JUREMA WERNECK, DOUTORA EM COMUNICAÇÃO E CULTURA, DIZ QUE O SAMBA FOI O GRANDE FATOR DA LUTA DAS MULHERES NEGRAS

O Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, será lembrado com uma série de atividades no Festival Latinidades Edição 2014 Griôs da Diáspora Negra(Antônio Cruz/Agência Brasil)

Falando no Festival Latinidade: 2014, a médica, doutora em comunicação e cultura, Jurema Werneck, afirmou que o samba foi o grande fator na luta pela emancipação das mulheres negras. A luta vem de muitas décadas, disse Jurema. Essas mulheres ativistas eram conhecidas por ialodês. De acordo com o tempo, suas lutas passavam a outros seguimentos necessários a liberdade delas.

Nas décadas de 30,40 e 50 suas lutas eram por educação, creches demandas do Estado. A própria história de Jurema confirma essas lutas. Sua avó era analfabeta, sua mãe fez até o ensino fundamental. É preciso continuar lutando porque o racismo não desapareceu.

Para sua tese de doutorado, Jurema, tomou como elementos de pesquisa as criações e atuações das sambistas como, Jovelina Pérola Negra, Elza Soares, Leci Brandão. Martinália e Alcione. Segundo seu entendimento, Jovelina Perola Negra, luta para afirmar que todas negras eram como ela: uma pérola negra. Jurema disse que Jovelina mostrou sua posição logo na capa do primeiro disco quando colocou seu rosto em close, sem maquiagem e com um pano na cabeça.

“Com que se parece? Com minha tia, minha mãe, minha vizinha”, disse Jurema.

Ela disse também, que a luta contra o racismo é cotidiana e que essa luta aparece claramente na cultura popular.

“Hoje está difícil, mas não se compara. O racismo não desaparece por decreto, desaparece na luta cotidiana. Se o racismo é essa coisa horrível imagina a conquista dessas mulheres para aparecerem na cena pública.

Se se pensar em nome de mulher negra que não é anônima, vai-se pensar em nomes que estão na cultura popular. O caso de Elza Soares, ela cantou para ganhar dinheiro para poder alimentar o filho. Por isso, afirmou que o planeta do qual vinha: o planeta fome.

Se forem ler uma entrevista com a Elza Soares, todo mundo quer que ela conte essa história e sempre dizem em seguida, ‘apesar disso, ela tem força, foi longe’. Como se o problema estivesse resolvido e só ela tivesse nascido neste contexto. Tentar isolar ela da comunidade, mas todo mundo sabe que têm pessoas que tem essa carga de desafios”, analisou Jurema.

Escute o vídeo com Leci Brandão, cantando sua composição comprometida socialmente, Zé do Caroço, com a talentosa Mariana Aydar.

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