“DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL”, 50 ANOS, NENHUM DOS DOIS ENVELHECEU

“Te entrega Corisco

Eu não me entrego não

Eu não sou passarinho

Pra viver lá na prisão

Eu só me entrego na morte

Com parabelo na mão”.

Manuel, sertanejo interpretado pelo ator Geraldo Del Rey, e sua mulher, Rosa, interpretada pela bela e talentosa Yoná Magalhães, lutam contra a exploração dos coronéis do Nordeste que dizimaram famílias inteiras tanto pela forma de exploração do trabalho escravo como também por assassinatos. Um tema de violência muito comum na região que foi contado na literatura, no teatro, na música e no cinema.

Mas foi exatamente o criador da máxima que afirma que “cinema é uma câmara na mão e uma ideia na cabeça”, Glauber Rocha, quem tornou mais visível as imagens e não-imagens deste cenário diante do espectador nacional e internacional através de sua estética cinematográfica, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Um trabalho quando ele tinha 23 anos, e foi lançado no ano 1964 no Festival de Cannes ao Prêmio Palma de Ouro.

São 50 anos passados e na não-dialética de Deus e o Diabo, a luta continua. Se Glauber Rocha, com sua estética-revolucionária conseguiu elevar o tema ao exercício transcendental da realidade para torna-lo mais territorializado diante dos homens, entretanto, Deus e o Diabo em sua luta nordestina, não envelheceram.

Os latifúndios com seus coronéis ainda permanecem, não tanto com um cenário de 50 anos passados, mas em outros cenários, mas em cenário como coronelismo eleitoral. Um exemplo do coronelismo eleitoral, o senador Agripino Maia, além de outros. Ainda existem muitos personagens como Manuel e sua esposa e muita crença que o Diabo é a maldição. Na verdade um mal deslocado do capitalista-latifundiário para a figura imaginária do ente religioso.

Desse não envelhecimento, o ator que interpretou Corisco, o talentoso Othon Bastos, 81 anos, diz que o tema é atual.

“Parece que foi feito ontem. São temas atuais, como o homem comprado pelos coronéis para acabar com o povo. Tem ainda a vingança do humilde, do mais fraco”, disse Othon Bastos.

No cinema de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol ainda têm os atores Maurício do Valle, como Antônio das Mortes, Lídio Silva, como Deus Negro e Sônia do Humildes, como Dadá. E ainda tem música de Villa Lobos e a voz do ativista político, compositor e cantor, Sérgio Ricardo.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: