expressão nacional do rap, confirma esse entendimento quando afirma que o hip hop, o rap, o grafite, o break são revolucionários, porque “estão sempre em movimento”. Ele afirma que agora o foco mudou: é menos ataque político ao governo, é mais social.

“Quem governa somos nós. Se nos juntarmos, somos fortes. Sozinho não se faz revolução. O hip hop que inclui o rap, a discotecagem, o grafite e o break, é uma revolução da comunidade, está sempre em movimento.

Hoje, o rap, é mais social e atualizado. Ou acompanha a revolução, ou para. Chegou a internet, temos meios mais eficientes de melhorar” analisou Marquinhos para quem há 20 anos havia razão para o foco ser político.

O sentido da potência transformadora do rap, também é compartilhado por Beto SDR, do grupo Sobrevivente de Rua.

“Ritmo, arte e poesia ou revolução através das palavras, é confrontar e conquistar o espaço. O rap fala com as populações de periferias”, disse Beto SDR.

O devir-rap não é para manter o estado de coisa tido como único e eterno. O devir-rap é o entendimento sobre o mundo e sentido de transformação projetado.

 

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