NADINE GORDIMER, ESCRITORA SUL-AFRICANA QUE ATRAVESSOU O APARTHEID PELA POTÊNCIA DA LITERATURA

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“… Já faz um tempão que estou aqui deitada, de olhos abertos. Não tenho mais relógio no quarto, desde que aquele vermelho (dobrável, portátil, para viagens), que Bobô me deu de presente, deixou de trabalhar direito. Mas as batidas pausadas e regulares do meu coração repetem para mim, como um relógio: viver-temer-viver-temer-viver-temer…”

 Trecho extraído do fim da obra, O Falecido Mundo Burguês.

Nascida em 20 de novembro de 1923, na África do Sul, filha de pais judeus imigrantes do Leste Europeu, a escritora Nadine Gordimer foi um ativista na luta pelo fim da apartheid que segregava, prendia, tortura e matava os negros que lutavam pela liberdade. Uma segregação que teve como seu maior combatente Nelson Mandela cuja luta colocou fim ao apartheid instituído no ano de 1948 para ter fim em 1994.  Nadine Gordimer era sua grande amiga.

Morando em Joanesburgo, a escritora sempre manteve sua performance de ativista politica, mesmo depois que teve fim o apartheid. Sempre mostrou os erros cometidos pelos governantes que vieram com a democracia do país. Autora de 15 romances e várias obras literárias entre contos e novelas que tem como temas o aprtheid, o exílio e o mundo alienante, Nadine recebeu o Prêmio Nobel um fato que não mudou sua forma simples de observar o mundo e procura novas transformações. Aliás, não recebeu apenas um prêmio, mas vários.

Aos noventa anos ela ainda era uma mulher inquieta. Jamais perdeu a lucidez necessária para não conceder descanso à vida que mata o sentido de ser jovem, como diz o filósofo Nietzsche. Um descanso que tanto buscam os homens cativos. Os que existem em suas tristes procedências bem estabelecidas.

Nadine Gordimer foi uma escritora com semelhança com o filósofo Sartre cuja obra literária estava sempre ligada à potência política. Ela confirma o que dizem os filósofos Deleuze e Guattari, que a literatura é politica e coletiva.

Sensivelmente envolvida pelo sono, domingo, dia 13, ela encadeou sua evanescência indiscernível.

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