EM TEMPO DE COPA NADA COMO O SAMBISTA DE BREQUE MOREIRA DA SILVA PARA CANTAR SEU DOUTOR EM FUTEBOL

MOREIRA DA SILVA

Os tempos eram outros, quando no Brasil o futebol, por não ter penetração mundial, ainda não era cantado em verso e prosa. O Brasil ainda não era a pátria de chuteiras. Havia os clubes com suas vibrantes torcidas. Os campeonatos regionais eram verdadeiros espetáculos de rivalidades clubistas. Torcidas que faziam dos dias das disputas seus magníficos entretenimentos. Grandes festas por conquistas estaduais, mas tudo ficava nos intestinos domésticos do futebol.

Foi então, que em 1958, Garrincha, junto com seus companheiros, além de mostrar que seria o melhor jogador do Brasil (mesmo que Pelé diga o contrário) e do mundo, conquistou a Jules Rimet para glória da torcida brasileira. Era o futebol brasileiro adentrando no mundo internacional. Quatro anos depois, novamente o couro comeu: pela segunda vez a Seleção Brasileira de Futebol conquista a Copa do Mundo.

Pronto. Agora, o Brasil é a pátria de chuteira cantada em verso e prosa. O futebol brasileiro passou a ser sinônimo de respeito internacionalmente e seus jogadores passaram a ser disputados pelos clubes estrangeiros, principalmente clubes europeus. Com essa fama e cama, apesar de muita lama, o futebol não só serviu como fonte de inspiração dos jogadores como também para outros seguimentos da cultura brasileira. Apoiado nele, jornalistas como Nelson Rodrigues e o músico Ari Barroso aumentaram suas respeitabilidades. Enunciados de preferências futebolísticas, feitas por alguns personagens, serviram além de conceber glamour a personagens, serviu também para o futebol ter seu território de opiniões aumentado.

Porém, antes dessas duas Copas, mas influenciado pela intensa propagando sobre o futebol brasileiro que alguns compositores começaram a criar mais músicas tratando do assunto. É seguindo essa expressividade esportista que o insigne cantor Moreira da Silva, o rei do samba de breque, gravou o sucesso Doutor em Futebol, de Valdemar Pujol e Moacir Bernardino, que agora esse Esquizofia tenta transcrever, de memória (há momentos em que as imagens-lembranças são reticentes), a letra como homenagem a Copa do Mundo de 2014 que lança o pontapé inicial hoje.

Na letra é possível encontrar Leônidas da Silva, jogador do Flamengo que inventou a jogada chamada de bicicleta, e foi conhecido como Diamante Negro. Um verdadeiro craque. Didi, criador do chute ‘folha seca’. Uma bola lá onde a coruja dorme que vários times estrangeiros quiseram contratá-lo, mas ele tinha medo de viajar de avião. Só que um dia perdeu o medo e partiu. Foi para o Peru. Também aparece o famoso locutor esportivo Pedro Luiz. Nada a ver com Silvio Luiz. Ainda tem Henrique, Dida, Sabará, craque do Vasco. Agora, só matar no peito, deixar a pelota correr pelo corpo e mandar o birranho.

“Eu nasci

Para ser um craque da pelota

Não é mentira nem lorota

Porém, o meu amor

Minha carreira quer trocar

Pra medicina eu estudar

E me formar em doutor

Bacharelar-me em coisas de anatomia

(imagens-lembranças reticentes)

Discutir um assunto

Com altos cientistas, especialistas

Meu meio é futebolista

Eu hei de me tornar

Um astro verdadeiro

Um perigoso artilheiro

E ser o terror de Pelé

E suplantar o seu Mazzola

E num drible de corpo,

Botar no bolso Henrique, Dida e Sabará

Diamante Negro já perdeu seu brilho

Sua estrela se apagou

Eu quero se futebol e não doutor

Quando eu entrar no gramado

Para trabalhar

E jaqueta nacional envergar

Trocar a minha vida fininho

(novamente as imagens-lembranças se fizeram reticentes)

De letra um gol eu vou marcar

E a torcida aplaudindo

Essa jogada espetacular

Pedro Luiz tendo a mão ao microfone

Para todo universo vai anunciar

“Saiu o zero do placar”

Escute aqui minha gente

Para ter fama não precisa ser doutor

Mas sim, basta saber

Controlar o caroço,

Balão de couro com inteligência

E sempre agindo com prudência

Tenho a certeza que assim sendo

Não vou me dar mal

Pode sair um sururu em campo

E no dia seguinte

Meu nome no jornal

“Olha o cartaz do morengeira é natural”

Não sei se vou pra Espanha (tem memória?)

Ou vou pra Portugal

É melhor eu ficar no Brasil

Eu e o Didi vamos ficar ricos”.

 

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