A ATRIZ DE TEATRO, LUANA BARBOSA, FOI VÍTIMADA PELA COMPULSÃO SOCIAL-POLICIAL

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Luana Barbosa tinha 24 anos e era uma artista. Uma atriz, propriamente falando no sentido da dimensão social. Sempre envolvida com produções estéticas que proporcionassem ao público vivências além das cotidianas que amarguram a existência, ela constituiu a verdade do que deve ser a arte. A criação que ultrapassa os estados de coisas solidificados como verdade imutáveis. Como ocorrem nos estados de coisas estruturados no sistema capitalista onde os sentidos foram afastados de suas originalidades: sentir para criar o novo.

Quem não é artista não vivencia esses devires constitutivos de outros corpos que levam a outras formas de perceber e sentir. Quem se encontra ordenado por dentro e é controlado por fora, não é artista, mas um executor de regras, normas e obrigações muitas vezes irracionais e misturadas com o medo.

A atriz Luana Barbosa trafegava, por uma rua, de Presidente Prudente, em São Paulo, no dia 27, na garupa da motocicleta dirigida por seu namorado-músico, quando foi atingida no tórax por uma bala acionada pelo cabo da policial militar, Marcelo Aparecido Domingos Coelho. Em sua versão, ele atirou porque o namorado da atriz não parou em uma blitz. Versão logo negada. O rapaz procurava estacionar a moto.

O policial não é um artista. Ele é policial porque responde às ordens que lhe foram internalizadas e que lhes servem para controlá-lo. Muitas vezes um policial atira em alguém indo além dessas ordens fazendo valer mais sua realidade pessoal. O policial é um profissional para guardar e manter os estados de coisas que o Estado chama de ordem pública. O artista é um cidadão que respeita a ordem pública, mas, como artista, cria além da ordem pública. Se o policial, em seu cotidiano, é um sujeito que responde a física-social, o artista, como Luana, é um ser da criação metafísica. Ele cria signos que relevam a existência e deslocam o homem para uma dimensão-sensível que a física-social não expressa.

A atriz, Luana Barbosa, iria comemorar o seu natalício junto com amigos na Federação Prudentina de Teatro e Artes Integradas, onde realizava sua estética dionisíaca. Não foi. O policial foi preso em flagrante e conduzido ao Presídio Romão Gomes, onde espera o andamento do inquérito sobre o caso fatal.

Esse Esquizofia sempre encadeia corpos estéticos que possam compor novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar, como dizem os filósofos Deleuze Guattari. Nenhuma vez tratou de temas pertinentes a atos que levam à morte. Entretanto, nesse passeio esquizo de hoje, os encadeamentos têm o sentido de comprometer junto à atriz Luana Barbosa, afetos de alteridade em dois sentidos. Um pela qualidade singular de humanidade que nós carregamos como artistas. E outro, porque a Associação Filosofia Itinerante (Afin) tem como um de seus vetores de produção de afetos e cognições o seu Teatro Maquínico. O que nos irmanam muito mais com a atriz Luana Barbosa.  

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