PESQUISA “A CARA DO CINEMA NACIONAL” REVELA QUE MULHERES NEGRAS ESTÃO FORA DESTA ARTE

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Em cada dez longas metragens, duas mulheres negras aparecem atuando na arte cinematográfica. No Brasil a população feminina negra (o IBGE considera negros os que se declaram pretos ou pardos) equivale a 51,7% das mulheres. Nos filmes nacionais só 4,4 % do elenco principal é composto por negras. De 2002 a 2012, nenhum filme brasileiro foi dirigido ou teve o roteiro mulheres negras.

Essa clara discriminação foi apresentada pela pesquisa A Cara do Cinema Nacional coordenado pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) que um dos mais renomados centros de estudos de ciências políticas da América Latina. A pesquisa fez comparação entre as imagens de 939 atores, 412 roteiristas e 226 diretores de filmes. Foram excluídos filmes documentários e infantis. Para os autores do estudo essa realidade discriminante é decorrente da influência de determinados valores sobre a audiência.

Para Márcia Rangel Cândido, uma das participantes do estudo, essa ausência da negra no elenco e nos cargos técnicos é decorrente de estereótipos que estão associados à pobreza e a criminalidade.

“Pelos dados, a população brasileira é diversa, mas essa diversidade não se transpõe para ambientes de poder e com maior visibilidade.

As mulheres brancas exercem vários tipos de empregos, são de várias classes sociais, a diversidade é maior.

Usamos um modelo de identificação em que o pesquisador é quem define o grupo racial ao qual pertence o sujeito”, analisou Márcia.

Para coautora da pesquisa, Verônica Tofte, a baixa representação de mulheres correspondendo 14% na direção e 26% como roteiristas, é decorrente das distorções sociais.

“A ausência de mulheres, principalmente as negras, nesses papéis, gera baixa representação e reproduz uma representação irreal do Brasil”, observou Verônica.

Ao tomar conhecimento com o estudo, o cinegrafista negro Joel Zito Araújo, disse que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) precisa atuar para mudar essa realidade.

“Somente quem governa, quem tem poder de criar políticas públicas é quem pode criar paradigma para a Nação e resolver essa profunda distorção”, disse Joel.

Por sua vez, a Ancine respondeu que não tem poderes para opinar sobre os “conteúdos dos filmes, elencos ou qualquer coisa do tipo”.

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