DA ENUNCIAÇÃO TRANSFIGURADORA ONTOLÓGICA DE EDUARDO CAMPOS

eduardo campos

A morte nunca é surpresa. A morte é vida. Não no sentido místico, culposo, banal. Ela nunca é um mistério, posto que ao nascermos já a carregamos como virtual que se atualiza quando do ato de morrer. Morrer é confirmar a vida. É raciocínio elementar, mas só morre quem vive.

A morte tem sempre sua forma-expressiva. A filósofa existencialista Simone de Beauvoir, diz que cada um carrega sua forma de morte. Seria entendido que, de qualquer sorte, toda morte é uma escolha histórica de cada indivíduo em situação. Quando se morre se morre em uma situação. Enfermidade, assassinato, afogamento, suicídio, enforcamento, atropelamento, etc. Tudo em situação. É sempre uma transfiguração. Uma alteração consubstancial da figura física e ontológica.

Eduardo Campos, candidato ao cargo de presidente da República pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), encontrava-se em campanha política, assim como se encontram os outros candidatos. Sua candidatura é produto de sua trajetória política. Uma situação escolhida em seu projeto-existencial de ser-político-representativo. Como candidato teria que realizar muitas viagens de avião. O avião é um produto científico-tecnológico criado para servir ao homem, entre outros serviços, como meio de transporte e comunicação através das distâncias topográficas. Usá-lo é encadear com essa tecnologia situação-maquínica. Porque quando se entra em um avião se é conduzido ao encadeamento mecânico. Embora o passageiro continue sendo o cidadão, entretanto ele compõe com a aeronave seu peso, sua respiração, seu movimento, elementos que tiram sua individualidade momentânea. O passageiro faz parte do corpo do avião.

 Ser passageiro é ser aeronáutico em situação de voar. Eduardo encontrava-se nessa situação, de sujeito que voa, como consequência de seus percursos políticos. É nessa situação que esse blog da Associação Filosofia Itinerante (Afin) concebe Eduardo Campos. Um homem que carrega corpos socialistas consistentes. O socialismo necessário para a sociedade poder elevar suas potências criativas que o tornem um ser feliz. Esses corpos foram constituídos quando ainda criança junto ao seu avô, o socialista histórico, Miguel Arraes, e junto ao seu pai, o poeta Maximiliano Arraes. E que o tornaram governador de Pernambuco, e como também foram esses corpos-socialistas, que o conduziram a composição com os governos Lula e Dilma e que o fez ministro da Ciência e Tecnologia do governo Lula.

 Acreditando na possibilidade de uma carreira mais independente ele produziu a situação de candidato ao cargo de presidente da República. Ao se deligar do governo Dilma, como forma de conseguir eleitores, passou a censurar o governo que havia servido. Fazia parte do programa de sua nova situação. O que o colocou como oposto de Dilma. E que também o levou a ser sujeito dos comentários dos que acreditam no governo popular inaugurado por Lula. Entre esses comentários se encontraram alguns produzidos por nós. Foram comentários no quadro da respeitabilidade que a situação política-eleitoral concebe como razoavelmente racional. Alguns comentários produzidos com humor. Humor como riso e vida.

Por tal compreensão e concepção, nós desse blog da Afin, estamos encadeados nos afetos familiares e históricos de seus parentes e amigos. Afinal de contas, como afirma Marx, “o homem é o mundo do homem”. Assim, como Eduardo Campo é um homem mundilizado, assim, também, sua situação mundializa a vida.

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