COMUNICADORES DE “LA GARGANTA PODEROSA”, REVISTA POPULAR ARGENTINA, ESTÃO NO BRASIL PARA OBSERVAR AS COMUNIDADES CARENTES DURANTE A COPA

Hospedados na favela pacificada de Santa Marta, no Rio de Janeiro, 14 membros da revista cultural argentina, La Garganta Poderosa, estão no Brasil aproveitando o período da realização da Copa do Mundo para observar as comunidades carentes. Eles  fazem suas observações e análises através das percepções que eles têm da própria favela.

A revista tem um signo político visível. O conceito ‘Poderosa’ foi tirado da motocicleta de Che que ele junto com seu companheiro Alberto Granado fizeram uso para realizar o percurso do continente sul-americano. Criada em 2011, La Garganta Poderosa tem como conteúdo e forma os temas das classificadas culturas marginalizadas. Durante a Copa eles trabalharam como correspondentes enviando mensagens para rádios e TVs da América Latina.

Entretanto, os comunicadores não chegaram ao Brasil de forma independente. Eles são financiados pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais que forneceram toda a estrutura para as transmissões e os alojaram em casa de famílias no Morro de Santa Marta. Segundo eles, o único jogo que irão assistir é Argentina e Irã.

“Nos instalamos em uma favela no Rio, onde nos sentimos muito confortáveis. Não é que exista ‘outro mundial’ aos olhos da imprensa comunitária: é o mesmo, incluindo os que ficam fora dele.

Queremos aproveitar essa grande plataforma midiática para divulgar nossa causa, que é a causa também das favelas do Brasil e dos assentamentos de outros países.

Apesar de o futebol ser o principal na comunidade, nos interessa contar a experiência para além do esporte, aprofundar na cor e na festa das favelas do Brasil.

O problema não é jamais o futebol, nem os jogadores, nem os estádios. O problema é que vendem tudo. O futebol não é da FIFA nem das grandes marcas.

Assim, como os militares usaram o Mundial para esconder os crimes de lesa humanidade e silenciar os que lutavam por um mundo melhor, nós vamos usá-lo para o contrário”, observou um dos membros da Garganta Poderosa.

Mas há um signo que salta na práxis da Garganta Poderosa. É que as observações seguem um devir-poético. O que para esse Esquizofia surge como um passeio do esquizo.

“Hoje, amanhecemos sonhando que não dormimos,

que a Copa tem silenciador,

que podemos tocar um Cristo Redentor,

 que o turismo se aparta,

que todos são negros em Santa Marta,

 que nos dói as costas do Mundial,

 que o sorteio segue sendo desigual,

 que gritamos de todos os modos,

que certo futebol não é para todos,

 que a pobreza sempre condena”.

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