JORGE FURTADO LANÇA O DOCUMENTÁRIO “O MERCADO DE NOTÍCIAS”. UMA BOFETADA NA MÍDIA DE MERCADO, PARTIDO DE OPOSIÇÃO.

Tendo como inspiração a obra do dramaturgo inglês Ben Jonson The Staple of News, escrita no ano de 1625, cujo tema trata do jornalismo impresso, o teatrólogo, dramaturgo, e cinegrafista Jorge Furtado, lançou seu documentário O Mercado de Notícias. O filme mostra a peculiaridade do jornalismo que vem se praticando Brasil. Principalmente o praticado pela chamada grande mídia. Que de acordo, com esse blog, não tem nada de jornalismo como se pensa filosoficamente.

A estrutura, se que ainda se pode tratar de estrutura nos dias de hoje, do documentário é construída com os depoimentos de 13 profissionais do jornalismo brasileiro. Cada depoimento é intercalado com cenas da peça. Entre os entrevistados encontram-se jornalistas com inteligências superiores à média, e eticamente comprometidos com sua promissão relacionada ao bem da sociedade. Como são os casos de Mino Carta, Jânio de Freitas ( trabalha na Folha, mas é um homem desvirtua a linha do conservador jornal), Leandro Fortes, Maurício Dias, Bob Fernandes, Luiz Nassif. E também se encontram profissionais que respondem a linha editorial das empresas de mercado em que trabalham como Cristina Lobo, da Rede Globo, Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo.

O documentário não leva a discussão apenas às posições dos jornalistas, mas também os objetivos das mídias, como as mídias capitalizadas que se transformaram em partido de oposição ao governo federal, as publicidades, as formas de produzir notícias e escamoteá-las, o futuro do jornalismo, as responsabilidades dos editore e repórteres com as pautas e a ética jornalista, a promiscuidade das relações nas redações.

O documentário mostra, claramente, como a imprensa manipulou o caso da bolinha de papel lançado na careca do candidato à Presidência José Serra, das direitas para prejudicar a candidatura de Dilma. Cinco câmaras em posições diferentes mostram o grau de manipulação que a imprensa partidária produziu.  Não foi levado, em consideração, no episódio, a investigação sobre a responsabilidade de um dos seguranças de Serra como autor da simulação.    

“Os jornais repercutem o que interessa a eles, quer dizer, a verdade factual eles não repercutem se não serve ao raciocínio deles. Não é assim na Inglaterra. Não é assim na Itália”, observou Mino Carta.

“A imprensa brasileira se aparelhou nos últimos anos como uma atividade partidária de oposição, nitidamente e sem máscaras. Então, para se aparelhar como oposição partidária, necessariamente esses veículos tiveram que deixar de exercer o jornalismo”, analisou Leandro Fortes.

O diretor do documentário, Jorge Furtado, também tem opinião semelhante à dos dois jornalistas. Para ele a grande imprensa se transformou em partido de oposição e por isso as tarefas fundamentais do jornalismo são descumpridas.

“Os grandes veículos passaram a agir como partidos de oposição. Neste momento, com a imprensa fragilizada pela concorrência da internet, e nessa nova posição partidarizada, tarefas fundamentais do jornalismo passaram a ser descumpridas.

E fiquei com mais vontade ainda em fazer um documentário sobre o assunto. Fui pesquisar a história do jornalismo e num livro de Peter Burke e do Assa Briggs, Uma História Social da Mídia, encontrei menção a uma peça do dramaturgo inglês Bem Jonson chamada O Mercado de Notícias, de 1625… Lí e vi uma incrível atualidade no texto de Jonson.

Acredito que um documentário, para ser durável, deve ser mais que uma notícia, tem que ser útil, no sentido de iluminar um tema, uma atividade, uma época. Deve servir de elemento deflagrador de debates, instigar novas pesquisas, despertar nos espectadores aquilo que o Umberto Ecco chama de ‘espírito de decifração’. O Mercado de Notícias debate critérios jornalísticos, e este é o seu sentido e o sentido da peça de Jonson. É também uma defesa da atividade jornalística, do bom jornalismo, sem o qual não há democracia”, observou o cinegrafista-teatrólogo.

Assista o trailer.

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