ESCRITOR YANOMAMI, KOPENAWA, QUE SE ENCONTRA AMEAÇADO DE MORTE, FALA NA FLIP JUNTO COM A FOTÓGRAFA CLÁUDIA ANDUJAR

O xamã indígena Davi Kopenawa, pajé e presidente da Hutukara Associação Yanomami, participa de mesa que a Flip dedicada aos índios e à Amazônia (Fernando Frazão/Agência Brasil)

O escritor indígena yanomami, Davi Kopenawa, autor do livro A Queda do Céu, em parceria com o antropólogo francês Bruce Albert, que contas histórias do povo yanomami, esteve na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e narrou temas sobre a origem e a existência de seu povo. Junto com ele, a fotógrafa Cláudia Andujar, que realizou na década de 70 um trabalho sobre saúde preventiva junto a esse povo também esteve presente apresentando seus documentos fotográficos. e sua existência junto aos yanomami.

 Ameaçado de morte pelas forças ambiciosas e opressivas que perambulam pelas terras indígenas, Kopenawa, falou sobre a violência contra seu povo e o descaso das autoridades com o que vem ocorrendo contra a comunidade indígena. São constantes as invasões de suas terras praticadas por agricultores e garimpeiros.

“É importante que vocês nos ajudem a nos defender, a preservar a natureza, as águas. Agora é a hora de vocês cobrarem o erro do governo brasileiro, para não fazer mais, pois vocês são muitos e nós indígenas somos poucos.

O povo yanomami tem uma história muito rica e esse livro mostra que sabemos contar nossa história” disse Kopenawa.A fotógrafa suíça Claudia Andujar participa de mesa que a Flip dedicada aos índios e à Amazônia (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Por sua vez, a fotógrafa Cláudia Andujar, que foi a responsável pela divulgação internacional do povo yanomami, falou de seu trabalho na defesa da saúde dos índios quando na ditadura civil-militar a abertura de uma estrada causou uma terrível epidemia na terra indígena. O resultado desse trabalho foi à criação do livro Marcados. Depois de mais de 40 anos ela ainda continua ligada ao povo yanomami. Segundo seu relato, depois de perder sua família que fora morta pelos nazistas, ela encontrou sua identidade no Brasil, entre os índios.

 “Tinha 13 anos quando vi a entrada dos nazistas e a morte de todos os meus parentes, na Transilvânia, com exceção da minha mãe, que não era judia. Isso deixou um trauma muito grande na minha vida. Todas as pessoas de que gostava morreram em dois meses, então desde cedo busquei uma identidade.

Fui fazer uma matéria a trabalho na Amazônia e foi meu primeiro contato com os yanomami. Abandonei tudo e fui viver entre os índios e me encontrei lá, me senti em casa. Aprendi que tudo é vivo. E entre os yanomami não existe isso que querer dominar o outro”, narrou Cláudia.

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